CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Governo novo, agronegócio sempre essencial. Governança e comunicação será vital.

Publicado em 02/01/2023

Divulgação Discurso de Posse
Novo Governo

Na posse do novo governo o agronegócio aparece em muitos pontos de forma explícita e em outros implícita. No discurso de posse do presidente Lula destaco os seguintes pontos a respeito do agronegócio:

1  – Industrialização, mencionando setores como fertilizantes e química. Significa a importância do setor industrial pré-porteira das fazendas como segurança estratégica para a mecanização, digitalização e insumos essenciais para o agro que vai ao futuro.

2  –  De forma implícita, ao mencionar a importância da reindustrialização do Brasil, todo setor industrial pós-porteira das fazendas é da mesma forma essencial para o agro, pois significa agregação de valor, e onde poderemos crescer na geração de receitas cumprindo uma ideia do atual presidente da Abia, Associação Brasileira da Indústria de Alimentos e Bebidas, João Dornellas que diz: “o Brasil precisa ser o supermercado do mundo, além de celeiro do mundo”.

3  –  A fome foi mencionada com cargas fortes de emoção pelo presidente, e neste aspecto a vinculação com o agronegócio é essencial. A produção de alimentos na base da agricultura familiar precisará ser incentivada, apoiada e receber planos de acesso a tecnologia e assistência técnica. Temos no país cerca de 4 milhões de pequenas propriedades fora da ciência e dos mercados. A geração de empregos será também significativa numa política de abastecimento, de segurança alimentar incluindo pequenas agroindústrias, comércio e serviços com originação no agronegócio de base popular.

4 – Cooperativismo. A palavra cooperativas foi mencionada no discurso de posse. Dentre todas as estratégias voltadas a prosperidade, combate à fome, diversificação de produtos e de mercados, geração de empregos, o modelo cooperativista será vital, fundamental, essencial. Cooperativismo em todas as suas áreas, urbana e rural.

5  –  30 milhões de hectares degradados incorporados. A ideia de integrar áreas degradadas onde podemos plantar sem tirar uma só árvore se trata de um conhecimento já disponível e antigo no país. A Embrapa domina extraordinariamente esse conhecimento, e significaria dobrar a área agrícola brasileira, mitigar o efeito estufa e dobrar a produção agropecuária, incluindo o Plano ABC+ agricultura de baixo carbono, com ilpf.

6  – Meio ambiente foi ponto alto do discurso de posse. A bioeconomia veio para ficar e para se transformar numa nova fonte de receitas associada a sustentabilidade. Nas conversas que já tivemos com o novo ministro da Agricultura Carlos Fávaro, ele mesmo ressalta que o diálogo com a ministra Marina Silva é essencial.

7  –  Combater o crime, o desmatamento ilegal. Hora da lei. Outro ponto antigo, demanda de mais de décadas. Lei, ordem e polícia no combate aos criminosos, que nada tem a ver com o agronegócio consciente. E, sem dúvida, dar segurança jurídica aos produtores brasileiros.

8  –  O ministro Carlos Fávaro nas suas manifestações tem elogiado os ministros anteriores, o que faz muito bem para procurarmos o caminho da união, harmonia e pacificação do setor, a governança afetiva.

9  –  Sinto falta de metas claras, com números meios e responsáveis pela execução dos planos, o que entendo deverá surgir nos próximos dias, após a transição, onde as intenções são mais evidenciadas do que métricas e mensurações essenciais para seu êxito.

10 – E, sem dúvida, precisaremos de sinal de telecomunicações, internet nos campos, pois a nova gestão com sustentabilidade e controles de custos com eficácia tecnológica não será possível fora da digitalização.

Ao trabalho! Há muita oportunidade. As oportunidades são maiores do que as dificuldades, questão de foco. Um plano de comunicação e imagem do agro bio saudável, com cidadania alimentar, ambiental e energética precisará fazer parte da nova estratégia.

Dobrar o agro de tamanho com sustentabilidade é o caminho para atender a economia do país, o lado social brasileiro, e a expectativa do mundo. Governança e comunicação serão vitais para o sucesso.

Que as lideranças sejam sensatas.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

 

Também pode interessar

Conversei com Marcelo Pimenta, CEO da Serasa Experian Agro, que apresentou um recente estudo para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) numa gigantesca amostra de 337.776 mil produtores rurais de todo país, desde familiares até grandes exportadores revelando que 91,8% deles atuam em compliance com as exigências socioambientais, o que passou a ser uma exigência do Banco Central para a concessão da linha de crédito e fundos de investimentos.
O plano foi lançado pelo ministro Fernando Haddad, da Economia, e conta com suporte da ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, Carlos Fávaro, do Ministério da Agricultura (MAPA), Paulo Teixeira do Desenvolvimento Agrário e do vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio Geraldo Alckmin.
Agronegócio é 1/3 do PIB diretamente, e outros tantos indiretamente, enquanto isso, o cenário das safras piora. Precisamos de um plano emergencial. Existe potencial instalado no país, só depende de lideranças com foco na administração e mitigação dos fatores incontroláveis.
Teremos diminuição de safras para este ciclo 2023/24. A Conab prevê menos 2,4% comparado com o ano passado. E no Brasil Central já existem agricultores que desistiram da lavoura da soja, e vão plantar milho em janeiro, em função do déficit hídrico, da seca. Conversei com o agricultor José Eduardo de Macedo Soares, eleito o melhor produtor de soja do país sob o ponto de vista da qualidade agronômica com que faz sua lavoura.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite