CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Quatro cenários difíceis podem impactar o agronegócio!

Publicado em 05/09/2022

TCA
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1 – A ruptura de cadeias produtivas, supply chain, com a crise faz com que mesmo numa venda elevada de máquinas agrícolas no Brasil existam máquinas semiprontas aguardando componentes nos pátios das indústrias, além da insegurança dos princípios ativos químicos e fertilizantes levando agricultores a um menor uso de tecnologia. O que significou também brutal inflação nos custos de produção.

2 – A decisão chinesa de COVID zero, fazendo fechamento total, como Xangai, 67 dias parada, fazendo com que a China cresça menos, menor demanda, hoje o maior cliente brasileiro.

3 – Os Estados Unidos deverão entrar numa recessão longa e profunda com juros muito acima de 4,25%, como comenta o colunista do Estadão, Paulo Leme (Página B5, edição 4/9), dólar valorizado e fluxo para as economias emergentes prejudicado, onde haverá desvalorização do real e redução do crescimento da economia brasileira.

4 – Mas o quarto cenário negativo da crise é colocado pelo economista José Roberto Mendonça de Barros, também no Estadão (Página B3, edição 4/9), Caderno de Economia, quando aponta o desequilíbrio do clima, e salienta que o “hemisfério norte está convivendo com uma onda de calor sem precedentes, ao lado de forte seca que também afeta alimentos, energia e a produção industrial, com inevitável recessão que marcará o mundo em 2023”.

Portanto esses quatro cenários exigem das autoridades e lideranças brasileiras, justamente sobre o setor que decide maior ou menor impacto na economia e na sociedade do país, as cadeias do agronegócio, um plano de contingências prevendo a possibilidade do mal pior.

A situação climática, que nos últimos 2 anos nos tirou cerca de 40 milhões de toneladas de grãos, prejuízo na cana de açúcar, pastagens, pode nos surpreender novamente e jogar o sonho das 308 milhões de toneladas de grãos no campo da ilusão.

Recursos do tesouro deveriam ser alocados muito além do Plano Safra para o credito rural. Poderíamos ter um plano de plantio de grãos buscando uma segurança para potenciais quebras de no mínimo 10 milhões de toneladas. Podemos realizar nas áreas degradadas onde nada se planta sem arrancar uma só árvore sequer. Arrendamento para garantia do alimento.

Da mesma forma um plano emergencial de investimentos industriais para dar ao país maior segurança no supply chain estratégico de princípios ativos e de componentes eletrônicos e mecânicos já deveríamos ter feito estimulando o parque industrial brasileiro na pesquisa, inovação e substituição dessas importações essenciais. Ao contrário a MP 1.136/2022 limita a aplicação de recursos no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Estratégico.

E ao lado disso tudo uma convocação ao setor agroindustrial para agregação de valor sobre nossas commodities, com diversificação de mercados mundiais. Hoje já vendemos para 190 países. A indústria de alimentos do Brasil é responsável por 25% da indústria nacional. Mas podemos mais, muito mais, onde o setor privado ao lado do cooperativismo agroindustrial seriam o grande gerador de empregos e de crescimento econômico, além de agente de vendas diversificando produtos e mercados.

Agora, numa guerra de raivas e ódios na disputa pelo poder eleitoral, sem dúvida, não sobra tempo e muito menos recursos para investimentos em planos que ofereçam legítima segurança a nação. O dinheiro e o foco ficam no assistencialismo onde o voto de outubro e os berros de setembro nos fazem marchar a marcha da insensatez.

São muitos leitores e seguidores da Bíblia, mas parece que não entendem a regra de ouro: ensinar a pescar ao invés de dar o peixe. Estamos nas mãos de alguns poucos que fazem acima de governos e de suas facções.

E por favor São Pedro mande um clima bom para uma safra acima de 300 milhões.

 

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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