CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Líderes FMC e Programa Fundação Dom Cabral (FDC)

Publicado em 22/08/2022

Divulgação FMC
Líderes FMC

Instituto Ayrton Senna, mídias, comunicação e até o Pão de Açúcar no encontro de líderes FMC, com a Fundação Dom Cabral no workshop comunicação do setor.

Nos reunimos em cerca de 30 líderes do agro na cidade de Ribeirão Preto no final de julho deste ano 2020 para debatermos os desafios da comunicação. Este encontro faz parte de um projeto de altos líderes do agro promovido pela FMC, tendo na FDC, Fundação Dom Cabral seu braço acadêmico.

Apresentamos exemplos de comunicação do agro pelo mundo, mostramos as fórmulas da comunicação, o composto mercadológico da administração de marketing, e os participantes reunidos em grupos apresentaram as suas conclusões, nos autorizando a publicá-las. Há uma ênfase maior no setor da cana de açúcar, predominante nas discussões.

Educação foi um ponto considerado vital, onde escolas e professores seriam um grupo com foco prioritário.

A cana de açúcar precisa ser comunicada mostrando a riqueza dos seus derivados, com sustentabilidade, o setor precisa de uma atualização de imagem.

Os grupos mostraram também que o açúcar precisa ser tratado e protegido de uma “vilanização” e pedem campanhas associando o açúcar a alimento e energia a um consumo com moderação e consciente.

Itens como a levedura devem ser promovidos pois impacta o “feed & food”. Etanol na cogeração renovável e energia limpa.

Considerando a fórmula da comunicação os grupos concluíram que o EMISSOR da campanha deveria ser os agricultores, os originadores por ter maior credibilidade. Os decodificadores, os órgãos oficiais e a iniciativa privada deveriam atrair ídolos, personalidades que oferecessem aval as mensagens, e uso de programas educativos. As mídias, TV e redes sociais, e os receptores - o público urbano.

Ainda dentro da fórmula da comunicação outro grupo ofereceu uma sugestão para decodificadores, ou seja, símbolos e personalidades avalistas da mensagem, o Instituto Ayrton Senna, o que foi considerado uma ótima ideia por todos. As mídias sugeridas neste grupo foram mais amplas: cooperativas, televisão, jornais, rádios. As mensagens teriam foco na sustentabilidade, meio ambiente, geração de saúde, descarbonização. Também escolas, um público comum a todos os grupos como fundamental.

Um dos grupos considerou a hipótese de reavaliar o termo “usina” como podendo estar carregado de preconceito e imagens do passado “usineiros”? Valeria uma pesquisa de percepção na sociedade para obter a imagem racional e emocional do setor pela sociedade urbana.

Uma das observações muito curiosas no grupo de líderes foi uma pergunta que deixamos aqui: “por que não estamos mais produzindo camionetes movidas a etanol?” A se confirmar esta notícia ações institucionais deveriam ser realizadas das entidades sucroenergéticas com o setor automobilístico.

Em síntese os grupos revelaram não apenas a importância da comunicação para a governança das percepções do setor, como ofereceram sugestões importantes de coordenação da comunicação com emissores, decodificadores, mídias, mensagens, público receptor e feed back, recomendando pesquisas de avaliação no progresso obtido na imagem pública.

A utilização do Instituto Ayrton Senna como apoio de credibilidade e referência com empatia perante a sociedade foi uma ótima ideia criativa. Da mesma forma a ampliação do escopo do setor, indo além do açúcar, do etanol, mas com um conselho sagrado: o açúcar como alimento nobre energético e vital para a vida, claro, consumido com moderação.

Verbas e orçamentos financeiros para realizar as campanhas deveriam sair da iniciativa privada, das grandes companhias do setor que deveriam cuidar da imagem pública do mesmo. Inclusive terminar com a relação 70x30 na opção do etanol x fóssil. E não esquecer dos pontos de vendas onde frentistas dos postos no país deveriam ser também alvo de conscientização. E isto tudo precisa ter um planejamento de longo prazo.

Eu poderia terminar adicionando uma outra curiosidade, temos o símbolo geográfico, um dos mais lindos do mundo, o “Pão de Açúcar” no Rio de Janeiro. E nunca o vi sendo utilizado como uma marca do agro tropical nacional! É muito menos pela própria cana de açúcar.

E consta que nos carregamentos do açúcar, nos primórdios, saindo pelo Porto do Rio, o calor derretia o açúcar e então exalava um cheiro delicioso, o do açúcar. E os marinheiros viam aquele morro único na forma de um pão. Logo, era “o Porto do pão do açúcar”.

Por que não nos apropriarmos do nosso Pão de Açúcar para uma imagem de energia limpa, cogeração, leveduras, biometano, o açúcar e adocicarmos o planeta com a paz que o nosso agro tanto representa e pode muito mais representar no mundo, além de sua comovente beleza estética.

Parabéns FMC, vocês dão um show de talento em relacionamento, educação e capital afetivo. Foi genial estar com vocês e a FDC, e todas as lideranças no último 29/7/2022 em Ribeirão Preto no Hotel JP.

Que as conclusões dos grupos impactem as lideranças do setor e isso se transforme em comunicação pura, ética, bonita de se ver e lucrativa para todos.

José Luiz Tejon

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