CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - “Sonho que se sonha só é só sonho, mas sonho que se sonha junto é realidade"

Publicado em 07/06/2021

Divulgação: Ibama
Semana Mundial do Meio Ambiente

A luta da consciência e sensatez é eterna e se sonharmos juntos vamos ganhar a guerra do meio ambiente e do alimento para todo ser humano. Na Semana Mundial do Meio Ambiente quais são os gols contra e os gols a favor que o Brasil levou e que marcou se estivéssemos numa partida de futebol?

Os gols a favor primeiro então. Vamos ficar em 3 belos gols. Gol 1 a favor: Ministério da Agricultura. Podemos comemorar na semana mundial de meio ambiente o programa ABC + Agricultura de Baixo Carbono. Não se trata apenas de mais um plano que não ultrapassa as boas intenções. É real. Já temos mais de 50 milhões de hectares dentro dessa proposta com plantio direto na palha, integração lavoura pecuária com 12 milhões de hectares e uma meta de 10 milhões de hectares com lavoura, pecuária e floresta.

A Rede ILPF um show positivo, e agora dias 9 e 10 quarta e quinta-feiras, a fazenda Santa Brigida, em Ipameri, Goiás, open farm, aberta para você conhecer. Carbono mínimo e carbono zero é o objetivo. Também dentro desse gol, os biodigestores fazendo da biomassa energia elétrica, o biogás, com geradores criados para esse fim como MWM. Ainda também temos o programa rural sustentável.

Gol 2 a favor: outro golaço é o Código Florestal, que foi trabalhoso, difícil e teve uma magistral coordenação do deputado Aldo Rebelo. Temos a mais rígida lei florestal do mundo.

Gol 3 a favor: o terceiro gol vai para a iniciativa privada e a sociedade civil organizada em iniciativas como a Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura; Instituto Araguaia e um big data como o Observatório da Agropecuária com apoio da CNA Senar e do MAPA. Exemplo positivo da sociedade civil organizada, governo e iniciativa privada.

E os gols contra. Gol 1 gol contra: falta de governança no combate ao crime, e o desmatamento cresce. A polícia federal registrou que o exército não está mais atuando no combate ao garimpo. Alegação é falta de recursos. Crescendo o desmatamento ilegal na Amazônia, exatamente neste mês da Semana Mundial do Meio Ambiente por relaxo da fiscalização e saída das tropas. Ficou legal para o ilegal.

Gol 2 contra: Ministério do Meio Ambiente. Infelizmente com acusações onde a polícia federal brasileira, a partir de uma exportação de madeira considerada ilegal pelos Estados Unidos, deixa o ministro numa situação, sob o ponto de vista de reputação, extremamente delicada. Sabendo hoje com a ciência, que o drama dos dramas sobre o clima, o problema não é boi, não é agricultura, não é pecuária, é desmatamento.

Gol 3 contra: temos a melhor lei, o código florestal mais rígido do mundo mas ainda não o implementamos. A não aplicação da lei para punir ilegais é o pior de todos os gols que podemos tomar, pois 5% de ilegais sujam a imagem de 95% dos corretos, certos e éticos. Esse aí dá o 3x3, precisamos da luta consciente e sensata para ganhar o jogo.

Hoje (dia 7) também é o Dia Mundial da Segurança Alimentar. Que possamos em breve jamais deixar um ser humano sem a dignidade da comida para viver. Isto vai exigir coordenação global de estoques, e uma separação entre planejamento estratégico para os mercados com renda para comprar, versus as regiões e povos que precisam comer mas que não têm dinheiro para consumir. A filantropia de impacto também precisará crescer. E como canta Raul Seixas: “sonho que se sonha só é só sonho, mas sonho que se sonha junto é realidade”. Este é o sonho mais justo dentre todos.

Consciência e sensatez, a luta pela vitória do bem.
 

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Conversei muito nestes dias com o pesquisador da Embrapa Solos José Carlos Polidoro. Ele está no Grupo de Trabalho do Plano Nacional de Fertilizantes que será implementado a partir do final deste mês. O plano objetiva a médio e longo prazos permitir que o Brasil reduza a menos de 50% sua dependência de fertilizantes importados, dobrando a oferta para mais de 80 milhões de toneladas até 2050.
Ao final do 10º CNMA – Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, uma mesa de conclusões e síntese foi constituída com Juliana Lopes, diretora de ESG e Compliance da Amaggi; Karla Spotorno, jornalista da Agência Estado; Paula Packer, chefe da Embrapa Meio Ambiente e Marcello Brito, secretário enviado especial para a COP30, a quem coube ser o porta-voz das conclusões do painel, que contou com a moderação do professor José Luiz Tejon, curador do CNMA.
Eduardo Assad, pesquisador da Embrapa, doutorado na Universidade de Montpellier e pós-doutorado em agroclimatologia, foi energicamente enfático ao afirmar que se atuarmos como negacionistas na questão das mudanças climáticas os prejuízos para um país com forte dependência do agronegócio serão catastróficos.
Em um evento na Avenida Paulista, coração financeiro do país, a Cooperativa Sicredi realizou um encontro de lideranças e cooperados para uma visão econômica do Brasil , do cooperativismo de crédito e decisões de investimentos.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite