CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - De quantos “Agronegócios” o Brasil precisará para criar a consciência da convergência?

Publicado em 09/04/2021

Divulgação
Cúpula do Clima - Cop 26

290 organizações e entidades, a Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura enviou carta ao governo pedindo metas ambiciosas em relação ao meio ambiente e com enfrentamento decisivo sobre o desmatamento.

São seis medidas explicitadas na carta que o Grupo Estado teve acesso exclusivo:

Ação 1 - Retomada e intensificação da fiscalização, com rápida e exemplar responsabilização pelos ilícitos ambientais identificados.

Ação 2 - Finalizar a implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), e suspender registros que incidem sobre florestas públicas promovendo responsabilização por eventuais desmatamentos ilegais.

Ação 3 - Destinação de 10 milhões de hectares à proteção e uso sustentável. Para áreas onde está ocorrendo um forte desmatamento.

Ação 4 - Concessão de financiamento sob critérios socioambientais.

Ação 5 - Total transparência e eficiência às autorizações de supressão da vegetação. Significa deixar claro o que é legal e o que é ilegal.

Ação 6 - Suspensão de todos os processos de regularização fundiária de imóveis com desmatamento após julho de 2008.

A Cúpula do Clima está marcada para os dias 22 e 23 de abril, organizada pelo governo norte americano e o presidente da república do Brasil está convidado. Entre 2004 e 2012 o Brasil foi campeão mundial de redução de gases efeito estufa, reduzindo em 80% o desmatamento.

O mundo se transforma numa coisa só, como cantou John Lennon em Imagine (“And the world will be as one”...). Podemos ver isso na solução da Covid-19, não tem saída de um país sem o outro, e da mesma forma na saúde do planeta. Por isso temos na riqueza amazônica e de outros biomas muito mais uma gigantesca oportunidade de crescimento do PIB do país, do que um obstáculo.

Os estudos científicos mostram que 2/3 das emissões de gases efeito estufa do Brasil são originados do setor uso da terra, e isoladamente o desmatamento significa 40% das emissões brasileiras.

Assinam a carta entidades como ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio, ABIA – Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, ABIEC – Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, ABIOVE – Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais, AMA Brasil – Associação dos Misturadores de Adubo; Basf, Bayer, Bradesco, banco Alfa, BRF, BTG Pactual, Cargill, Carrefour, CHS do Brasil, Cítrus Br, Danone, FIA, Gerdau, Boticário, GTPS, IBA, Insper, Natura, Nestlé, Pensa-FIA, Rabobank, Rumo, Santander, Suzano, Unilever e diversas entidades, institutos, empresários.

Então aí está um corpo do agribusiness com ênfase no setor do pós porteira das fazendas. O pessoal que tem que vender para o mundo e algumas empresas rurais também. E existem vários outros Agronegócios, de uns que não gostam desse pessoal da coalizão, existem outros que consideram o simples termo agronegócio como não os representando, pois são os da agricultura familiar. Existe um universo de cerca de quatro milhões de propriedades rurais que nem adubo usam, sem acesso a tecnologias e mercados. Tem ainda um gigantesco número de milhares de assentados de reformas agrárias sem título de terra, são os nem agronegócio, nem propriedade e nem nada.

E se mesmo assim conseguimos chegar onde chegamos, crescemos e onde atuamos somos admirados e respeitados, imagine se reuníssemos os pontos convergentes de tudo isso e criássemos um planejamento estratégico e uma governança nacional? Sem dúvida alguma teríamos como meta dobrar o tamanho do PIB do agro em 10 anos, e essa seria a única fórmula de elevar o PIB do país para números decentes e dignos, com no mínimo US$ 5 trilhões até 2030. Aí, sim, daria até para pagar a conta de muita gente que odeia a ideia da reforma administrativa, e consequentemente tributária.

Agronegócio é a consciência da convergência.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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Quem disse isso? Na minha opinião um dos maiores sábios lúcidos do agro brasileiro vivo: Alysson Paolinelli, candidato ao Nobel da Paz, um daqueles que se enquadrariam na expressão do Churchill, na 2ª guerra mundial: “nunca tantos deveram tanto a tão poucos”.
Câmbio favorável para exportar, e os clientes chineses, norte-americanos e egípcios querendo comprar carne e a carne bovina bate recorde. Em 23 dias, mês de agosto, batemos recorde de exportação da carne bovina, mais de 203 mil toneladas no mês.
Eu estou aqui na Cooperativa Primato, com o seu presidente Anderson Sabadin, realizando um fato histórico fundamental para esse novo agro do ponto de vista da bioenergia, da agroenergia, e do mundo do biogás, que vai movimentar a proteína animal e que vai também ser fundamental para a saúde ambiental.
No debate dos presidenciáveis muito se falou da fome, do desemprego e do crescimento do país, e ninguém explicou o papel do agronegócio nisso, nem o mencionou num projeto de governo.
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