CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - “4,5 milhões de agricultores famintos!”

Publicado em 13/06/2022

Divulgação
Alysson Paolinelli

Quem disse isso? Na minha opinião um dos maiores sábios lúcidos do agro brasileiro vivo: Alysson Paolinelli, candidato ao Nobel da Paz, um daqueles que se enquadrariam na expressão do Churchill, na 2ª guerra mundial: “nunca tantos deveram tanto a tão poucos”.

Estatísticas recentes revelaram o crescimento da fome no Brasil, ameaçando 33 milhões de brasileiros e colocando em insegurança alimentar 58% da população, enquanto chegaremos a 271,3 milhões de toneladas de grãos, um recorde, porém abaixo das previsões iniciais de 290 milhões, e da necessidade mínima de 300 milhões de toneladas como pede o também ex-ministro Roberto Rodrigues (Estadão de 12/6/2022).

Alysson Paolinelli falando para as cooperativas do Brasil no encontro Top Coopers da Mundocoop disse: “o censo agrícola de 2017 foi cruel. Por um lado revelou um agro pujante, que cresceu graças a tecnologia, relembrando Embrapa e Embrater, e esforços da assistência técnica, mas que envolveu apenas 842 mil propriedades. Por outro lado temos 4,5 milhões de pequenas propriedades rurais sem tecnologia, fazendo subsistência, extrativismo puro, em bolsões de miséria, vivendo com renda equivalente a 2/3 do salário mínimo mensal.

E Alysson enfatiza: “esta é a maior ferida dolorosa do Brasil hoje, reunindo cerca de 20 milhões de brasileiros na miséria de um campo fora do mercado, da tecnologia e da renda. São famintos”.

Portanto, se a fotografia trazida pelo ex-ministro Alysson Paolinelli é também cruel, ela também nos serve de esperança, pois temos condições se unirmos as lideranças num foco construtivo do país de, ao lado do cooperativismo com educação e assistência técnica, com integração de valor, ciência, dignidade de vida e potenciais gigantescos de mercados desde o “A” do abacate ao “Z” do zebu, podemos ao mesmo tempo exterminar a fome de 33 millhões de brasileiros enquanto colocamos na produção de alimentos, fibras, energia, trabalho e suas cadeias produtivas outros 20 milhões dentro das 4,5 milhões de propriedades fora dos mercados, onde o sofrimento se espraia e o crime se organiza.

Vale cobrar onde anda o programa Alimenta Brasil e o PAA - Programa de Aquisição da Agricultura Familiar, que era coordenado pela Conab? Sumiu? As cooperativas são um caminho seguro, certo e capaz para transformar esse grave problema numa bela solução rural, urbana, nacional. Reunindo pequenos, médios e grandes produtores, empreendedores, indústrias, comércio e serviços, toda a sociedade civil organizada, juntos, pois isto sim é agroconsciente.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

 

Também pode interessar

Estamos aqui na abertura do 9º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA), no Transamérica Expocenter, em São Paulo, um evento que está em sua 9ª edição, grande, com a presença de mais de 2 mil mulheres presenciais do agro e o tema desse congresso este ano é “Mulher Agrobrasileira, voz para o mundo”, ou seja, a necessidade do Brasil conversar, dialogar com o planeta inteiro porque nós temos clientes hoje no mundo todo e não somos muito bem sucedidos na arte da comunicação e do diálogo.
Retenciones, impostos, para todo agro. Taxa universal de 15% sobre toda exportação e na soja mantidos os 33%. Essa decisão desagradou profundamente as lideranças agro da Argentina que afirmaram: “tínhamos expectativas e agora é incerteza”, disse Carlos Achetoni  chefe da Federação Agrária Argentina.
O Jornal da Eldorado recebe hoje (6) Luiz Carlos Corrêa Carvalho, o Caio, que retorna à presidência da Associação Brasileira de Agronegócio (ABAG) a partir de janeiro de 2022, e que já foi presidente da entidade de 2012 a 2018. Caio é especialista no mundo da bioenergia, bioetanol, formado na Esalq e diretor da Coplana.
Um destaque interessante foi a performance das mulheres na Olimpíada de Paris, onde os três ouros brasileiros são femininos (4 mulheres:  Beatriz Souza, Rebeca Andrade, e Duda/Ana - vôlei de praia) e 60% de todas as medalhas também mulheres. Nos Estados Unidos 26 das 40 medalhas de ouro também do feminino, 65% mulheres.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite