CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Energia elétrica é o 3º custo na pecuária do leite e pouquíssimos usam o biogás

Publicado em 17/03/2021

Divulgação Rex Pecuária
Maria Antonieta Guazzelli, diretora da Rex Pecuária de Leite

Entrevistei a Maria Antonieta Guazzelli, diretora da Rex Pecuária de Leite, hoje com produção de cerca de 23 mil litros diários de leite, e ela afirmou que o custo da energia elétrica significa o 3º maior item da sua despesa depois da dieta e dos medicamentos. Para transformar essa despesa em lucro está construindo biodigestores. Além de ficar independente em energia elétrica e cortar essa despesa, a qualidade do subproduto do biodigestor oferece uma ótima performance como fertilizante do lado da sua agricultura.

O Brasil utiliza apenas 2% do seu potencial de biogás e hoje tem tecnologia e oferece viabilidade financeira para a construção dos biodigestores e utilização de geradores de vários portes conectados ao biogás, dentro do plano de agricultura de baixo carbono. Cristian Malevic, diretor da MWM Geradores acrescentou que o biogás é uma alternativa excelente mesmo para os lugares mais remotos do país. E a tecnologia está disponível.

No livro de Jorge Caldeira, Brasil paraíso restaurável, na página 105, ele cita o início da gigantesca transformação da geração de energia elétrica na Alemanha, a partir do ano de 1995. Numa cidade chamada Feldheim, um estudante de engenharia de nome Michael Raschemann, reuniu os agricultores, criaram uma cooperativa e ele vendeu geradores para usarem a matéria prima mais abundante nos campos, o esterco de porcos, aves, bois e cavalos, e os restos orgânicos das colheitas.

Fizeram biodigestores. Depois de grandes conflitos com as grandes companhias, na Alemanha, em 2019, 42% do total da energia renovável alemã era fornecida por indivíduos; 31,5% por empresários individuais; 10,5% por pequenos agricultores. E houve uma multiplicação de exemplos como Feldheim. O biogás para a agropecuária é uma riqueza ainda desperdiçada. E num breve futuro, eletricidade pode se tornar, sim, um novo produto dos produtores rurais, como nas usinas de cana, a cogeração já tem essa importância.

José Luiz Tejon para a Rádio Eldorado.

Também pode interessar

Falo de um assunto importantíssimo que é o Fundo de Impacto voltado ao agronegócio. Significa investimentos, busca de investimentos onde alimentos, energia, com o meio ambiente estejam ali conectados. E isso voltado ao grande patrimônio brasileiro de áreas já abertas, degradadas, onde nós podemos dobrar de tamanho sem cortar uma árvore sequer.
Conversei com Pedro Ronca, diretor da Fundação Mundial do Cacau (WCF), que nos explica a situação dos preços do cacau, e as ações da maior reunião do setor mundial ocorrida semana passada em São Paulo, onde a grande síntese é que somente através da sustentabilidade teremos resiliência para a produção agrícola doravante.
Presidente Lula ficou bravo com os preços dos alimentos que subiram. Bem-vindo ao mundo, eu diria. Assistimos a gangorra de altas e baixas dos preços dos produtos agrícolas no campo ao longo de décadas. Como o agricultor toma sozinho o risco, é natural que ele busque plantar produtos que tenham expectativas de preços melhores.
Agronegócio para ser agronegócio exige administração e coordenação do sistema de cadeias produtivas reunindo a agropecuária com o comércio, a indústria e os serviços. Este “design thinking” integra o estado da arte da ciência, de todas as áreas de exatas, biológicas e humanas onde sem administração e governança não obtemos o resultado da conjunção do antes, dentro e pós-porteira das fazendas.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite