CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Sem regência sinfonia vira cacofonia

Publicado em 18/10/2021

Divulgação
Maestro João Carlos Martins

Agronegócio é uma orquestra à espera de regente. Me lembro do amigo, meu herói, maestro João Carlos Martins. Considerado o maior intérprete de Bach do século XX. De pianista com mais de 60 anos se transformou em maestro. No agro temos muitos pianistas, flautistas, violinistas, pratistas, instrumentistas, mas precisamos regentes. Por que o 4º maior produtor agropecuário do mundo, tem brasileiros passando fome?

Por que o agronegócio é como uma orquestra com múltiplos instrumentos, sem regência não da sinfonia, vira cacofonia. Você tem músicos e instrumentos abundantes, mas eles não conversam entre si. Tenho recebido perguntas de várias partes do mundo, inclusive de ex-alunos das minhas aulas internacionais na França, bem como de parte de líderes do agronegócio nos grupos das redes que participamos no Brasil com essa indignação.

Nos grupos também se alteram as propostas de soluções: “o estado e a sociedade devem corrigir esses males nada a ver com produtores”. Outras colocações dentro dos próprios grupos do agro refletem a necessidade de um Planejamento Estratégico, Nilson Leitão, presidente do IPA, Instituto Pensar Agro que reúne praticamente todas as entidades ativas do agro, diz: “nosso Brasil tem 5,5 milhões de proprietários rurais onde praticamente 4,5 milhões vivem com renda familiar entre bolsa família a 2 mil reais a média. Há muito o que fazer. O Brasil perde tempo discutindo eleições.” Bravo!

Mais colocações surgem. “Temos cerca de 60 mil pessoas na cidade de São Paulo em estado de miséria absoluta e fome , é inaceitável.” Enfim as lideranças do agronegócio brasileiro compreendem que podemos ampliar ainda mais a produção de alimentos, incorporando mais 4 milhões de produtores rurais na produção e oferta. Uma política de crescimento econômico que terá reflexos na indústria, comércio e serviços com emprego e renda.

Podemos gerar excedentes, armazenar e trazer de novo a Conab, Companhia Nacional de Abastecimento para um novo protagonismo e coordenação de um planejamento estratégico da oferta de derivados da agropecuária, tanto para os mercados quanto para ações emergenciais de filantropia. Necessariamente o estado junto com a sociedade e sem misturar mercado com filantropia ativa.

Então um dos líderes acrescentou: “regência exige o maestro, lideranças”. Exatamente. Precisamos urgente e emergencialmente da reunião de lideranças para um planejamento estratégico do agronegócio brasileiro. Desde os insumos, tecnologias que antecedem a produção agropecuária, a segurança dos produtores de todos os portes, investimentos na infraestrutura e política agroindustrial fundamental. E relacionar tudo isso com o crescimento do PIB do país. Enquanto isso, emergência, não permitir que nenhum brasileiro passe fome. Questão de honra, moral e valores da dignidade. Fraternal.

Agronegócio é uma montadora agrotecnológica de sustentabilidade intensiva. Uma orquestra à procura de regentes. Não creio num só, mas sim numa consciência dos que dirigem entidades e as confederações nacionais empresariais. Todas elas. Mais do que um sonho, uma obrigação e um dever. Podemos registrar iniciativas da sociedade como o agro fraterno, do sistema CNA/Senar, pela OCB e entidades do IPA, já distribuíram mais de 500 toneladas de alimentos.

Mas sem dúvida está na hora de uma regência estratégica do agro como estado, em todos os sentidos. Ou então, vamos chamar meu amigo e herói João Carlos Martins, o grande maestro melhor intérprete de Bach do século XX. Quem sabe umas aulas de regência nos estão fazendo falta?

José Luiz Tejon para Eldorado/Estadão.

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