CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Brasil pode em até 7 meses ter independência na vacina Covid-19 a partir da indústria da saúde animal

Publicado em 26/03/2021

gratispng.com
Produção de vacinas contra a Covid-19

Conversei com três fontes legítimas a respeito dessa revelação fundamental para o país em meio a esta crise pandêmica. A primeira fonte foi Emílio Salani, vice-presidente executivo do Sindicato da Indústria Nacional de Produtos para a Saúde Animal (Sindan). Sim, temos em elevado estado de qualidade 4 unidades industriais no Brasil, que hoje produzem vacinas contra febre aftosa, que podem ser adaptadas em velocidade para produção a partir de vacinas inativadas. E teremos o IFA, princípio ativo, nos tornando independentes desse insumo externo. Essas plantas são: Ceva, Merck Sharp and Dohme (MSD) em Montes Claros (MG), ex-Vallee; Ouro Fino, em Ribeirão Preto; Boehringer. No próximo dia 29 de março, segunda feira, o Emílio Salani estará apresentando tudo isto ao senado brasileiro.

A outra fonte foi o Gubio de Almeida que atuou como diretor de operações por 19 anos da MSD e hoje dirige a consultoria GJ Estratégia de Negócios. Da mesma forma esse especialista me relembrou que os maiores laboratórios da saúde humana no mundo são também organizações da saúde animal, como a própria MSD. Gubio também adicionou que hoje a empresa brasileira que está negociando para fazer a vacina Sputinik no Brasil, a União Química, tem um braço na saúde animal, a Agener União. Segundo Gubio precisaremos ao lado da Anvisa acertar aspectos regulatórios e protocolos, mas da mesma forma considera totalmente viável e desejável essa hipótese.

E a terceira fonte é o Sebastião da Costa Guedes, membro da Academia Brasileira da Medicina Veterinária, membro do grupo internacional da erradicação da aftosa, também ex-presidente da Bayer, divisão animal, e foi vice-presidente do Sindan. Sebastião acredita que em 90 dias poderíamos, sim, ter as melhores plantas industriais que fazem vacinas de altíssima biossegurança, em quantidade expressiva e com protocolos internacionais, pois a carne para ser exportada segue protocolos de alta exigência na vacinação. Da mesma forma Sebastião adiciona a logística, e a cadeia do frio para levar vacinas aos pontos mais distantes do Brasil.

O professor dr. Joaquim Machado, geneticista na Unicamp, também considera factível essa ideia. Antes tarde do que nunc . Fica a pergunta: por que só lembramos isso? Um ano depois do início da pandemia no Brasil? Como sempre, as palavras de Winston Churchill na 2ª guerra mundial enfrentando o avanço nazista dizia: “nunca tantos deveram tanto a tão poucos”.

Emílio Salani me explicou que o assunto iniciou com o Ministério da Agricultura levantando a possibilidade por conhecer o estado elevado da competência instalada no Brasil de produzir vacinas, devemos registrar a ministra Tereza Cristina. O outro estímulo veio do senador Wellington Fagundes PL, Mato Grosso, médico veterinário com experiência no enfrentamento de doenças na pecuária. E o Instituto Butantã tem participado destes contatos iniciais com o setor da indústria da saúde animal.

Na previsão dos especialistas poderíamos a partir de 7 meses iniciar a produção nacional, com o princípio ativo ifa, para 400 milhões de unidades e, principalmente, não irá terminar nunca esse processo. Precisaremos continuar pesquisando e aperfeiçoando as vacinas para 2022, 23, etc, assim como no combate a outras doenças que têm ciclos de vacinações anuais.

Dessa forma, saúde humana e animal, vegetal e ambiental, viveremos cada vez mais uma só saúde. A necessidade é a mãe da criatividade e precisa de velocidad . Que a partir deste 29/3 possamos salvar vidas de brasileiros e do mundo, a partir do Brasil. Seria uma grande virada. Temos tecnologia e know how no país e podemos fazer, e tem gente valorosa mostrando como fazer.

José Luiz Tejon, Agroconsciente, para a Rádio Eldorado.

 

Também pode interessar

A Barreira de imagem é e será o maior desafio do agronegócio brasileiro. A velha expressão, falem bem ou mal mas falem de mim, é coisa ultrapassada. A pandemia colocou como fator vital, fundamental, doravante, a confiança.
Com agricultura na metrópole de São Paulo será possível frear o aquecimento da temperatura que subiu 1 grau centígrado de 1985 a 2019 e diminuir 0,2 grau em relação a 2019. 
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) anunciou o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos. Teve origem num decreto de 2011, de Nº 7.623 que regulamenta a Lei 12.097, de 24 de novembro de 2009. Portanto, tema já de longa data nas discussões. Significa um programa de rastreabilidade dos animais ao longo dos próximos 7 anos. A adesão será obrigatória.
Câmbio favorável para exportar, e os clientes chineses, norte-americanos e egípcios querendo comprar carne e a carne bovina bate recorde. Em 23 dias, mês de agosto, batemos recorde de exportação da carne bovina, mais de 203 mil toneladas no mês.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite