CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Mais de R$ 1 trilhão. Agora a barreira é de reputação. Carta pede recursos para o Biden

Publicado em 16/04/2021

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Bolsonaro envia carta a Biden

No que vai dar tudo isso? Então, vamos crescer 15,2% o valor bruto da produção agropecuária (o dentro da porteira), um recorde de 1 trilhão, cento e noventa e dois bilhões de reais, na estimativa da CNA, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. O lado da agricultura cresce 19,3%. Alta dos preços das commodities onde só a soja cresceu 33,6% e o milho 32,2%. A pecuária a alta será de 7,6%, com carne bovina crescendo 14% no faturamento. O negócio cresceu no negócio das exportações.

Por outro lado, em um estudo da CNI, Confederação Nacional da Indústria no jornal Valor destaca que além das barreiras particulares de cada iniciativa privada em função do seu compliance e ESG, temos as barreiras de sustentabilidade, mudanças climáticas, segurança alimentar e agora reputacional. Intangível. Vinculado à percepção de imagem.

E sobre isto vem a carta de Bolsonaro para Biden. A reunião da Cúpula dos Líderes do Clima será agora dias 22 e 23 de abril nos Estados Unidos e Bolsonaro foi convidado. Na carta Bolsonaro afirma estar comprometido com a meta de zerar desmatamento ilegal até 2030. Nessa carta Bolsonaro escreve que temos 60% do território coberto e na Amazônia são 84%. Bolsonaro ainda enfatiza que usamos 46% da energia de fontes renováveis no país.

Fala que objetiva atingir a neutralidade climática até 2060 e que pode antecipar para 2050 dependendo de recursos, dinheiro, que possamos receber. Fala do Plano ABC, como metodologia valorosa de sustentabilidade. E ao final, em síntese, afirma que para alcançar estas metas será necessário recursos vultosos, e políticas públicas abrangentes. E isto obriga-nos a querer contar com todo apoio possível, tanto da comunidade internacional, quanto de governos, do setor privado, da sociedade civil e de todos que comunguem desse objetivo.

A pergunta é: sim a carta só diz verdades, tudo correto o que essa carta registra, mas os gringos vão acreditar? Com uma administração negacionista da pandemia, com apenas 8 países no mundo sem algum tipo de restrição para a entrada de brasileiros, e com discursos agressivos ao longo de dois anos contra a Europa, Estados Unidos e China.

Será que a barreira reputacional oferece credibilidade da atual voz do governo do Brasil sobre a saúde do planeta? Hei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí, como cantou Moacir Franco no Carnaval de 1959. Vai dar não? Você vai ver a tremenda confusão. Pena que a hora não é de Carnaval.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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Ao encerrar os trâmites no Senado neste final de ano, o setor agropecuário não aderiu ao projeto, sob uma correta alegação da “inexistência de métricas científicas confiáveis para mensurar essas emissões”. Mas pergunto, o agronegócio estará fora desse mercado de carbono? Mesmo? Claro que não.
Ontem (25) tive um momento muito rico, participei de um evento com empresários do setor de bioenergia e também com a presença da ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e acabamos vendo o quanto o Brasil ao invés de ter uma postura de ousadia, de protagonismo, perante toda a situação internacional, de carência de alimentos, de necessidade bioenergética, de necessidade deste mundo de já chegou, o futuro já está aqui, terminamos por ficar em uma situação de discutir o que não é importante.
Quando as campanhas para a eleição tomam marcha somos obrigados a trazer a máxima de Sartre que disse: “o inferno são os outros”. Desta forma candidatos tirando o demônio infernal “do outro” o que de verdade existe no seu plano como executivo do maior agro exportador do mundo para sairmos dos atuais cerca de US$ 600 bilhões no montante do antes, dentro e pós-porteira das fazendas, como o Cepea mensura, para um objetivo potencial de negócios chegando no patamar de US$ 1 trilhão e daí para mais?
Estudos do Cepagri/Unicamp e Embrapa no trabalho: “aquecimento global e a nova geografia de produção agrícola no Brasil” estão se materializando. O pesquisador Eduardo Assad registrou no Jornal da Unicamp o seguinte: “infelizmente ainda existem os que acham que somos uma ilha de agroprosperidade em um mundo de invejosos, cresceu muito o negacionismo climático nos últimos 4 anos”.
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