CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Plano objetiva dobrar o agro de tamanho em 10 anos é apresentado no Cosag-FIESP

Publicado em 06/12/2023

Divulgação
Plano de recuperação de 40 milhões de ha de pastagens degradadas é apresentado no Cosag/FIESP

Roberto Perosa, secretário de Comércio e Relações Internacionais do MAPA, apresentou o plano de recuperação de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas no Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) nesta semana em São Paulo. Tema que temos colocado nesta coluna como estratégico e de alto impacto para a economia brasileira e para a imagem do agro brasileiro no mundo.

Perosa, perante um auditório de líderes do setor, trouxe a informação dos estudos e mapeamentos da Embrapa identificando, dentro da área de pastagens do país, 160 milhões de hectares, a existência de 100 milhões de áreas degradadas com baixíssimo nível de usufruto pecuário. E, dentre essas, selecionou 40 milhões de hectares ideais e prontas para serem incluídas na tecnologia de recuperação das áreas, tanto para pecuária quanto para lavouras, ou para os sistemas integrados lavoura, pecuária e florestas.

US$ 120 bilhões serão investidos no plano, com US$ 12 bilhões anuais. O plano envolve elevar essas áreas de uma produtividade média de 2 arrobas/há ano, para 10 arrobas há/ano no 4º ano. Ou seja, multiplicar por 5 vezes. Com lavouras representa sair de 40 Sc/há/ano para 64,4 Sc/há/ano. Crescer em 61% a produtividade em 5 anos.

O primeiro ano será o de investimento, o segundo ano o custeio, o terceiro ano na pecuária a recuperação da pastagem. E a partir do 5º ano certificação e rastreabilidade.O plano envolve capacitação, insumos biológicos, educação com o sistema CNA-Senar e compliance em todos os sentidos, inclusive trabalhistas.

O plano significa atuar nas condições naturais, buscando alta produtividade, procedimentos sustentáveis e ambientais, e com gigantesco potencial de expansão. Roberto Perosa adiantou haver muitos interesses de investimentos já identificados, tanto internacionais como nacionais, e também de empresas.

80% dos produtores serão pequenos e médios. As contas da emissão de carbono sairão de negativas hoje nas pastagens degradadas para indicadores positivos com os sistemas integrados e as pastagens bem manejadas. Os financiamentos serão de 2,3% ao ano, em dólar. Com prazo de 3 anos de carência e 12 anos para pagar. Ou seja, um total de 15 anos nas contas financeiras.

Os benefícios serão para os produtores rurais que terão seus ativos valorizados, tecnologias empregadas, o sistema do agronegócio inteiro estimulado com sementes, insumos, máquinas, construções, empregos, logística, armazenagem, agroindustrialização e serviços envolvidos no pós-porteira das propriedades e no aumento do IDH de todos os municípios.

Dobrar o agro de tamanho em 10 anos, multiplicando por 2 a área útil atual brasileira para alimentos, energia, e meio ambiente. 12 milhões de hectares desse total será destinado à recuperação de florestas. Significa um plano onde o Brasil dobrará sua oferta na originação agro plantando árvores.

Um decreto será formulado onde o governo deverá entrar “de cabeça”, afirmou Roberto Perosa, e com ele toda a iniciativa privada. Este plano de áreas agrícolas estruturadas, a partir de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas, tem impacto poderoso no crescimento do PIB brasileiro.

Que vire um plano de estado mais do que um plano de governo!

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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