CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Rússia quer ser a maior potência agroalimentar anexando a Ucrânia

Publicado em 04/03/2022

TCA
agricultura europeia

No FAM Food & Agribusiness Management, Master Science da Audencia Business School, com Fecap Brasil, ao lado de estudantes internacionais, estamos no meio da grave crise da guerra. Ontem um pianista tocou "Imagine" e "Let it be" na fila dos refugiados da Ucrânia. Pode incluir all you need is love dos Beatles, tudo a ver nesta hora também. Rússia vir a ser a maior potência agroalimentar do mundo é um dos objetivos desta guerra.

A Rússia é o maior exportador de trigo do planeta. Donbass, na Ucrânia já sob domínio russo nesta guerra fratricida, além de uma realidade na produção de cereais, maior do mundo em óleo de girassol, é ao lado da Ucrânia um solo perfeito, fertilíssimo, plano, para compor com a Rússia a estratégia de um gigantesco poderio agroalimentar, compondo ao lado da sua supremacia em petróleo, gás e minérios, uma das armas mais poderosas na disputa pelo poder militar e estratégico do planeta.

Estas visões estão sendo aqui debatidas na França, com as seguintes autocríticas da Europa a ela mesma sobre o ponto de vista dos alimentos e da sua segurança.

Primeiro, desativou sua política protecionista agrícola ao longo de anos a favor da paz internacional.

Segundo, a agricultura europeia não tem progredido na sua produtividade. Da mesma forma consideram os europeus que a guerra Rússia e Ucrânia deverá diminuir o discurso climático e apontar a curto prazo para produção e o fator ambiental ser uma bússola de longo prazo, e agora o foco voltaria a ser produtividade e produção agrícola.

Terceiro ponto, agricultura é considerada aqui um setor maior. Vital na economia, na humanidade, no meio ambiente e na estratégia. Renovar as gerações agrícolas passa a ser fundamental na França. E sobre isso no salão de agricultura de Paris, o fator mais surpreendente, o grande centro das atrações está na presença da mulher produtora francesa, significando já 25% das fazendas sob responsabilidade delas. Na França nos últimos 10 anos cerca de 100 mil propriedades rurais desapareceram.

A guerra Rússia Ucrânia reacendeu a política agrícola competitiva europeia e iremos ver busca de autossuficiência. Para o Brasil, há uma oportunidade monumental. Se nos posicionarmos como país da paz, confiável no comércio e criarmos um plano estratégico buscando 500 milhões de toneladas de grãos nos próximos 8 anos, além de autossuficiência no trigo, seremos nós, o Brasil de fato a maior potência agroalimentar do mundo e, além disso, também agroambiental, e junto disso tido agroindustrial no antes e pós porteira das fazendas.

Temos tudo aqui, ciência, tecnologia, recursos humanos, terras agricultáveis sem cortar uma árvore, e ótimas escolas a disposição, para mais educação. Tudo pode dar certo se não nos faltar, a razão. E o planeta todo irá agradecer. Que está guerra termine imediatamente.

Au revoir Eldorado, Brasil!

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Concordo totalmente com o que ouvi de Carlos Goulart - Diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas do MAPA, sobre a polêmica, a polarização que passamos a ter colocando de um lado parte dos produtores rurais e do outro a indústria da genética e defensivos. “O que imaginamos seria cada vez um calendário mais preciso e menor, porém cabe a cada região do país ao lado da Embrapa, definir e determinar o que está certo para o bem da cultura, e avaliar os impactos da soja sobre outras cadeias produtivas, uma guerra entre semente, químicos e produtores precisa ser resolvida dentro do setor, essa é a nossa posição“. Assim se posiciona O diretor da Defesa Vegetal do MAPA.
Por mais bem criada que possa ser uma campanha de comunicação de longo prazo, enfatizando e criando as justas percepções sobre o agro regenerativo do país, sustentável, os pingos sujos pingados na água limpa, pelos criminosos, irão turvar essa boa imagem.
Para dançar La Bamba, expressão popular, tem que ser bom no que faz, expressão popular também brasileira, de Martinho da Vila “na minha casa todo mundo é bamba...” ou dos Novos Baianos “Batucada de bamba na cadência bonita do samba…”. Mas o ritmo mexicano, vamos lá dançar. Números previstos muito diferentes para a safra de grãos. Será menor do que 2022/23, mas quanto?
Dando sequência ouvindo líderes aqui no Agroconsciente, pedimos para eles nos enviarem quais são seus cinco pontos sagrados que precisam, obrigatoriamente, constar dos planos dos próximos governos, tanto numa esfera nacional quanto estadual.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite