CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - Retrospectiva Agroconsciente 2025!

Publicado em 29/12/2025

Divulgação
Dois setores terminam o ano de maneira sofrida: arroz e leite.

Tivemos em 2025 setores crescentes, mas dois setores que terminam o ano de maneira muito sofrida: o arroz, que chegou a ser o assunto durante as enchentes do Rio Grande do Sul, se transformou em um produto com os preços inferiores ao custo dos agricultores. E o leite que é uma atividade que envolve mais de um milhão de propriedades no Brasil, fundamentalmente pequenas, muitas delas para o consumo próprio, mas com certeza cerca de 700 mil propriedades conectadas ao mercado do leite e o leite termina o ano com um custo por litro produzido no campo de R$ 2,30 e o preço obtido pelos produtores de R$ 2,08.

Portanto, produzindo com prejuízos, drama muito grande dessa cadeia produtiva que é uma cadeia que serve de maneira popular ao país inteiro. Portanto, leite e arroz dois setores com grande dificuldade neste momento por essa equação de preços e também por não ter um ótimo sistema, ou pelo menos um bom sistema de coordenação das cadeias produtivas.

Tivemos também o tarifaço neste ano que foi uma preocupação gigantesca. Tínhamos receio que isso fosse simplesmente paralisar os mercados internacionais e as relações do Brasil com seus três maiores clientes que é a China, os Estados Unidos e a Europa, mas revelou-se inútil porque, de verdade, a China numa dimensão gigantesca hoje no seu PIB não é mais simplesmente um concorrente dos Estados Unidos como foi no passado a própria União Soviética.

E algo que foi também muito marcante para a retirada desse tarifaço a importância que os suprimentos do Brasil têm para o setor agroindustrial do próprio Estados Unidos e outra coisa que não havia sido percebida pelos estrategistas de Donald Trump que o Brasil se transformou no maior fornecedor de produtos agrícolas para o mercado chinês. Consequentemente a utilização de alimentos como arma de barganha nas guerras comerciais pré-militares não teve eficácia sobre o ponto de vista dos Estados Unidos com a China até porque, por incrível que alguém pudesse imaginar, a China não adquiriu até agora uma saca sequer da soja americana e o Brasil se transformou no grande fornecedor desse gigante de PIB, cerca de US$ 19 trilhões, esse gigantesco PIB que a China se transformou nesses últimos 40 anos.

Então Retrospectiva, a guerra do tarifaço e precisamos ficar de olho em dois segmentos muito sofridos aqui no Brasil, que é o arroz e o leite e que para 2026 possamos ter uma reequação desses dois importantíssimos setores do agronegócio.

Fim de ano chegando e vamos para 2026!

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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