CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Neo-agrobionegócio para dobrar o PIB de tamanho, e com Agroteca Esalq/USP

Publicado em 29/05/2023

Divulgação
Complexo Agroindustrial, o Agribusiness Brasileiro, de Ney Bittencourt de Araújo, Ivan Wedekin e Luiz Antonio Pinazza

O presidente Lula e Geraldo Alckmin, no papel de ministro da Indústria e Comércio, assinaram um ótimo manifesto assumindo que precisamos de uma política econômica onde a indústria terá um papel decisivo na geração de renda e de empregos intensivos em conhecimento e de uma política social que investe nas famílias.

No Estadão deste último domingo Rolf Kuntz (28/5, Página A5) escreve no Espaço Aberto sua coluna sobre essa visão onde afirma: “enfim, um rumo para o governo abordando: Lula e Alckmin decidem dar destaque à reconstrução da indústria, um setor em retrocesso há mais de uma década”.

Sim, alvissaras, um norte que deveria e poderá objetivar um vital planejamento estratégico econômico brasileiro, onde o único setor que tem mantido a economia brasileira respirando tem sido a agropecuária. Por isso senti falta de Carlos Fávaro, ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento assinando junto este manifesto, pois indústria, comércio e serviços, com agropecuária no mesmo sistema econômico estratégico é sinônimo total da expressão agronegócio, ponto de apoio e alavanca para todos os demais elos da economia.

O agribusiness brasileiro é um “complexo agroindustrial” como o livro que representa o marco teórico dessa compreensão foi escrito, o define, e claramente o explicou desde seu lançamento em dezembro de 1990 pela Agroceres e contou com apoio de O Estado de S. Paulo através do seu Guia OESP da Alimentação, da OCB, Organização das Cooperativas do Brasil, e da ABIA, Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação.

Neo-agroindustrialização, um neo-agronegócio significa uma nova arrancada, uma transição onde segurança tecnológica no antes da porteira com agregação de valor no pós-porteira das fazendas serão o novo show. Com agropecuária junto e toda bioeconomia poderemos realizar nos próximos 10 anos um salto que nos permita buscar um crescimento robusto do PIB nacional, perseguindo dobrarmos de tamanho o movimento desse sistema denominado agronegócio, ou doravante “agrobionegócio” cuja soma dos seus montantes econômicos obrigatoriamente reúnem a agropecuária, o comércio, a indústria e os serviços.

Hoje cerca de 30% do PIB brasileiro envolve aproximadamente US$ 600 bilhões, e de fato com oportunidades gigantescas em toda industrialização ao seu redor, desde o antes das porteiras das fazendas com a indústria de insumos, princípios ativos, bioinsumos, genética, sementes, mecanização, irrigação, digitalização, construção de armazenagem, ferrovias, cabotagem, logística fluvial, transportes, telecomunicação, fertilizantes, produtos veterinários, nutrição vegetal e animal, enfim, toda uma orquestração industrial, comercial e de serviços atuando para uma agropecuária que possa contar com segurança tecnológica, com oferta de ciência e tecnologia produzida dentro do país em boa parte.

Significará empregos, renda e ampliação do valor agregado nos insumos necessários para os clientes, produtoras e produtores rurais. A outra ponta da industrialização, comércio e serviços vem no pós-porteira das fazendas. No que teremos na agro-industrialização agregando valor nas cadeias produtivas do A do abacate ao Z do zebu. Vender produtos processados com muito maior nível de agroindustrialização do que fazemos hoje. E reunir ainda nesse “Lego” sistêmico a bioeconomia, o biogás, o biometano, os biofertilizantes, os biocombustíveis, a bioeletricidade, o comércio e serviços onde fundos, bancos e satélites fazem parte. A consequência será mais mercado para automóveis, e que sejam híbridos também pop, imóveis, lazer, turismo, moda, ou seja, impactos indiretos em toda economia do país.

Essa conta reunindo a indústria, o comércio, o serviço com a agropecuária permitiria, sim, uma meta de sairmos dos atuais US$ 600 bilhões para mais do US$ 1 trilhão, por que não dobrar com US$ 1.2 trilhão? Por que o olhar estratégico deveria ser o de uma neo-agroindustrialização? Pois essa base produtiva brasileira se aproveitaria do patamar de conhecimento que já aprendemos e atingimos e além de irrigar todas as demais indústrias do Brasil, seria onde teríamos uma chance real, maior, de realizar esse progresso a curto prazo.

Empreendedorismo e cooperativismo a partir de uma plataforma concreta, a neo-industrialização é bom, mas o “neo-agribusiness” seria uma verdadeira revolução para um PIB digno com impactos na positiva cidadania de toda população. Hora de planejamento estratégico.

E nesta semana, na Esalq USP está sendo lançada a Agroteca Digital, uma plataforma com acesso livre de conteúdos científicos e atualizados sobre o setor. Essa Agroteca reúne todo material que a base nacional comum curricular exige das escolas, com dados científicos, objetivando oferecer a informação correta a respeito de tudo o que envolve o sistema de agronegócio.

www.deolhonomaterialescolar.com.br

Letícia Jachinto tomou a liderança dessa iniciativa preocupada com o nível da má informação e desinformações constatadas nos materiais escolares do país.  Nesta segunda-feira na Escola Superior de Agricultura Luís de Queirós (Esalq/USP), em Piracicaba, ocorre o lançamento da Agroteca Digital.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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