CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - PENSA - Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial, da FEA/FIA-USP, quer apontar o potencial do agro nacional

Publicado em 09/01/2023

Divulgação
Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial

Conversei com o professor Cláudio Pinheiro Machado, professor da FEA, Faculdade de Economia e Administração da USP, que coordena o PENSA, da FIA, Fundação Instituto de Administração, sobre um projeto para obtermos a verdadeira dimensão do potencial existente nas cadeias dos sistemas agroindustriais brasileiros.

Hoje o Cepea, da Esalq/USP, dimensiona esse macro setor econômico com algo em torno de 30% do PIB, mais precisamente na última mensuração, 27,4%.

Porém existem gigantescas oportunidades de crescimento dentro das atividades reais já instaladas, bem como em oceanos azuis, quer dizer setores onde ainda não atuamos de forma empreendedora e que podemos crescer consideravelmente expandindo o movimento econômico/financeiro das cadeias agroindustriais.

O PENSA foi criado no início dos anos 90, praticamente ao lado do surgimento da Abag sob, na época, a presidência de Ney Bittencourt de Araújo, que trouxe pioneiramente o conceito de agronegócio originado nos anos 50 na universidade de Harvard para o Brasil. O PENSA foi o primeiro movimento acadêmico criado pelo professor Décio Zylbersztajn sob essa visão de um sistema agroindustrial.

Na conversa embrionária com o prof. Cláudio Pinheiro Machado, a necessidade de uma governança das relações entre os elos dessas cadeias produtivas reunindo os setores que antecedem a atividade primária dos campos, águas e mares, com tudo aquilo que ocorre depois da originação das matérias primas, exige uma integração da indústria, comércio, serviços, agropecuária com ciência e tecnologia e relações que vão até os consumidores finais no Brasil e exterior.

Alguns exemplos simples servem para demonstrar imensas oportunidades de crescimento em praticamente tudo. No setor da fruticultura, por exemplo, o Brasil é ao mesmo tempo o terceiro maior produtor mundial, porém o consumo percapita é inferior a metade recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Somos apenas o 24º exportador, perdendo para países como Chile, Equador, Peru, ou seja, uma análise de potenciais e oportunidades revelaria a possibilidade de multiplicar por 3 vezes, no mínimo, também vender US$ 3 bilhões no mercado mundial, superando os atuais US$ 1 bilhão.

Nos grãos, nossas oportunidades são da mesma forma gigantescas quando olhamos as demandas mundiais e de um mercado interno brasileiro, como arroz, feijão, trigo, exemplos para dobrarmos de tamanho e no caso do trigo de dependentes externos, virmos a ser exportadores e com a participação agroindustrial em massas e produtos processados, sem esquecer da cevada das cervejas, e agregação de valor das batatas chips, cafeterias, moda do algodão, da seda, chocolates, frutos do mar, infinitos oceanos azuis à disposição do país.

A ideia passa por uma convocação das principais cabeças ‘pensantes’ do Brasil em outras academias, e parcerias com instituições e entidades da sociedade civil organizada, consultorias, mídia, para um estudo profundo e abrangente revelando ao país, ao governo e à iniciativa privada os campos extraordinários de oportunidades com um dimensionamento monetizável, que para ser obtido irá demandar governança da integração das cadeias dos sistemas agroindustriais , e com uma identificação de meios e estratégias para serem trabalhadas e impactos além de econômicos, na responsabilidade social.

O biocombustível, biogás, meio ambiente, a bioeconomia na transversalidade de todas as cadeias significa além de um dever, doravante outra potencial fonte de riqueza a ser monetizável, com demanda mundial.

Dos atuais cerca de US$ 600 bilhões no tamanho do PIB do agro Brasil para o dobro disso, do A do abacate ao Z do zebu, com indústria, comércio e serviços além da agropecuária, seria colocarmos um farol no futuro ao invés de perdermos tempo em discussões ultrapassadas, olhando pelo retrovisor. Não temos tempo para discutir peças isoladas que se não forem reunidas jamais formarão um design, um LEGO.

Governança das relações sistêmicas do agronegócio. Que o PENSA nos ajude a pensar e agir neste planejamento estratégico vital e fundamental.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

 

 

 

 

Também pode interessar

Marcos Antônio Matos, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) nos enviou diretamente da Suíça seu depoimento sobre a iniciativa do setor, junto com Serasa Agro Experian envolvendo entidades empresariais internacionais e clientes agroindustriais mundiais.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) soltou um report com uma previsão de safra de soja no Brasil na casa de 134 milhões de toneladas, menor do que a Conab, que previu 139 milhões, e bem menos das previsões originais antes dos fatores climáticos que eram de 144 milhões de toneladas no boletim de dezembro 2021.
Em primeiro lugar, parabéns ao texto espetacular de Lourival Santanna, colunista do Estadão (19/9 Página A-11), “O impacto do taleban”. Como analista internacional de notoriedade exemplar, Lourival revela durante sua passagem pelo Afeganistão um fato que até agora não vi observado em nenhuma outra análise.
Ou a indústria, comércio e serviços zelam pela imagem dos seus produtores rurais, ou perderão consumidores finais. O mundo mudou e agora consumidor final quer saber de onde veio o alimento, quem originou o algodão, o etanol, biodiesel, café, frutas, carnes, ovos, peixes, e se naquela atividade leiteira, por exemplo, os biodigestores já existem produzindo biometano para mover os veículos tirando metano da atmosfera?
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite