CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Alimento E energia E meio ambiente E cooperativismo

Publicado em 13/11/2023

Divulgação
Conferência das Partes - Cop-28

O Brasil aprendeu a ser o país do E muito mais do que do OU. E aprendemos isso graças as nossas próprias condições muito difíceis tropicais, onde as práticas consagradas da agricultura de clima temperado não funcionam. Dessa forma desenvolvemos o Açúcar E o Etanol, e agora também E o biometano E eletricidade, e vem por aí só para ficarmos no ramo da cana-de-açúcar E derivados de 2ª geração para a saúde humana.

Relembro isso pois a Cop-28 Conferência das Partes será de 30 de novembro a 12 de dezembro deste ano em Dubai. E como Roberto Rodrigues enfatizou no seu texto deste domingo no Estadão: “temos de estar atentos para a impressão de que a transição energética vai demorar mais do que se previa”. Ou seja, países totalmente dependentes da energia fóssil, como o próprio país que sedia a Cop-28, Dubai nos Emirados Árabes, poderiam passar uma percepção de que a transição energética do mundo não será na velocidade prevista e necessária, e isso terminaria por postergar esse diálogo para mudanças de uso da terra, mais rápido e barato, porém aumentaria a desigualdade entre ricos e pobres e, sem dúvida, atrasaria o potencial de extraordinário crescimento do PIB do Brasil nos próximos 15 anos.

Na Cop-28 há uma expectativa da conclusão do globalstock-take, permitindo negociações para manter a temperatura do planeta no limite de elevação de     1.5º C até o final deste século. E também esperaríamos pelos famosos US$ 100 bilhões prometidos pelos países ricos para suportar investimentos nos países em desenvolvimento.

O aspecto clima, meio ambiente e a filosofia do E muito acima da polarização do Ou este Ou aquele, Ou alimento Ou energia, tem na experiência brasileira o único país no cinturão tropical do mundo que de verdade fez uma revolução criativa agrosistêmica onde reunimos e integramos alimentos + energia + meio ambiente, e o único lugar do mundo que pode crescer a curtíssimo prazo coordenando todos esses fatores.

No Brasil não iremos substituir uma cadeia produtiva pela outra. Ao contrário, faremos com que uma cadeia produtiva apoie e dê maior consistência à outra, como no ótimo exemplo de integração lavoura pecuária e florestas; e no café com leite; e na soja, milho e algodão, na rotação de culturas, e na proteína animal com grãos e biogás, e tudo isso com o plano de adicionar mais 40 milhões de há de áreas de pastos degradados, sem cortar uma só árvore, ao contrário plantando árvores.

Não temos tempo para perder tempo. Por outro lado cessar o desmatamento da Amazônia é vital para o progresso econômico e social da vida naquele bioma e para isso temos projetos, ações e exemplos reais já em andamento viabilizando o ser humano com a natureza e elevação dos padrões econômicos para sua dignidade de vida.

Daqui pra frente escolha a conjunção E muito mais E muito melhor do que a Outra, do atraso polarizado “OU”... Que a delegação brasileira nos una a todos, e reúna o mundo todo na vitória do E sobre o OU.

E alimento, E energia, E meio ambiente E dignidade humana, na inclusão de mais de 1 milhão de famílias agrícolas no cooperativismo. E velocidade. A transição energética não pode demorar mais do que se previa. E biodiesel, e biogás, e eólica, e fotovoltaica. E, é claro, saúde com mais Etanol num híbrido gerando também o veículo elétrico limpo e renovável.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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