CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Cooxupé bateu recorde no café, mas Carlos Augusto, seu presidente, diz: “sustentabilidade para ter produtividade é essencial”.

Publicado em 31/03/2025

Divulgação
Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupé.

O presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, a maior cooperativa de café, comemorou o recorde de vendas de café no ano passado e a maior distribuição de sobras aos cooperados. O faturamento atingiu R$ 10,7 bilhões em 2024, um crescimento de 67% sobre 2023.  Na Assembleia Geral Ordinária da cooperativa, no último 28 de março, os cooperados compostos por 97,4% de agricultura familiar, mini e pequenos cafeicultores, receberam uma ótima notícia da distribuição de R$ 134,4 milhões para seus bolsos. São as sobras, quer dizer, parte do lucro que retorna para os associados da cooperativa.

Entretanto o presidente da Cooxupé disse que os altos preços do café contribuíram para esse resultado, porém enfatizou seguir concentrado na sustentabilidade da cooperativa incluindo a resiliência dos cooperados para os desafios climáticos. O clima tem desafiado também a cafeicultura brasileira.

O café tem crescido na demanda mundial, inclusive com o hábito de “tomar café” crescente em grandes populações, principalmente na China que tem hoje a 2ª maior economia do planeta e sua juventude circulando pelo mundo e estudando em universidades europeias e norte-americanas desenvolve hábitos ocidentais, onde o café e suas cafeterias impulsionam um estilo e um prazer de consumo como um “estado de espírito”.

O Brasil é também o 2º maior consumidor mundial de café, atrás dos Estados Unidos, cliente da Cooxupé que também vende para países como Alemanha, Bélgica, China, Argentina, Canadá, Japão e Suécia, mais de 50 países.

Uma cooperativa como Cooxupé é exemplar, pois a estratégia está muito além de somente plantar e colher. Significa investimentos realizados de R$ 91,3 milhões na modernização, incluindo robotização.

Agregação de valor com industrialização do café é outro exemplo da Cooxupé, onde sua indústria de café torrado e moído completou 40 anos. Existe uma parceria com a Master Expresso e os produtos Cooxupé já estão no varejo de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro e expandirão para outros estados.

Portanto, a demanda mundial do café é crescente principalmente por uma juventude de países onde o consumo era praticamente inexistente que passa a adotar esse hábito ocidental, com destaque para o mercado chinês, e asiático.

Ainda destaco o protocolo gerações que obteve prêmios internacionais de sustentabilidade como na Cop-29 sendo reconhecido também pela Plataforma Global do Café.

O destaque deste comentário fica sobre o produto que o Brasil é o maior produtor mundial, também o 2º maior consumidor mundial, o maior exportador do planeta, o café que tem associação natural e histórica de marca com o Brasil, se olharmos para o potencial crescente de demanda, tanto no mercado interno quanto global, podemos imaginar o quanto a cafeicultura brasileira tem de oportunidade para sua expansão.

E como riscos destaco as declarações de Marcos Antônio Matos, CEO do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), quando no auge das vendas apontava para café parado nos portos com atrasos de navios e rolagens de cargas. A estrutura de transportes e logística significa também um desafio para todo agro do país com implicação na formação de preços dos alimentos. O que acontece pós-porteira das fazendas impacta muito mais o consumo e seus preços bem como a sustentabilidade.

O  exemplo da Cooxupé, e do ótimo trabalho do Cecafé devem nos inspirar para todo agroconsciente nacional.

E nesta, do café, vai ser difícil o presidente Donald Trump meter a mão na taxação, mas aqui no Brasil o desafio climático  e a logística significam nossa maior preocupação, e vou tomar meu café com a Rosalinda, a senhora aqui na porta do meu metrô que tem um café delicioso e tem um preço muito bom.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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