CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Falta de plano estruturado de ação joga supersafra no “chão” e impossibilita dobrar o agro de tamanho rumo ao US$ 1 trilhão

Publicado em 06/11/2023

Divulgação
Silos bag conseguem guardar soja e milho literalmente no chão.

A opinião do Estadão de domingo (5) assinalou: “o lado B da supersafra: déficit na infraestrutura de armazenagem desperdiça boa parte da colheita nacional”. E contando com os silos bag, ainda conseguimos guardar soja e milho literalmente no “chão”, numa solução criativa de produtores, cerealistas e cooperativas.

A Conab estima em 317,15 milhões de toneladas a safra no período 2023/24. O que parece grande, e tem méritos, sem dúvida, mas só para termos uma ideia comparativa, o milho deve superar nos Estados Unidos a marca de 380 milhões de toneladas. Ou seja, só o milho norte-americano é muito maior do que todos os nossos grãos. Isso significa que temos muito para cre scer e iremos, porém o risco da supersafra sem planejamento estruturado cai exclusivamente nas costas dos agricultores brasileiros. Não só pelo déficit de armazenagem com seu notório desperdício, mas pelo impacto nos preços recebidos, menores do que no exterior em função da pressão desordenada de oferta e vendas. Todos ao mesmo tempo.

Por isso um enorme mérito para eles, porém uma pesada crítica ao sistema inteiro do agronegócio que não se articula para os planos com ações estratégicas e estruturantes objetivando dobrar o agro de tamanho, dos atuais cerca de US$ 500 bilhões na soma total das suas cadeias produtivas para a meta do US$ 1 trilhão.

O planejamento estruturado para o dentro da porteira das fazendas, dando segurança ao produtor, exige armazenagem, seguro, informação precisa de microclima, irrigação, insumos vitais pesquisados e em percentual de risco analisado, industrializado e viabilizado no país, acesso ao capital e agregação de valor através de iniciativas privadas e cooperativas e tudo isso com plano logístico, de vendas e acesso a clientes e mercados com a justa embalagem de um agro tropical único em poder de fotossíntese saudável, sustentável com uma justa percepção e imagem.

Temos enfatizado aqui o dever de um planejamento estratégico do sistema agroindustrial brasileiro, com necessária participação dos setores do comércio, serviços e indústria, ao lado dos produtores rurais, suas cooperativas, da pesquisa brasileira e nossa academia.

Não temos mais tempo para perder tempo. Os 40 milhões de hectares de pastagens degradadas, plano do Ministério da Agricultura a ser adicionado no Brasil, colocados para produzir, sem cortar uma árvore, ao contrário plantando árvores, mais do que dobrarão a oferta da agricultura. E a jusante e a montante desse potencial agropecuário iremos irrigar toda a economia brasileira, fazer inclusão social e buscar o dobro do PIB do sistema do agronegócio. Com esse US$ 1 trilhão do sistema agro, iremos impactar da mesma forma e dobrar o PIB total brasileiro, num salto possível dos atuais em torno de US$ 2 trilhões para “US$ 4 tri”, onde veremos todo desenvolvimento industrial, comercial, de serviços, e tangibilizando também a nova bioeconomia.

Não temos mais tempo para perder tempo com polarização , é tempo e hora de foco nos planos de ação. Fazer o que tem que ser feito e que é o ético a ser feito. E como já nos foi ensinado desde os anos 50 pelo prof. Ray Goldberg em Harvard: “agribusiness significa a soma total dos seus fatores desde a genética das sementes até o consumidor final e as percepções das suas mentes”. Não administraremos as suas partes se não administrarmos o seu todo. Agribusiness Chief Officers, a capacitação para nosso futuro.

2033 já está aqui. Planejamento estratégico já.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

 

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