CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - “Brasil tem arma secreta contra a crise”, The Economist

Publicado em 30/03/2026

Divulgação
Brasil tem arma secreta contra choques de petróleo: os biocombustíveis.

A revista The Economist publicou na semana passada (26) uma matéria afirmando: “com o petróleo em alta e uma crise energética global em curso devido a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, o Brasil conta com uma vantagem estratégica: os biocombustíveis”. A revista britânica enfatiza que “o Brasil tem uma arma secreta contra choques de petróleo e os biocombustíveis vão ajudar o país a enfrentar efeitos do conflito no Oriente Médio”.

Podemos afirmar que “não somos perfeitos, mas superamos”. No choque do petróleo dos anos 70 o Brasil estava numa situação extremamente mais frágil, dali surgiu o Proálcool que gerou o etanol, e também investimentos na Petrobras, onde temos na Única, União da Indústria Canavieira, com o presidente Evandro Gussi a entidade conectada a esse biocombustível etanol e outros derivados do setor sucroenergético; e na Aprobio – Associação de Produtores de Biocombustíveis do Brasil, com seu presidente Jerônimo Goergen e na presidência do conselho o ex-ministro Francisco Turra, com ênfase no biodiesel.

A The Economist, na sua reportagem, afirma que poucos países estão preparados para esse enfrentamento como o Brasil, e que “o Brasil construiu a indústria de biocombustíveis mais sofisticada do mundo”.

Essa reportagem, a partir de uma mídia de reconhecida credibilidade e reputação, além de fazer jus a iniciativa brasileira, neste instante de polarizações ė importante para a imagem brasileira no agronegócio mundial, pois sustentabilidade , meio ambiente vira a palavra de ordem e, sem dúvida, um país posicionado no combustível limpo, o modelo bio brasileiro, sem dúvida, carrega positividade na imagem brasileira para a marca Brasil e para os demais produtos das cadeias produtivas agro brasileiras.

Nessa mesma reportagem a The Economist registra que misturamos 30% de etanol na gasolina, 15% de biodiesel no diesel, “os mais altos do mundo”, e que temos no Brasil “três quartos dos veículos leves com tecnologia que permite rodar com qualquer mistura, desde gasolina pura até etanol”.

Mesmo com essa ótima observação da The Economist, os preços dos nossos combustíveis subiram nos postos, o que sem dúvida eleva os custos de todas as cadeias produtivas agroalimentares, porém, nessa mesma matéria a publicação inglesa destaca: no Brasil preços cresceram na gasolina e no diesel, porém incomparável com os saltos nos Estados Unidos de 30% na gasolina e 40% no diesel.

Destaco esta matéria internacional registrando um feito positivo no Brasil, muito longe de ser considerado um otimista, como afirmava Ariano Suassuna, escritor e dramaturgo (o Auto da Compadecida entre outras obras), “o otimista ė um tolo, mas o pessimista ė um chato, sou um realista esperançoso”. Então nessa terceira categoria do realista esperançoso, observamos que “não somos perfeitos, porém ao longo da nossa história superamos inúmeras gigantescas crises”.

Fundamental velocidade e foco estratégico no país, precisamos de máquinas agrícolas movidas a biocombustíveis, precisamos urgência numa política de biogás com biodigestores gerando biofertilizantes, biometano, importantes entidades como Abiogas, inciativas concretas como construção de bioplantas na cooperativa Primato em Toledo (PR) ao lado da MWM, marca da Tupy; urgentíssimo colocar em ação a política nacional de fertilizantes. Ė emergente logística ferroviária e fluvial, agroindustrialização e, sem dúvida, competência de diálogo na comunicação.

Há muito a ser feito no aperfeiçoamento brasileiro, e nos momentos difíceis, se tivermos juízo, iremos cobrar planos estratégicos com metas para serem auditadas das ações público privadas reunidas e integradas.

A divisão brasileira ė nosso maior inimigo, quem sabe com a nova governança a partir de 2027 possamos ter um plano “40 anos em 4”, na velocidade que o mundo exige e que o Brasil tem todas as condições para realizar.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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