CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Inteligência Artificial e mudança climática: os grandes impactos no agro, revela pesquisa PwC

Publicado em 01/03/2024

Divulgação
Inteligência Artificial e mudança climática: os grandes impactos no agro, revela pesquisa PwC

No último dia 28 foi divulgada a 27ª edição da Global CEO Survey 2024, uma pesquisa anual da PwC, que neste ano ouviu cerca de 4,7 mil executivos em mais de 100 países, incluindo o Brasil, e que mostra as tendências apontadas para a viabilidade e a resiliência das empresas no longo prazo. Na avaliação dos líderes do setor de agronegócio, as mudanças climáticas e tecnológicas serão as megatendências globais apontadas como fatores de mudança para criação, entrega e captura de valor das empresas para os próximos anos.

As mudanças tecnológicas foram indicadas por 69% dos CEOs do agronegócio como um fator que impactará “muito” ou “extremamente” o setor nos próximos três anos. Outro dado importante: os CEOs do agro brasileiro também demonstram expectativa com o crescimento uso da IA generativa. Para 71% deles, a utilização desta tecnologia vai aumentar a eficiência de trabalho nos próximos 12 meses e para 69% a eficiência de trabalho dos funcionários também deve crescer.

Conversei com Maurício Moraes, sócio da PwC Brasil e líder para o setor do agro, que me disse: “Nota-se na pesquisa que IA e mudanças climáticas já pautam a agenda do setor e vão continuar pautando em um futuro próximo. A atenção a essas megatendências dialoga com o fato de quase um terço dos CEOs do setor (31%) acreditarem que seus negócios não serão economicamente viáveis por mais de 10 anos, em comparação com 23% no ano passado, mantido o rumo atual de suas empresas”.

No entanto, para Moraes, “a inserção da IA generativa ainda é discreta no agro. Apenas 23% dos CEOs do setor afirmam que a tecnologia foi adotada em toda empresa nos últimos 12 meses (enquanto a média no Brasil e no mundo é de 32% entre todos os setores). No mesmo período, apenas 11% dos respondentes declararam ter mudado a estratégia do próprio negócio por causa da IA generativa”.

Outras conclusões da pesquisa mostram que 54% dos CEOs do agronegócio brasileiro acreditam que a IA generativa melhorará a qualidade dos produtos ou serviços das empresas (abaixo dos 64% dos brasileiros de outros setores e 58% do recorte global) e sobre se a IA generativa aumentará a capacidade da empresa de criar confiança com os stakeholders, apenas 34% dos líderes do agro responderam afirmativamente (50% no Brasil e 48% no mundo).

Esses dados indicam ainda que os CEOs do agronegócio demonstram uma preocupação destacada em relação aos riscos da IA generativa, acima da média brasileira. Os principais temores: com a cibersegurança, citada por 80% (74% entre os executivos brasileiros de outros setores e 64% no recorte global) e a divulgação de desinformação com 63%, no mesmo patamar que a média no país.

Já as mudanças climáticas apareceram, nos últimos cinco anos, como um fator significativo de mudança para criação de valor no agro – 60% dos CEOs responderam “muito” ou “extremamente” para esse impacto no período. Na projeção para os próximos três anos, este fator sobe para 71%.

O estudo revelou ainda os inibidores da reinvenção no agro. O ambiente regulatório é apontado como o principal deles (66% dos CEOs). Outro ponto: a instabilidade na cadeia de abastecimento, preocupação de 63%.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Cop-30 chegando e tem uma função muito importante que é colocarmos o High Level Climate Champion, ou seja, a indicação de um brasileiro que represente todo esse movimento agroambiental, sustentável e agroeconômico também e eu estou aqui com o admirado Roberto Rodrigues professor emérito da FGV e Esalq. Hoje ele é embaixador do cooperativismo na FAO e todo mundo sabe muito bem da sua histórica, inclusive, como ministro que atuou maravilhosamente no comando da agricultura.
Quarta-feira de cinzas e espero que todos tenham tido um ótimo Carnaval. Eu estou em Portugal onde participo hoje de um evento de cooperativismo de crédito, caixa agrícola Torres Vedras falando sobre o desenvolvimento necessário do cooperativismo e da própria agricultura portuguesa.
Acompanhamos a insegurança da produção de commodities que assola o planeta em função da guerra de dois países de elevada importância na produção de grãos, como milho, soja, cevada, trigo, essenciais na base da pirâmide alimentar, além de energia. 
Contrary to the perception that Mercosur is an environmental and political mistake that will destroy European agriculture, there is an even worse notion: hearing statements like "I don't want my children eating meat from Brazil." This is a mistaken, extremely radical perception, entirely contrary to the real purpose of the EU-Mercosur agreement, which will bring benefits for all.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite