CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - “Agricultor não quebra na baixa, quebra na alta”, Antônio da Luz/Farsul. Soja sofre no ciclo dos preços e lidera RJ.

Publicado em 06/02/2026

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Soja sofre no ciclo dos preços e lidera RJ.

O agronegócio sempre foi feito de ciclos de altas e baixas dos preços das commodities, bem como do custo dos insumos. Além de todas as incertezas climáticas, geopolíticas, e os fatores incontroláveis que de fato transformam a agropecuária num negócio de alto risco.

Portanto, numa hora difícil como essa o presidente da Aprosoja Brasil – Associação dos Produtores de Soja, Maurício Buffon, declarou ao jornal O Valor: “a crise vai ser muito pior este ano. Viemos de um nível de endividamento que tem se agravado com essa questão de juros que vão de 15% a 20% nos bancos. O produtor não consegue renegociar a dívida. O que está restando é a recuperação judicial”.

Ao lado dos juros, o preço da oleaginosa que já chegou a R$ 180 a saca no ano da pandemia, hoje está sendo comercializada entre R$ 90 a R$ 100. Pelos cálculos dos técnicos a rentabilidade só apareceria no valor de uma saca de 60 kg a partir de R$ 120.

Portanto, como o economista chefe da Farsul – Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, Antônio da Luz, sempre nos ensina, “agricultor não quebra na baixa, quebra na alta”. Quer dizer, decisões de plantios numa expectativa de preços fortes para a soja, com custos altos, cai o preço, acontece uma situação perversa como está. O Brasil se transformou no maior produtor exportador de soja do mundo, abastece mercados imensos como a China, superou os Estados Unidos, porém vive neste instante uma insegurança financeira.

As empresas no setor da soja lideram o número de recuperações judiciais RJ no campo. Do total de RJ no final de 2025, 493 pedidos, 217 são do setor da oleaginosa.

A produção total da soja no Brasil deverá se manter em torno de 176 milhões de toneladas, e deveremos assistir diminuição da produtividade por redução de investimentos em tecnologia.

Mesmo assim, do total de recuperações judiciais no Brasil em 2025, 5.680 empresas, o total do agro, 493, significa menos de 9%. E a soja menos de 4%.

O setor do agronegócio ė extremamente dependente de segurança financeira na gestão, com aversão total ao risco. Se endividar quando os preços das commodities estão altos e ser surpreendido por juros elevados e custos crescentes, e preços das commodities decrescentes, ė constatar exatamente a expressão do Antônio da Luz, economista chefe da Farsul: “produtor não quebra na baixa, quebra na alta”, na hora de decidir a próxima safra.

Esse cenário amplifica os resguardos das instituições financeiras e também a oferta do crédito aos produtores pelos fornecedores de tecnologia. 2026 o agro irá superar, mas a dificuldade crescerá.

Outra sábia lição eu ouvia de Shunji Nishimura fundador da Jacto S/A e da Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia, ele dizia: “na alta prepara para a baixa, se você estiver preparado vai crescer também na baixa, inovação e caixa, depois de alta sempre vem baixa e depois da baixa vem alta”.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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