CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Política Agrícola de Estado sim. Antipolítica não.

Publicado em 01/09/2025

Divulgação
Agricultura exige estratégias e políticas de estado, muito além de discussões ideológicas.

O conceito de agronegócio surgiu numa visão do Dr. Ray Goldberg, em Harvard/USA, como síntese da soma total dos fatores do antes, dentro e pós-porteira das fazendas, nos anos 50. Agricultura reúne fatores da história humana na terra que estão além do comércio e dos negócios em si. Significa a possibilidade da vida produzindo alimentos nos primórdios para a própria sobrevivência, depois com as barganhas nas feiras medievais, e hoje numa mistura de comércio, agroindustrialização, marketing, porém sua essência segue e continua sendo “segurança e soberania” de um povo, de uma nação.

Dessa forma agricultura exige estratégias e políticas de estado, muito além de discussões ideológicas de esquerda, centro, ou direita.

Nesta semana começa o julgamento do ex-presidente da República, que polarizou a palavra “agronegócio”. Nesta semana agricultores norte-americanos imploram para que Trump “feche negócios” da soja dos Estados Unidos com a China. Nesta semana o Presidente Lula ensaia o uso da retaliação versus os tarifaços de Donald Trump não desejados pelos setores empresariais. Nesta semana seres humanos morrem de fome em Gaza enquanto políticos discutem a paz. Nesta semana a Rússia e a Ucrânia não chegam na paz pois os territórios ucranianos invadidos pela Rússia são terras férteis essenciais para a soberania e segurança alimentar energética russas que as querem. Nesta semana agricultores brasileiros decidem plantios para uma potencial nova super safra do país, que descobriu no ambiente tropical do planeta como produzir alimentos e energia, e essas decisões destes agricultores são tomadas em ambientes de risco, insegurança e incertezas nacionais e internacionais. Tudo isso está acima e além do uso da mera palavra “agronegócio”, pois fome, miséria, desigualdade social, mudança climática, vida e paz, dignidade humana na terra com o alimento, a saúde ambiental, com certeza são temas muito mais profundos do que apenas o conceito dos negócios em si.

Como estão nossas políticas de estado a serviço da segurança alimentar, energética, social e ambiental? Com certeza agricultura é uma questão de políticas de estado, visões de médio e longo prazos desde infraestrutura tão aqui mencionadas como armazenagens, logística, seguro, educação, pesquisa e tecnologia ao lado de relações internacionais e cooperação.

Esquerda, centro ou direita são ondas que arrebentam nas praias, ou nas pedras das encostas litorâneas, muitas vezes pororocas em conflitos de lutas dos egos, criando egonomias e geopolíticas, mas que têm como origem exatamente erros, incompetências e uma antipolítica injusta.

Agricultura exige compromisso maior e além dos passageiros ciclos tão passageiros eleitoreiros.

No Estadão deste último domingo (31), página A3, a opinião tratava “o veneno da antipolítica”. Nesse editorial a antipolítica significa “a má política é o veneno”. Ali numa pesquisa Genial/Quaest, o jornalista César Felicio do Valor Econômico teve acesso e revelou que: “27% dos eleitores preferem alguém de fora da política para a presidência da República”. Isso significa muito mais do que a busca pela novidade, revela a ausência de lideranças com legitimidade para a verdadeira causa republicana. Agricultura está acima deste ou daquele, antecede e é maior do que a definição do nome agronegócio.

Num mundo polarizado e dividido, como sabemos e constatamos por políticos e não a serviço da justa política, o alimento tem a missão de unir o mundo, como afirma o próprio criador do conceito de agribusiness em entrevista que me concedeu e está à disposição no site www.agricitizenship.com., Prof. Ray Goldberg, a grande mensagem aos líderes do agronegócio: “unam o mundo através do sistema agroalimentar”.

Agricultura com política de estado SIM. Com a antipolítica NÃO.

O agronegócio será decorrência dessas decisões acima 👆.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

O país todo está polarizado. O bem versus o mal, o nós versus o eles. E no agronegócio a polarização também corre solta. Um vídeo e posts circulam pelo país mostrando uma convocação para 7 de setembro que propõe reunir em Brasília, e pelo país, parte dos agricultores, e os caminhoneiros prometendo parar o país se o voto impresso não for aprovado e o pedido de impeachment dos ministros do STF não for encaminhado pelo Senado federal. Chegam a sugerir sangue derramado, se necessário.
Hoje, 12 de maio, é um marco histórico no avanço das cidades com consciência de sustentabilidade, incluindo um agroconsciente, onde sabemos que a agricultura local e vertical fazem parte da melhoria da qualidade de vida com implicações positivas na saúde em todos os aspectos, ambiental, mental e física dos habitantes. Em Itu, com apoio do prefeito Guilherme Gazzola, abertura do ex-ministro Roberto Rodrigues e presença do Agroconsciente da Eldorado, Maria Beatriz Bley, presidente do Green Rio América Latina lança o movimento “o mosaico da bioeconomia” para irradiar em todo o Estado de São Paulo.
Entrevistei Luis Madi, coordenador da plataforma de inovação tecnológica do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) de Campinas, ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, órgão que reúne especialistas, pesquisadores e cientistas no campo da tecnologia dos alimentos, onde muitos mitos fake news são desenvolvidos e onde a racionalidade científica precisa imperar.
No Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp ocorreu um excelente debate nesta semana sobre as eleições recentes para prefeito. Mas além das avaliações das tendências entre “Bolsonaristas x Lulistas”, ouvimos sóbrias conclusões como: “para termos um governo melhor precisamos de uma melhor articulação da iniciativa privada e uma aliança da sociedade civil organizada”. Assim como foi colocado com ênfase por um dos apresentadores Paulo Hartung, foi governador do Espírito Santo e hoje preside a Indústria Brasileira da Árvore (IBA): “a conversa de esquerda versus direita não nos leva mais ao futuro, precisamos olhar pra frente e não discutirmos 30, 40 anos de passado”.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite