CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - Na guerra das potências o agro brasileiro fora das porteiras é vulnerável

Publicado em 07/01/2026

Divulgação
Valter Casarin, coordenador geral científico do NPV, da ANDA

Com a escalada de zonas de influências e o acirramento dos conflitos o agro brasileiro, que se tornou um gigante do lado de dentro das porteiras, com impactos efetivos na segurança alimentar dos blocos China asiático, Índia, Rússia, leste europeu, Oriente Médio, Europa e continente latino-americano, temos pés frágeis fora da porteira das fazendas, por exemplo, na estrutura logística, cara e não competitiva, e também na importação de fertilizantes.

Os fertilizantes, além de serem fator total crítico de sucesso na produção tropical brasileira, também se relacionam com a qualidade nutricional dos alimentos produzidos. Para trazer essa dependência perigosa brasileira da importação de fertilizantes, convidei o pesquisador Dr. Valter Casarin, coordenador geral científico do Nutrientes para a Vida (NPV) da Associação Nacional para Difusão do Aadubo (ANDA), comentando este momento com Venezuela, custos do petróleo, riscos sobre fertilizantes.

Ele me disse: “Quando algum conflito começa, quando há sanções comerciais ou quando o custo da energia aumenta a produção e o transporte de fertilizantes tendem a ficar mais caros e mais difíceis. A oferta diminui, o preço sobe e o mercado inteiro sente o impacto. Para o Brasil esse efeito é ainda maior, país gigante no agronegócio, mas depende fortemente da importação de fertilizantes, principalmente os que fornecem nitrogênio, fósforo e potássio para as plantas. Atualmente importamos mais de 85% dos fertilizantes usados na agricultura. Essa dependência ainda é mais sensível porque grande parte dos nossos solos, especialmente no Cerrado, é naturalmente pobre em nutrientes e quando os preços sobem o abastecimento é ameaçado toda a cadeia do agronegócio sente os efeitos. Diante deste cenário o Brasil passou a adotar estratégias para reduzir essa vulnerabilidade externa. Uma das principais iniciativas é o Plano Nacional de Fertilizantes que busca diminuir gradualmente a dependência de importações, sendo que o objetivo é reduzir essa importação para 50% do consumo de fertilizantes até 2030. Outro caminho para diminuir essa dependência, o Brasil tem buscado desenvolver e aplicar tecnologias biológicas que usam micro-organismos do solo, como bactérias e fungos, para fornecer nutrientes as plantas em vez do uso de fertilizantes minerais. A indústria brasileira tem procurado, através dessas alternativas, fortalecer a segurança alimentar do país e também do mundo, garantindo que a agricultura brasileira continue produtiva mesmo em um mundo marcado por incertezas geopolíticas”.

O Plano Nacional de Fertilizantes as ações biológicas no solo, como o prêmio Nobel da Agricultura da Drª. Mariângela Hungria onde nutrientes dos solos se conectam totalmente com segurança do agro brasileiro e saúde humana nos alimentos, exige foco e liderança urgente de estado com a sociedade civil organizada. O fora das porteiras das fazendas sendo vulnerável se transforma no maior risco para o êxito e sucesso do que o Brasil realizou nestes últimos 40 anos, um agro tropical solução mundial. Energia, alimento, fibras, meio ambiente para toda faixa tropical planetária.

Parabenizo a ANDA e o programa NPV que conecta a saúde dos solos e plantas com a saúde humana, e do planeta, e também com a segurança de acesso a este insumo essencial, nutrição de solos e plantas tropicais.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

 

Também pode interessar

Entrevistei Marcelo Pimenta, Head de Agronegócio da Serasa Experian, sobre o agrocrédito no evento Agro Evolution na última quarta-feira (22) em São Paulo . Serasa Agro está finalizando um estudo especial da situação gaúcha, muito complexa, e oferecerá esse estudo gratuitamente à sociedade.
Sempre que alguém me diz ser algo impossível, mais eu desconfio da sua total possibilidade. Então aí está. Finalmente uma guerra imprevisível, inimaginada, mas começou. O Le Monde, aqui da França, comenta que de um lado temos o presidente da Ucrânia Zelensky, um ex-comediante inexperiente, e do outro Putin na Rússia, ex-KGB, altamente experiente em repressões e conflitos.
Ouvimos aqui entidades e líderes sérios com dados e fatos nas mãos sobre o assunto do arroz. Aliás, um produto que carece de ações de valorização perante o consumidor, pois ao longo de anos, onde cresce a renda, cai seu consumo.
Na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul, vivemos uma experiência marcante com o evento Connection Terroirs do Brasil, numa realização da Rossi Zorzanello  com o Sebrae. Da quinta-feira até domingo desta semana passada. É de estratégica importância o Brasil assumir esse posicionamento de “terroir” perante o mundo.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite