CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Os produtores rurais, o elo mais vulnerável ao risco, não podem carregar sozinhos as cargas do desequilíbrio sistêmico do agronegócio

Publicado em 24/01/2024

TCAI
Sem diálogo entre os elos das cadeias produtivas não temos a gestão do agronegócio.

Sem diálogo entre os elos das cadeias produtivas não temos a gestão do agronegócio. Os agricultores são o elo vital para o sistema do agronegócio funcionar. Porém, são milhões e de um lado são os clientes dos insumos e da mecanização, onde a ciência e a tecnologia é realizada  por corporações com elevado investimento de capital contadas em algumas centenas de empresas. E por outro lado são vendedores da sua produção para tradings, agroindústrias, supermercados que agregam valor, com distribuição e presença mundial, também contadas em algumas centenas de marcas.

Dessa forma algumas centenas, talvez poucos milhares de corporações,  impactam decisivamente os costumes, hábitos e as preferências dos consumidores finais, estes na casa de bilhões de seres humanos. É o que chamamos do antes e do pós-porteira das fazendas. E do lado de dentro das porteiras temos, como o engenheiro agrônomo Xico Graziano escreveu, “talvez 1 milhão de produtores rurais produtivos no Brasil, e outros 3,5 milhões de pequenos produtores empobrecidos”, acrescentando “nos últimos 40 anos, cerca de 1 milhão de famílias agrícolas que receberam lotes de assentamentos rurais”, onde Xico Graziano chama atenção para o drama dos produtores “com terra”.

Mas quero tratar aqui dos produtores que estão dentro da ciência e tecnologia, que os antecede e com relações com os setores industriais, comerciais e de serviços que os envolvem. Como está sendo realizado esse diálogo? Tenho participado de debates, e um deles nesta segunda-feira (22), com a presença do presidente da Aprosoja Brasil, Antônio Galvan, soja e milho, a maior commodity do país hoje, e ficou evidente não termos o diálogo e relações que deveríamos ter dentro dos setores empresariais.

As lideranças dos produtores rurais, nas suas diversas culturas, soja, milho, cana de açúcar, café, aves, suínos, bovinocultura de corte, leite, frutas, trigo, hortaliças, algodão, fumo, citros, feijão, arroz, ovos, etc, estão esses milhões de produtores rurais dialogando e participando da construção administrada das suas cadeias produtivas? Veja o atual drama do leite.

Num momento como este de crise climática, déficit de armazenagem, seguro insuficiente, dados estatísticos das safras e suas previsões totalmente incertos, juros elevados do crédito rural, estão os produtores brasileiros amparados por um diálogo e iniciativas que com justiça os proteja de tantas incertezas advindas de uma atividade a céu aberto, e com gigantescas exigências de precisão na gestão tecnológica?

Pergunto, como irão decidir a próxima safra 24/25? Plantarão mais, menos? Qual o planejamento estratégico para crescer com segurança?

Qual o papel do Governo? Mas eu deixaria aqui uma pergunta para a sociedade civil organizada: “qual o papel das corporações empresariais que envolvem os produtores rurais na busca de relações mais sólidas de longo prazo com seus clientes por um lado e fornecedores por outro?”.

Agronegócio já foi definido há mais de 70 anos atrás como a soma de todos os fatores envolvendo o sistema alimentar, e sua gestão coordenada dos seus elos é fundamental para a segurança das suas partes e de toda sociedade, principalmente dos milhões de agricultores dos seus países, sem dúvida o elo mais vulnerável.

Precisamos de muito mais e melhor diálogo entre os elos das cadeias produtivas, talvez nos inspirando nos bons exemplos do Renovabio no setor de biocombustíveis, e o das próprias cooperativas que incluem insumos, grãos e agroindustrialização no seu escopo de posicionamento, e de integrações empresariais que estão preocupadas com suas fontes de matérias primas em volume, qualidade e custo a longo prazo, onde nos legumes, folhas, frutas e verduras os próprios supermercados têm desenvolvido programas com produtores no Rama, rastreabilidade e monitoramento de alimentos.

Precisamos muito maior integração, diálogo e bom senso em todas as cadeias produtivas do agro nacional, da mente do consumidor, o meme, ao gene do geneticista, o gene, há muita coordenação a ser feita, e os produtores rurais, o elo mais exposto, vulnerável  ao risco, não podem  carregar sozinhos  as cargas do desequilíbrio sistêmico do agronegócio. A iniciativa privada, a sociedade civil organizada tem responsabilidade nisso.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

 

Também pode interessar

Foram 22 votos a favor e 14 contra, para a proposta do governador reeleito Ronaldo Caiado, do União Brasil, ruralista de raiz fundador da UDR – União Democrática Ruralista, nos anos 80.
Começa neste sábado (26) a celebração de 90 anos da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), a genética animal que significa 80% da pecuária nacional no gado Gyr, Guzerá, Nelore e cruzamentos com outras raças. Começou com um pioneiro herói Celso Garcia Cid em torno de 1940 importando os primeiros zebus da Índia. Aqui foram tropicalizados e hoje nesta Expozebu, em Uberaba Minas Gerais, nos transformamos na capital mundial do zebu, e exportamos genética brasileira para a própria Índia.
Dra Fabiana Villa Alves, atual diretora de cadeias produtivas e indicação geográfica do Ministério da Agricultura, esteve na China ao lado de membros do governo e iniciativa privada e nos fala a respeito das tendências sem volta a respeito de alimentos sustentáveis, e aborda o quanto já estamos na frente com o nosso plano de agricultura de baixo carbono ABC+.
Estou em um lugar onde a Agroconsciência está se desenvolvendo espetacularmente. Falo aqui de Bebedouro, da Copercitrus Expo, uma exposição onde o sistema todo ambiental, econômico e social está se desenvolvendo e eu trago para nós a presença do CEO da Copercitrus que é o Fernando Degobbi para nos dar uma síntese do que é essa coisa fenomenal Agroconsciente.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite