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DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Ministro Fávaro fala do apoio ao cooperativismo na reunião Cosag-Fiesp

Publicado em 07/02/2024

Divulgação
Carlos Fávaro, ministro da Agricultura.

Conversei com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, durante a reunião Cosag-Fiesp e perguntei a ele sobre o suporte ao cooperativismo. Ele respondeu: “Estamos em um momento muito especial. Temos de lembrar que no Brasil hoje nós temos mais de 20 milhões de pessoas associadas ao cooperativismo. E é um sistema tão interessante aonde pequenos e médios, de qualquer atividade econômica, têm a oportunidade de ganhar escala através do cooperativismo, comprando junto, vendendo junto, e fazendo trabalhos associativistas e ganhando escala. Então, o primeiro passo exige que a cooperativa dê resultado em escala e eficiência e o segundo também exige que essa empresa cooperativa seja bem gerida, dê lucro e depois dividendos. Olha que de um lado ele exige que venda mais barato para ele, mas depois dê lucro e resultado. E o cooperativismo consegue fazer isso. Então é um sistema de inclusão social econômica, muito bem visto pelo governo do presidente Lula. Como nós podemos então estimular para que esse sistema cresça? Porque quando uma instituição financeira ou uma empresa quer alcançar aporte de capital faz um IPO em bolsa, usa de mecanismos e mercados para que ela possa se capitalizar e crescer o seu negócio. No cooperativismo não tem isso, porque não tem como fazer um IPO do associado. A forma que tem é o cooperado colocar recursos na sua cota capital. Muitas vezes ele não tem. Por isso então é um problema que já existia, mas nós estamos ampliando de forma significativa, financiar aos associados das cooperativas o momento da sua cota capital, com prazo de 12 anos para os associados do Sul e Sudeste do país e 15 anos para o do Norte e Nordeste. Estimular essa cultura que já existe no Sul e Sudeste para que chegue também o cooperativismo no Norte e Nordeste do Brasil.Juros de 0,8% ao ano e o limite que era 60 mil foi para 100 mil reais para aquisição, se não me engano todo ano, ou a cada dois anos ele pode buscar recursos para aumentar a sua capitalização. São 2 bilhões a mais do que já tinha disponível. Então, se não me engano, tinha praticamente 2 bilhões e agora 4 bilhões de reais. Isso dá uma alavancagem do sistema cooperativista brasileiro da ordem de aproximadamente 35 a 40 bilhões de reais só no ano de 2024”.

Perguntei ao ministro também se vamos fazer algo com os 40 milhões de pastagens degradadas e ele disse:

“É uma grande oportunidade e a grande vocação brasileira, se consolidou na capacidade de homens e mulheres e de tecnologia para incrementar áreas produtivas. Fizemos a incorporação de 40 milhões de hectares nos últimos 50 anos, mas com tecnologia dominada, com conhecimento e apoio governamental é possível que essa incorporação acontece nos próximos 10 ou 15 anos, com duas diferenças: primeiro não sobre a floresta, sobre pastagens degradadas e, segundo, vocacionada à produção sustentável, com certificação, com garantia de boas práticas ambientais e sociais. Isso vai nos abrir mercado e garantir competitividade aos produtores brasileiros”.

E uma boa imagem internacional, com certeza!

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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