CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Deu o óbvio: acordo UE Mercosul.

Publicado em 09/12/2024

Divulgação
Acordo União Europeia & Mercosul

Negócios, negócios e acordo União Europeia & Mercosul faz parte. Assim comemorou a presidente da Comissão Europeia, Ursula Van der Leyen, em Montevidéu, Uruguai. Há semanas registramos que o acordo UE & Mercosul seria inevitável, óbvio, e que iria acontecer logo.

Por que disse óbvio? Simples, os países desenvolvidos europeus têm nos setores industriais, comerciais e de serviços mais de 95% do seu Produto Interno Bruto (PIB). Por outro lado, esses setores precisam crescer e continuar se desenvolvendo e para isso precisam competir e fazer negócios nos grandes mercados crescentes em população e renda como toda a Ásia. Também precisam buscar mais negócios na América Latina. Logo, por um lado o acordo será fundamental para setores europeus exportadores da ciência, tecnologia e agregação de valor da indústria, comércio e serviços da Europa na busca por mais vendas, mais negócios.

E por que a originação de produtos agrícolas e da proteína animal do Mercosul são importantes para a Europa? Óbvio. Os suprimentos brasileiros, por exemplo, têm custos imbatíveis competitivos, têm qualidade assegurada e feitos dentro de todas as normas exigidas pelos importadores. Logo significa para o setor pós-porteira das fazendas europeus uma fonte espetacular de milho, soja, arroz, feijão, produtos florestais, cacau, açúcar, etanol, sucos, frutas, café, amendoim, algodão, suínos, aves, carne bovina, pescados, lácteos, enfim, o Brasil o maior e melhor fornecedor de alimentos, energia, fibras e conhecedor de um agro tropical sócio-ambiental, do A do abacate ao Z do zebu, incluindo seu cooperativismo. Brasil e Mercosul são extraordinários no “supply chain” do complexo agroindustrial europeu que precisa ir vender muito mais na China, Indonésia, Índia, Ásia, Oriente Médio, África e América Latina, e para isso precisa vitalmente de originação de matérias-primas em alta escala, ótimas e baratas.

Europa compete com Brasil? Sim, assim como os Estados Unidos. São clientes e concorrentes. O acordo será bom para a agricultura brasileira? Sim. Desburocratização, abertura de mercados e negociações.

Qual o alerta? Para o setor industrial brasileiro, tanto do antes como do pós-porteira das fazendas, a indústria brasileira das sementes, fertilizantes, veterinária, mecanização, digitalização, chips, bioinsumos, irrigação, nutrientes, etc, precisa ao lado da Embrapa desenvolver segurança científica tecnológica no país e também exportar conhecimento. A indústria pós-porteira das fazendas precisa gerar valor agregado nas matérias primas e obter muito mais renda com os mesmos volumes de produtos agropecuários. A indústria brasileira de alimentação e bebida, dados da Abia, é a maior vendedora de alimentos industrializados do mundo, em volume, porém perdemos feio quando comparamos em valor moeda, pois não temos agregação de valor, marcas e marketing.

O acordo ainda passará por comissões, discussões e, principalmente, por uma resposta: “qual será a fórmula para proteger e preservar a categoria dos agricultores europeus, objetivando muito mais uma questão de segurança interna básica alimentar de suas nações do que, de verdade, para uma competição olímpica mundial, nesse campo da agricultura e pecuária?”.  Agricultura na Europa desenvolvimento e valor dos seus “terroir”, muito além de mirar competir com a escalabilidade brasileira.

Como dizia o ex-ministro e líder brasileiro Alysson Paolinelli: “a agricultura de clima temperado trouxe o mundo até aqui, mas será a tropical que levará o mundo daqui pra frente”.

Deu o óbvio: negócios, negócios e acordos fazem parte, e, também, cada vez mais: negócios, negócios e ideologias à parte!

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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