CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - Combustíveis sustentáveis na COP30 uma voz uníssona: E alimentos, E energia!

Publicado em 12/11/2025

Divulgação
COP30, em Belém do Pará

Na COP30, além da Unica - União da Indústria de Cana de Açúcar e Bioenergia, com seu presidente Evandro Gussi, colocou formalmente que a transição energética global precisa sair do discurso e entrar na fase de execução imediata e que deverá triplicar de tamanho até 2030, incluindo aviação e setor marítimo; também o MBCB – Mobilidade de Baixo Carbono para o Brasil – está com seu presidente José Eduardo Luzzi, em Belém, a quem eu pedi os pontos essenciais para essa transição. E o Luzzi me disse:

1 – Biometano, acelerar a produção via setor sucroalcooleiro, e nos aterros sanitários, e investir na distribuição.

2 – Etanol, conscientizar os usuários de carros flex, pois 35% apenas de usuários dos veículos flex abastecem com etanol, cerca de 65% ainda usa gasolina por desinformação e tabus.

3 – Biodiesel, combater fraudes e adulterações de combustíveis, que adulterados provocam problemas nos motores.

4 – Para todos esses fatores e para todos é preciso conscientizar sobre a importância climática e, no âmbito internacional, desmentir a noção de food x fuel e ao contrário é food & fuel, alimento e energia.

Então ao criarmos o Proálcool no final da década de 70 na gigantesca crise do petróleo iniciamos um conhecimento concreto de alternativa energética. E isso se revelou importantíssimo para o setor sucroalcooleiro, que passou a contar com duas commodities não mais apenas uma, o açúcar. A Aprobio – Associação Brasileira de Produtores de Biocombustíveis, com Francisco Turra na presidência do conselho, também na COP30, tem no biodiesel outro item fundamental na mudança climática e na transição energética. A MWM lançou recentemente motores a etanol para tratores, um exemplo pragmático da indústria.

Todos esses programas brasileiros, além dos impactos na sustentabilidade, na saúde humana e na mudança climática, oferecem ao Brasil caminhos econômicos, tecnológicos e de geração de renda com distribuição da renda, e representam para todos os países do cinturão tropical do planeta terra um legítimo caminho para vencermos a fome, a insegurança energética, a desigualdade social e a mudança climática, pois solos degradados e abandonados são fontes pesadas de emissão de gás carbônico. E o MAPA com a Embrapa já identificaram 40 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas prontas para receber os cultivos sustentáveis, onde a demanda por alimentos e energia formam um composto perfeito.

O Plano Renovabio criando Cbios em uma ação público privada é um modelo a ser seguido nacional e internacionalmente.

E, adicionalmente, no campo do etanol os Estados Unidos são os maiores produtores do mundo, terão muito interesse e apoiarão essa visão climática em função também dos seus gigantescos interesses e de seus milhares de produtores rurais. Além da Índia necessitando oferecer aos seus milhões de agricultores alternativa adicional de renda além do açúcar, totalmente subsidiado pelo governo indiano.

Portanto, cuidado no uso da conjunção Ou x E. Nesse campo a conjunção certa é E: alimentos E energia, uma sinergia totalmente positiva para todos, para o Brasil e o mundo inteiro.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Sem dúvida a agricultura e a pecuária brasileira moderna têm salvo a economia brasileira. O saldo da balança comercial no ano deverá atingir US$ 126 bilhões. Quer dizer, sem a agricultura e a pecuária como a fazemos nos últimos 50 anos estaríamos na mesma condição de subsistência e subdesenvolvimento da maioria de todos os países dentro da faixa tropical do planeta, o cinturão tropical.
A revista Forbes Agro fez a seguinte pergunta para alguns programas de IA regenerativa: “quem seriam as personalidades, pensadores e lideranças que têm influenciado o agro brasileiro nos últimos 10 anos?
Alimentos e agronegócio são plano de segurança de estado nas nações mais ricas e poderosas do mundo. Não é à toa. A história humana revela que alimento sempre foi uma arma de gigantesco poder nas guerras das nações e impérios. O Brasil é um fenômeno espetacular, pois nos últimos 60 anos se transformou na 4ª maior agricultura do mundo, e no maior exportador de proteína animal. E competindo com modelos agrícolas totalmente protegidos e subsidiados do hemisfério norte.
Conversei com André Matos, engenheiro agrônomo, produtor rural e diretor técnico da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), direto de Pelotas que faz um relato intenso da situação e reforça que não teremos desabastecimento no arroz e, sim, prejuízos na soja. Cerca de 360 mil famílias agrícolas do RS precisam de plano emergencial para a justa superação!
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite