CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - “Reciprocidade” é a estratégia da negociação brasileira com o mundo e tem PL da senadora Tereza Cristina, chances do acordo UE Mercosul ser ratificado.

Publicado em 17/03/2025

Divulgação
Senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) foi ministra da Agricultura do governo anterior e se destacou por ter consertado diversos problemas diplomáticos nas relações internacionais. Um deles, que tive a oportunidade de ouvir diretamente dos envolvidos, foi com o mercado árabe quando o Brasil cogitava de transferir sua embaixada para Jerusalém, provocando pesada antipatia dos nossos clientes muçulmanos.

Tereza Cristina lidou pessoalmente com a questão e recebi elogios da sua atuação. Então, agora, ela criou o PL da reciprocidade num substitutivo do PL 2.088 de 2023 do senador Zequinha Marinho (PL-PA) e declarou ao agro Estadão: “quando o autor fez a lei foi mais para parte ambiental. Nós abrimos para que fosse uma lei que pudesse assegurar aos produtos brasileiros proteção para ataques especulativos”, e continuou a senadora Tereza Cristina: “existia uma preocupação maior com a Europa, mas hoje nós estamos vendo que os Estados Unidos podem sobretaxar os produtos brasileiros”.

Em convergência com essa visão lúcida da senadora Tereza Cristina, as negociações brasileiras sendo conduzidas por Geraldo Alckmin também estão pautadas na formulação do conceito “reciprocidade” versus retaliações. E eu acrescentaria x “bravatas”.

Outro ponto significativo a ser considerado neste ano de 2025 está na mudança das presidências do Mercosul e do conselho Europeu, saindo das mãos da Argentina e da Polônia, respectivamente, e entrando o Brasil e a Dinamarca a partir do 2º semestre.

O Mercosul e a União Europeia fecharam o acordo de livre comércio no dia 6 de dezembro de 2024. Isto tem agora no “Reino de Trump” significativa importância, pois terá a dimensão de envolver 780 milhões de pessoas e mais de 1/4 do PIB mundial, ainda sem considerar o potencial de crescimento estrutural do Mercosul com Brasil nos próximos 15 anos.

Com o novo comando do Mercosul e do conselho europeu entre Brasil e Dinamarca, e a guerra tarifária que estimula a incerteza e a desconfiança, mais a dúvida da situação Rússia/Ucrânia, Oriente Médio, e impactos na China, na Ásia e na África, temos uma posição excelente para observar o mundo e falar de reciprocidade e não de retaliação e muito menos “bravatas”.

Estamos com uma super safra, mesmo com problemas climáticos, colheremos 325 milhões de toneladas de grãos e, partindo para uma nova safra com perspectivas de continuidade do crescimento onde a lei do combustível do futuro, mais  projetos de inclusão de 40 milhões de hectares de áreas de pastos degradadas, sem tirar uma árvore sequer e, ao contrário, plantando florestas em sistemas integrados vegetal & proteína animal nos permitem, sem arroubos ou ilusões, termos uma efetiva realidade esperançosa do país nesta muvuca planetária verborrágica e insalubre.

Espero que Trump pelo menos não taxe a nossa cachaça, imagine a frustração dos consumidores dos Estados Unidos sem poder usufruir da maravilhosa, a mais deliciosa, a nossa caipirinha e a champagne que se cuide!

Mas voltando ao começo, PL reciprocidade e senadora Tereza Cristina, ouvi dela, numa reunião com sua presença na frente de Donald Trump no seu primeiro mandato, ele cobrava isenção tarifa zero para o etanol americano no Brasil, e a ministra perguntou: “o senhor também dará taxa zero para nosso açúcar senhor presidente?”

Reciprocidade a palavra da diplomacia, que exige coragem com a firmeza da educação. Que a COP-30, em Belém, possa celebrar a ratificação do acordo União Europeia Mercosul. Será ótimo para o mundo e todo cinturão tropical do planeta terra.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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