CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Sistema agroflorestal vai criar o maior produtor de cacau do mundo e gerar diesel verde para aviação no bioma amazônico com sustentabilidade

Publicado em 23/06/2023

Divulgação
Milton Steagall, Ceo do Grupo BBF.

Entrevistei Milton Steagall, Ceo do Grupo BBF - Brasil Biofuels, que atua no Pará e em Roraima. Ele revelou para o Agroconsciente da Eldorado uma iniciativa inédita para vir a ser o maior produtor de cacau do mundo e, com isso, suprir o mercado interno brasileiro, pois somos importadores do cacau; e, além disso, desenvolver num plantio consorciado então do cacau com açaí e palma, o óleo de palma, e aí vem outra inovação excelente, a produção do “combustível sustentável de aviação” SAF, o diesel verde, e tudo isso ESG, meio ambiente, responsabilidade social e governança.

Vamos ouvir Milton Steagall, Ceo do Grupo BBF: “Tejon, muito obrigado pela oportunidade e pelo espaço para contarmos um pouco mais sobre os novos negócios do Grupo BBF. O cultivo sustentável do cacau certificado que o Grupo BBF iniciará ainda neste ano será realizado em modelo de sistema agroflorestal, consorciado com a palma e o açaí. Nosso objetivo com esse projeto é acelerar a recuperação de áreas degradadas da floresta amazônica a partir do cultivo de espécies nativas e impulsionar a captura de carbono em nossos plantios. O cultivo do cacau e do açaí deve começar ainda este ano com cerca de mil hectares no estado do Pará. Ao todo 30 mil hectares devem ser plantados com as frutas nativas da Amazônia pela empresa que projeta chegar em 2030 como detentora da maior produção individual de cacau do mundo. A companhia investe em tecnologia de ponta, e planejamento minucioso para alcançar este objetivo, contribuindo para o desenvolvimento /sócio-econômico e a preservação ambiental das regiões onde atua. Em 2022 o Grupo BBF firmou um acordo com a Vibra para fornecimento do combustível sustentável da aviação, o SAF, e diesel verde, conhecido também como HVO. Cerca de 100 mil hectares de palma de óleo precisarão ser plantados pelo Grupo BBF para a produção dos 500 milhões de litros anuais dos biocombustíveis de segunda geração. O novo projeto, além de promover a promoção dos inéditos  biocombustíveis, irá acelerar a recuperação de áreas degradadas e ainda gerar novas oportunidades de cultivo como do cacau certificado. O plantio da palma de óleo segue uma das legislações ambientais mais severas do mundo. O zoneamento agroecológico da palma de óleo, que permite que essa planta seja cultivada em áreas degradadas até dezembro de 2007. Vamos usar o cacau e o açaí, que são duas espécies nativas da região, nas áreas em que a palma não pode ser cultivada o que permitirá a aceleração na recuperação das áreas degradadas além da captura e estoque de carbono. Assim como a palma de óleo, o cultivo do cacau e do açaí não pode ser mecanizado. Com isso vamos gerar milhares de novos empregos no campo em um modelo de cultivo sustentável que acelera a recuperação do bioma amazônico. Vamos produzir um cacau de alta qualidade certificado, seguindo as mais rigorosas premissas de ESG do seu cultivo. Vale ressaltar que atualmente cerca de 65% do cacau consumido no mundo é produzido na Costa do Marfim e em Gana. Os 30 mil hectares projetados pelo Grupo BBF para o cultivo da fruta é uma imensidão se comparado a média das propriedades rurais desses países que possuem até 7 hectares em média. O nosso produto será 100% rastreado do fim ao início da cadeia”.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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