CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - A importância do 1º Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento Abras

Publicado em 18/06/2021

Fórum ABRAS 2021

Agroconsciente está feliz nesta manhã! No último dia 17 de junho creio que floresceu a reunião do capital brasileiro com a democracia, uma cidadania vital para o Brasil.

A Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) convidou e reuniu, se fôssemos colocar os números da importância econômica e financeira, por alto, somamos, a maior indústria do país (25% da indústria nacional) de alimentos e bebidas, o maior comércio do país, supermercados, com todo valor bruto da produção agropecuária do Brasil, ali representada pela ministra da Agricultura Tereza Cristina.

Também presente o ex-ministro Alysson Paolinelli. Nessa conta já somaríamos cerca de 2 trilhões e meio de reais. Ali estavam também os setores financeiro, mercado de capitais, parte das indústrias metal mecânica, siderurgia, química, logística, tecnologia voltada à produção de alimentos e energia, os serviços e o ministro da economia, Paulo Guedes, com presidentes da iniciativa privada.

Somaríamos tranquilamente mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil diretamente envolvido ali presente, que impactam pesadamente a outra metade por demanda derivada.

Mas o mais genial dessa iniciativa da Abras e do seu presidente, João Galassi, foi incluir a cidadania como a própria ação contra a fome e a miséria pela vida do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, com seu CEO, o Kiko.

Diversos representantes do capitalismo consciente, da sustentabilidade, da responsabilidade social, e da governança sob os 17 objetivos do desenvolvimento social da ONU, eram vozes soando na mesma altura dos representantes do capital.

Então metade do PIB, o capital do país, se reuniu aos movimentos da cidadania consciente e assistimos além de uma coalizão multissetorial (essa é a legítima definição de agronegócio, um conceito de cadeias produtivas integradas), vimos a sociedade civil organizada, numa proposta uníssona de ESG - meio ambiente, responsabilidade social e governança, orientadas numa mesma bússola, voltados ao mesmo norte, crescimento econômico, tecnológico, com inclusão social, evolução da renda do povo, valorização e inclusão dos agricultores familiares, e questões da diversidade e da fome constantes em todas as propostas.

Quais foram os cinco itens de convergência ao final do fórum entre todos?

Ao final, com 45 líderes reunindo a “Av. Paulista e a Faria Lima (o capital)” com a democracia das questões profundas da cidadania, incluindo também o próprio ministro da Cidadania, João Roma, todos saíram com um compromisso conjunto de cinco prioridades:

1 - Redução de custos - ênfase na reforma tributária

2 - Consumo consciente - ênfase na economia circular

3 - Desperdício de alimentos - conectar o mapa da fome com o mapa do desperdício

4 - Fome - todos consideraram que um dos maiores países produtores de alimentos não pode ter fome: criação de bancos de alimentos e a prática best before, revendo a legislação da validade dos alimentos

5 - Falta de conhecimento - investimento em capacitação, treinamento, informação e criação da cultura ESG ao longo de todos os elos das cadeias de abastecimento

Diversos cases foram apresentados assim já orientados como JBS, Carrefour, Ambev, BRF, Coca Cola, KPMG, dentre outros, e ao final deste marcante encontro as palavras do presidente da Abras, João Galassi, foram: “temos uma longa jornada pela frente, mas saímos hoje mais fortes e unidos com a coalizão multissetorial numa posição coletiva”. A ministra Tereza Cristina gostou tanto que já marcou agenda para voltar ao assunto num prazo máximo de 15 dias.

Parabenizamos aqui no Agroconsciente esta iniciativa, onde esperamos que 17 de junho de 2021 seja um marco do planejamento estratégico para o crescimento do PIB do país, na reunião dos agentes que representam pelo menos a metade dele, e com impactos sobre a outra metade, e acima disso tudo que seja a vitória da união da iniciativa privada, com governo e com a governança da sociedade civil organizada, onde fome, diversidade e sustentabilidade estejam na mesma contabilidade.

Nunca ouvi falar tanto de agricultura familiar, logo de cooperativismo, e da qualidade do consumo popular, saudável e assegurado para todos, como neste fórum.

Estas 5 prioridades acessarão todas as demais, infraestrutura e logística, seguro, irrigação, armazenagem, educação, digitalização, etc.

Que se perpetue. E que se governe.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Estou aqui hoje em um momento muito especial no lançamento de um livro muito importante neste nosso mundo de guerras comerciais: “Brasil e Mundo Árabe”, aqui na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, escrito por seu ex-presidente, atual conselheiro de Administração e Orientação da mesma câmara, e cônsul da Tunísia, Rubens Hannun.
Conversei com Fábio Feldmann sobre as leis que protegem a nossa Mata Atlântica e ele me disse: “Tejon, você me perguntou sobre a Mata Atlântica e sobre tentativas de mudar a lei da Mata Atlântica e você me disse que o ouvinte Amauri Moraes estaria preocupado com isso. Em primeiro lugar eu queria dizer que a Mata Atlântica está protegida pela Constituição brasileira e é considerada um patrimônio nacional".
“Não esperar mais de Governos”, assim tenho registrado e gravado comigo a palavra de um líder excepcional do agro nacional, Alysson Paolinelli. A sociedade civil organizada precisa estar reunida para a orquestração de um planejamento estratégico que aponte para metas sustentáveis de crescimento do PIB, e no caso do complexo do agronegócio, minimamente dobrar de tamanho nos próximos 12 anos, com uma perspectiva de na soma das suas cadeias produtivas gerarmos mais de US$ 1 trilhão.
O empresário Jorge Gerdau Johannpeter, preside do Movimento Brasil Competitivo, em uma entrevista ao Jornal O Estado de S. Paulo (19/5 – página B12) afirmou: “No Brasil ninguém tem condição de resolver os problemas sem a mobilização de todas as frentes. O envolvimento do empresariado no país é insuficiente para ajudar na solução dos problemas macropolíticos. Deveríamos crescer 4% ou 5% ao ano. Está faltando debate aberto, e debater soluções não é se é esquerda ou direita”.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite