CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - “MBAgro avalia como positivo cenário Agro 2025”, Alexandre Mendonça de Barros.

Publicado em 04/12/2024

Divulgação
Tejon com Alexandre Mendonça de Barros da MBAgro.

Estou no Mato Grosso, em seminário de suinocultura, e tenho aqui a presença de um analista econômico admirável, extraordinário, que é o Alexandre Mendonça de Barros da MBAgro. E ele fez uma apresentação, uma grande síntese. Perguntei a ele sobre Trump, sobre o dólar estar R$ 6,00, sobre as carnes, e pedi uma conclusão e uma síntese sobre esses temas. Ele me disse:

“Eu acho que vai nos favorecer muito as políticas do Trump, por quê? Acho que tem três histórias relevantes que ele propõe e os efeitos sobre o Brasil. Sobre a agricultura brasileira, primeiro ele tem uma grande proposta de tributar, aumentar as tarifas de importação de vários países, com destaque para a China. Isso, evidentemente, tem um efeito inflacionário nos Estados Unidos porque os produtos importados vão subir de preço e por isso que a taxa de juro futura nos EUA voltou a subir. Por outro lado, ele também propõe diminuir o número de imigrantes entrando nos Estados Unidos. Na verdade, eventualmente, ele vai tirar imigrantes nos Estados Unidos para fora. Isso tem um efeito de aquecer o mercado de trabalho, é mais escassa a oferta de trabalho, o salário sobe, o consumo aumenta, mas tem outro efeito relevante, de um grande concorrente brasileiro, que é a dificuldade em várias operações agrícolas que dependem do imigrante, abate de bovinos, abate de suínos, de frango, todas essas plantas são tocadas por imigrantes, basicamente, então tem um duplo efeito de também puxar a inflação, mas, ao mesmo tempo, criar restrições de oferta nos EUA por falta de mão de obra. E por fim a proposta de redução de impostos que ele vem fazendo também acaba elevando a taxa de juro americana, porque o governo americano vai ter de se financiar mais no mercado. Essas três coisas em conjunto fortalecem o dólar. Isso já é uma grande vantagem para nós que exportamos em reais e os produtos nossos cotados em dólar ajuda a aumentar o nosso preço em real.”

Ou seja, para quem está vendendo está ótimo. Precisa fazer as contas do custo. A visão do cenário que Alexandre Mendonça de Barros nos traz é um cenário de crescimento e desenvolvimento para o país. E Alexandre conclui:

“Exatamente, nós fazemos uma conta de renda bruta da agropecuária. Pega o que esperamos que será colhido, com os preços esperados, e em termos reais, descontado a inflação, nos dois últimos anos nós vimos uma queda na renda bruta da agropecuária porque os preços caíram muito, houve quebra de safras importantes esse ano. Nós estamos estimando um aumento de 10% na renda real e eu acho que esse número pode ficar maior em decorrência da guerra comercial, por quê? Porque provavelmente os chineses vão retaliar os americanos também elevando os seus impostos sobre as importações de produtos agrícolas americanos. Já começamos a ver alguns preços no mercado brasileiro refletirem um pouco isso, por exemplo, se for vender soja para março, nos dois últimos anos os prêmios, ou seja, a diferença entre o preço pago do Brasil, equivalente ao que seria em Chicago foram negativos porque houve uma questão logística muito pesada, filas, navios demoravam para embarcar, etc, então tinha um desconto. Nós estamos vendo um prêmio positivo, ou seja, o mercado está dizendo: Ó, eu vou pagar um prêmio para vender a soja brasileira. Na minha opinião já é o chinês antecipando uma eventual guerra comercial que vem pela frente”.

Ou seja, significa que a situação do agro está mais para positiva do que para temerária. Então viva esse Brasilzão!

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

 

 

 

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