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José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Enquanto a estratégia de vitimização de Trump segue, China compra soja do Brasil

Publicado em 11/04/2025

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Enquanto a estratégia de vitimização de Trump segue, China compra soja do Brasil

De forma atípica o Brasil vendeu 2,4 milhões de toneladas de soja para a China nesta semana. Este volume significou 40 cargas do Brasil na primeira metade da semana considerada pelos especialistas totalmente inusitado, aproveitando ainda os preços da soja brasileira perante a inviabilidade da importação dos Estados Unidos.

A guerra comercial também aumentou as margens dos processadores de soja na China, onde essa conjuntura canalizou para o Brasil as aquisições.

Este cenário tende a elevar áreas no Brasil na próxima safra para soja e milho, onde numa verdadeira guerra nuclear econômica seria líquido e certo assistirmos a elevação dos preços de itens essenciais como o alimento, crescimento da demanda e dos preços dos alimentos.

A China tem a maior suinocultura, avicultura, agricultura do mundo e mais de 1,4 bilhões de população. É a maior consumidora de grãos do planeta, e desde o primeiro governo Trump iniciou um crescimento de suas compras do Brasil, diminuindo Estados Unidos, hoje o maior concorrente brasileiro na agropecuária.

Alguns analistas acreditam que essa estratégia de vendas dos Estados Unidos não passa de barganha com anúncios de caos, depois ventos de calmaria de um país que significa sozinho cerca de 30% da soma total da economia planetária, os Estados Unidos. Seria uma estratégia? Pois criar desconfiança na segurança alimentar de países nunca deu certo a longo prazo.

Porém dependendo da forma como se pode calcular o PIB dos países, alguns estudiosos apontam para o tamanho da China já ter ultrapassado os americanos, e que até 2050 a China, pelos cálculos convencionais, será a primeira economia do planeta, com Estados Unidos em segundo, a Índia em terceiro, a Índonésia em quarto, o Japão em quinto e o Brasil em sexto.

A posição brasileira nessa guerra de egos, eu diria acima de estratégia comercial e ausência total de lucidez desencadeada pelo Trump, precisa ser silenciosa e destinar investimentos para ampliação urgente da infraestrutura e da logística no país. E de concreto, Donald Trump até agora conseguiu mesmo foi superar a audiência do reality show BBB, do Big Brother Brasil, substituído pelo BBT Big Brother Trump.

Saiu botando medo no mundo, mas curiosamente com um discurso de “vitimização” o mundo nos faz mal, somos coitadinhos do planeta. Não tenho dúvida se trata de um esperto vendedor usando seu enorme poder de barganha, gritando, reclamando e chorando se passando por vítima. Um vendedor chorão.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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