CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - “Quem produz na Amazônia dentro da lei faz o agro mais competitivo do mundo. O terroir amazônico”, Carolina Brazil embaixadora Norte do 9º CNMA

Publicado em 11/03/2024

Divulgação
Carolina Brazil, embaixadora do CNMA na região Norte do país.

Nós estamos iniciando o movimento para o 9º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA) e eu conversei com Carolina Brazil, que é embaixadora do congresso para o Norte brasileiro. Amazônia que o mundo tem de conhecer o lado positivo e nós praticamente não conhecemos.

Perguntei a Carolina, quais são os aspectos importantes do nosso “terroir”, nós podemos falar em “terroir amazônico”? E ela me respondeu:

“Sim, é com imenso prazer que estou representando a Amazônia e o Norte do Brasil no Congresso das Mulheres do Agronegócio e de uma forma assim que vimos para trazer a visibilidade e trazer essa região que é tão rica, tão diversa, tem uma biodiversidade tão incrível dentro do planeta e que representa muito para o nosso país e para o mundo. Essa região é extremamente produtora e produtiva. Claro, com os seus conhecimentos na época dos nossos antepassados, com os conhecimentos dos nossos indígenas, dos quilombolas, dos povos ribeirinhos que estão nessa região, que sempre produziram, mas nós temos uma Amazônia em pleno desenvolvimento, me que áreas já ocupadas, porque antigamente, na década de 70, os governos pediam para as pessoas irem ocupar a Amazônia. Então era o integrar para não entregar, e muita gente foi parar lá. Hoje essa diversidade que temos lá de produção, ela é do mineiro, do capichaba, do paranaense, do paulista, do gaúcho que foi para lá. Então essas pessoas levaram muito conhecimento e a parte produtiva também. Então hoje somos o maior produtor de tambaqui do Brasil. Isso significa que nós somos os maiores produtores de peixes de espécie nativa do Brasil. Olha só, todo mundo acha que a tilápia é o maior produtor, e é, mas é de espécie exótica. Eu estou falando de espécie nativa. O próprio tambaqui ganhou uma IG, uma indicação geográfica também, um ‘terroir’ diferente, um ‘terroir amazônico’ impresso em nosso tambaqui. Também temos o cacau, o cacau que é nativo das matas brasileiras, na Amazônia. E também temos uma indicação geográfica para o cacau. O cacau da região lá de Jaru, de Ouro Preto do Oeste, de Rondônia. E a nossa grande aposta e iniciativa para levar isso para outros países principalmente é o café. O café é robusta amazônico, tem a primeira indicação geográfica com denominação de origem, um título raro, mundialmente falando, porque é o primeiro para cafés canéforas, justamente por essa condição única que tem na Amazônia. São 14 municípios dessa região que produzem um café robusta amazônico. É um café que foi levado para lá pelos pesquisadores do IAC de Campinas, mas todos esses produtores que de alguma forma levaram o conillon para lá, nessa mistura toda surgiu essa nova variedade”.

Então perguntei a ela, que tem na Amazônia uma visão extraordinária dos “terroir”, se o produtor que está lá quer desmatar ou quer trabalhar com o mercado de carbono e ela me disse:

“Olha, a tendência e o que eu já tenho visto no mercado esse rumo para manter a floresta em pé, dentro da legalização e da legislação, ganhando recursos, pagando o que o mundo que tenha interesse de manter essa floresta em pé, pague para o produtor que precisa preservar. E para quem não sabe, quem mora na Amazônia, precisa preservar 80% de sua área e produzir em 20%. Eu vou falar uma coisa aqui que pode ser que fiquem bravos comigo, mas eu entendo que quem produz na Amazônia nesse formato, é extremamente mais produtivo que em outras regiões do país, porque eu sou extremamente competitiva e eu vou competir com vocês que estão no Sul e no Sudeste do país, eu vou competir com produtos tipo exportação, como vocês também têm, porque eu tenho uma carne de excelente qualidade, eu tenho soja, eu tenho milho, eu tenho café, eu tenho outros produtos que interessam ao mundo como vocês também têm. Então eu confesso para você que é audácia da minha parte dizer isso, mas o 80% a 20% para ser mantido, para que a floresta continue em pé, para que o nosso novo bioativo seja o carbono”.

Carolina Brazil, seu sobrenome fantástico, Brazil, e um depoimento muito significativo. Agroconsciente olha aí, floresta de pé da mais resultado do que muita gente está pensando.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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