CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - “Se o governo não atrapalhar o agro vai prosperar”, Zema. “Agroalianças o desafio”, Wedekin. Mas 345 milhões t. safra recorde onde armazenar?

Publicado em 15/08/2025

Divulgação
Romeu Zema, governador de Minas Gerais e Ivan Wedekin, ex-secretário de Política Agrícola.

Conab informa safra neste ano será recorde, com 345 milhões de toneladas de grãos. É assunto antigo, problemas estruturais e logísticos, falta de estrutura de armazenagem, com cerca de 40% desse volume ou escoa em altíssima velocidade, ou temos perdas.

Portanto nesta semana tivemos o 24º Congresso Brasileiro de Agronegócio da Abag e dois governadores Tarcísio de Freitas, de São Paulo, e Romeu Zema, de Minas Gerais, afirmaram: “se o governo não atrapalhar o agro vai prosperar”. Precisamos mudar esse slogan: “se o governo não atrapalhar, o agro vai prosperar, mas cabe ao governo um plano estratégico para o agro estruturar, o desafio está fora das porteiras das fazendas.

Romeu Zema, no Congresso da Abag, destacou o crescimento do agro em seu estado. “O Agro em Minas tem avançado muito, tem sido fundamental para a recuperação do Estado. No ano passado pela primeira vez o agro exportou mais do que a mineração, com sua participação no PIB mineiro continua aumentando ano a ano e o que o estado tem feito é não atrapalhar e aquilo que ele deve fazer, recuperar as estradas, fornecer energia elétrica, não ficar demorando na análise ambiental, e por aí vai”.

O tema central deste congresso foi agroalianças, numa apresentação do embaixador Roberto Azevedo. Pedi ao consultor e ex-secretário de Política Agrícola do governo, Ivan Wedekin, sua análise das agroalianças.

Ivan Wedekin comentou sobre a palestra de Roberto Azevedo e disse: “O embaixador Roberto Azevedo tem uma experiência muito grande no comércio internacional e nas negociações e o néctar da apresentação dele é que o Brasil no seu agronegócio tem duas características singulares, competitividade, ou seja, nós temos tecnologia, eficiência e escala de produção e o Brasil é grande e praticamente tudo que o agro produz é grande. Então essas duas características singulares criam dificuldades de relacionamento e última palavra de alianças do Brasil com outros produtores mundiais que dizem, poxa, para que eu vou abrir caminho, pavimentar o caminho para esse Brasil se ele é muito grande e pode roubar o meu mercado? Então os concorrentes ficam com o pé atrás. E o outro aspecto um pouco complexo também que é a visão dos consumidores, especialmente os consumidores dos países ricos, Europa, Japão. Poxa se eu for comprar produtos do Brasil eu vou estar piorando a situação dos meus agricultores e, portanto, do tecido social do meu país. Então eu tenho ressalvas nessa questão de abrir mercado para o Brasil. E relacionado a isso o embaixador Roberto Azevedo diz que a diplomacia tradicional precisa ser muito complementada pelo trabalho do setor privado, que tem de ser o construtor dessas alianças. Temos de construir pontes em um mundo que está destruindo pontes do ponto de vista da geopolítica, da polarização, mas o que o embaixador ressalta é o setor privado trabalhar, inclusive para criar métricas do ponto de vista ambiental e levar em conta a agricultura tropical do Brasil, porque como ele disse uma segunda safra ou um plantio direto são problemas na visão da métrica do hemisfério Norte. Portanto, nós temos de nos virar nos 30 para provarmos mais uma vez que no Brasil o agronegócio é uma solução e não um problema mundial”.  

Na conclusão, nossos desafios estão de verdade em agroalianças começando dentro de casa com governos no seu papel de planejamento de estado na infraestrutura, logística, soluções no campo da diminuição da dependência do país dos fertilizantes importados, da irrigação, e nas relações que estão além das porteiras das fazendas.

Nosso desafio está em preservar os agricultores e, sim, desenvolver urgentemente tudo o que antecede os agricultores e o que está após as porteiras das fazendas como armazenagem, agroindustrialização, transição energética, inovação,  comércio e inteligência e logística nacional.

Ouça as entrevistas completas no podcast abaixo ⬇️.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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