CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - “Quem avisa amigo é”, um velho ditado que o Brasil e o agro precisam escutar

Publicado em 16/05/2022

TCA
Plano Safra

Nestes últimos dias três alertas significativos soaram a nível nacional, internacional e no Estadão de 14 de maio, sábado passado no seu editorial. Essas três sirenes recentes estão sendo acompanhadas aqui no nosso Agroconsciente, do Jornal Eldorado, numa iniciativa que estamos fazendo: voz de líder. Estamos ouvindo líderes do agronegócio para oferecer aos presidenciáveis aspectos vitais que precisam existir nos seus planos de governo, e o último veiculado aqui foi do ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, o aviso nacional que ele faz sobre a necessidade de “um Plano Safra de guerra”, conforme suas palavras, para enfrentarmos uma crise gigantesca de falta de alimentos, inflação e superação acelerada da produção agropecuária do Brasil, que também está sendo afetada por incertezas climáticas.

Muito bem, esse foi o aviso nacional número 1. E ao mesmo tempo chegou o 2º aviso, agora internacional. A Casa Branca, por meio do presidente dos Estados Unidos, Biden, oficializou semana passada uma ação do governo norte-americano para impulsionar o aumento da produção das safras daquele país, o 2º maior produtor do mundo, pedindo um “double cropping”, em português uma segunda safra nas mesmas terras e no mesmo ano, onde isso for possível na geografia do hemisfério norte no país Estados Unidos. Quer dizer, os americanos estão colocando a mão na terra, investindo recursos de grande monta e ampliando o valor do seguro agrícola para que os produtores plantem sem riscos a sua segunda safra, o que já inventamos no Brasil desde o início da década de 90.

Muito bem e surge então o 3º aviso na forma se uma sirene estrondosa, o editorial Estadão de sábado passado (dia 14) com o título “caixas pretas econômicas”.

Vale ler, reler e acionar toda sociedade organizada brasileira pensante e responsável. Nesse editorial o Estadão informa que nenhum dos dois presidenciáveis na frente das pesquisas eleitorais tem um plano econômico para apresentar aos eleitores para que os mesmos possam decidir com maior racionalidade e cobrar do governo que venha a ser eleito. Nesse editorial uma das suas frases diz: “a degradação que esses populismos causaram ao debate público é tamanha que os dois candidatos dispensam até aquela homenagem que o vício empresta à virtude, a hipocrisia. Em outros tempos apresentariam planos grandiloquentes como vagos para depois terceirizar a culpa por seus malogros”.

Sem um plano econômico vamos enterrar esta década. E será impossível ter um plano econômico no Brasil bem sucedido sem um plano das cadeias produtivas do agronegócio, do “A” do abacate ao “Z” do zebu com ciência, industrialização, comércio, serviços e proteção aos agricultores de todos os portes incluindo o cooperativismo, pois agronegócio impacta diretamente 1/3 do PIB do país, e impacta indiretamente o outro 1/3 da economia brasileira. Agro e plano econômico são dois lados da mesma moeda.

Plano Safra de guerra, ou planejamento estratégico do agronegócio conjugado ao plano econômico do país é dever moral, ético e de honestidade intelectual que cabe a todo eleitor brasileiro cobrar e de forma veemente exigir de todo aquele que se atrever ao Brasil presidir.

Caixa preta econômica inaceitável, e ausência de planejamento estratégico do agronegócio impensável.


José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

 

 

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