CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Tudo vira guerra de facções, até no agronegócio que vive e precisa muito mais de razões acima de emoções

Publicado em 11/02/2022

Divulgação
Jacto pulverizador

Vivemos uma enxurrada de guerras, brigas, conflitos em tudo. Inclusive no agronegócio onde ideologias e facções políticas só fazem mal, pois quanto menos governo melhor para o setor, assim tem sido um velho bordão. Governo bom é governo longe. Mas imagine isso sob fogo intenso para eleições?

A PL 6299/2002 dos pesticidas, ou seja, desde 2002 tem exaltado paixões, raivas e ódios. De um lado como se fosse a coisa mais importante salvadora e sagrada do agronegócio. E por outro, outras facções um crime cancerígeno devastador do alimento e do Brasil.

Nem um lado nem outro. Do ponto de vista científico, e do ponto de vista do pragmatismo, as instituições ligadas ao agronegócio, de produtores, comerciais, industriais e de serviços apoiam a PL.

Cientistas da Embrapa com quem conversei também são favoráveis, por uma simples razão. A lei que temos hoje é velha, de 1989. Levamos cerca de 7 a 8 anos para aprovar uma tecnologia nova. Isso faz com que produtos já em uso na Europa, por exemplo, aqui não estejam ainda. A burocracia. Então acabamos usando produtos antigos, velhos, que já não são usados mais em outra parte do mundo, porque simplesmente não foram ainda aprovados aqui.

E quando vamos para as culturas pequenas na sua dimensão econômica, segmentos e nichos da hortifruticultura, por exemplo, a coisa piora ainda mais em função dos custos das tramitações para aprovação e registro, o que afasta o interesse de companhias em trazer tecnologias novas para culturas pequenas, chamadas de minor crops.

Agora, sem dúvida, teremos muitos genéricos de tecnologias com patentes já vencidas sendo registrados no país. De forma alguma produtos com potenciais cancerígenos, mesmo em doses regulamentadas, podem ser aprovados e registrados.

Mas por outro lado, o que deixamos de olhar é o que já está acontecendo e já estamos a caminho, de uma revolução inovadora de biodefensivos. De bioinsumos. São produtos feitos a partir da biologia, utilizando cepas de pragas existentes, utilizando bactérias, quer dizer uma BioLINE, uma linha biológica para o solo, as plantas e os animais, incluindo ampliadores da resiliência como algas marinhas.

Os bioinsumos, sim, significarão um mercado que será maior do que os químicos hoje. E poderão conviver com bom senso e sem nunca esquecer o receituário agronômico.

No meu caso, pessoal, tenho diabetes. Não gosto nada de tomar meu glifage diário. Tomo por que preciso. E tomo duas cápsulas como meu médico manda. Se tomar o frasco inteiro de uma vez seria suicídio, com certeza, como afirmava o físico Paracelso no século XVI - a diferença entre o remédio e o veneno é a dose.

Muito além da polarização e da guerra nos pesticidas, agroquímicos ou agrotóxicos, como queiram chamar, o que mais precisaríamos do governo e da iniciativa privada é exatamente um planejamento estratégico de todo complexo agroempresarial. E relembrando o líder da agricultura conservacionista, regenerativa, o agrônomo Dirceu Gassen, in memorian, ele afirmava que “quanto mais tecnologia, mais capricho precisamos conservacionista”. Por isso educação e aplicação precisa e correta dos produtos fitossanitários é, sim, o que é fundamental.

E como a CNA coloca, e o editorial do Estadão revela hoje, estamos sem ordem nas necessidades de recursos, sem dinheiro para cumprir o Plano Safra até junho de 2022 e, além disso, sem uma gestão de crise que permitisse crescer a produção de grãos, que será igual ou menor do que o ano anterior, agravando economia, inflação e desesperos que iremos assistir em 2022/23.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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