CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - MP IOF cria um “tiroteio no salão estilo velho oeste”

Publicado em 16/06/2025

Divulgação
Ivan Wekedin, consultor e ex-secretário de Política Agrícola no Governo Lula

Conversei com Ivan Wedekin, consultor no primeiro mandato do governo Lula (2004) como secretário de Política Agrícola e responsável pela criação das LCA’s – Letras de Crédito do Agronegócio, com o objetivo de estimular as aplicações da iniciativa privada, que hoje já significam 30% de todo crédito oficial.

Vamos ouvir Ivan Wedekin sobre o impacto da MP do IOF sobre o agronegócio.

“Na última terça-feira o Governo federal enviou ao Congresso Nacional uma Medida Provisória que aumenta os impostos sobre aplicações financeiras e também outras medidas. Para mim, Tejon, que sou apaixonado pelos filmes de faroeste essa medida provisória promove um tiroteio no saloon. Acerta muita gente. Por exemplo no da agricultura e do agronegócio foi colocado um imposto de renda de 5% sobre os títulos do agronegócio que foram criados no primeiro mandato do presidente Lula em 2004. Lá, naquela época, se resolveu não colocar imposto que era para promover o financiamento privado do agronegócio. Por exemplo, a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), que é um título privado, emitido pelos bancos, comprado pelos investidores hoje já representa 30% do crédito rural oficial do país. Por exemplo, no final de maio o Conselho Monetário Nacional obrigou as instituições financeiras, os bancos, a aumentarem de 50% para 60% as aplicações de LCA no crédito rural já de olho no plano safra de 2025/2026 e que começa a vigorar a partir de 1º de julho. Portanto, por um lado o Governo incentiva as Letras de Crédito do Agronegócio e outros títulos agro e por outro lado coloca imposto. Com isso nós vamos ter muito provavelmente uma redução do mercado desses títulos dificultando o financiamento da agricultura brasileira. O tiroteio também acertou o segmento imobiliário, por exemplo, a Letra de Crédito Imobiliário e outros títulos que financiam a construção de casas no Brasil também estão sendo cobrados com essa alíquota de 5%. Portanto, como eu disse, o tiroteio alcançou muita gente, e a classe média em particular, e a população mais pobre que almeja uma moradia melhor da mesma forma como afetou e afetará a vida de 5 milhões de produtores rurais porque essas medidas vão aumentar o custo do dinheiro, o custo do crédito no Brasil. No caso da agricultura, isso é um tiro no pé do setor que mais cresce, mais gera divisas e que mais promove o desenvolvimento no interior do Brasil”.

Portanto significa contradições e bang bang na economia.

Ouvi também através do Ivan a observação do Sérgio Goldenstein, economista, ex-Banco Central que acrescentou: “sobre LCA ainda mantém atratividade dado o diferencial da tributação de 5% para 17,5% dos demais instrumentos. Uma medida que poderia ajudar, segundo Goldenstein, seria reduzir a carência das LCA/LCI de 6 para 3 meses.

Portanto, enquanto Trump faz a guerra das tarifas, aqui temos o festival dos impostos nas operações financeiras. Um tiroteio estilo velho oeste segundo Ivan Wedekin.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Vamos falar hoje sobre cooperativas. Vocês sabiam qual a cidade brasileira que tem o maior número de cooperativas no país? Exatamente a cidade de São Paulo. Aline Cardoso, que é secretária de Desenvolvimento e Trabalho, declarou: “a cidade de São Paulo hoje conta com mais de 800 cooperativas, sendo o maior número dentre os municípios no Brasil. Esse quantitativo mostra o potencial econômico que o setor apresenta não só para o poder público e privado, mas também para os diversos trabalhadores que encontram no cooperativismo a sua geração de renda”.
Hoje (30) a ABIA – Associação Brasileira da Indústria de Alimentos e Bebidas celebra 60 anos de existência e eu pedi ao presidente executivo da ABIA, o João Dornellas que nos mandasse a sua palavra aqui neste dia, dos 60 anos da ABIA.
A cidade de São Paulo tem 265 cooperativas *(matrizes + filiais, Fonte: OCB), sendo a maior cidade do país com a presença da instituição cooperativista. Um setor que onde se faz presente eleva o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), impacta o valor adicionado no PIB do país em mais de R$ 400 bilhões, propicia o aumento de empregos, de abertura de novas empresas e que na soma do seu movimento econômico financeiro, hoje, no Brasil, todas as cooperativas reunidas somam anualmente cerca de R$ 700 bilhões, com quase 24 milhões de pessoas envolvidas, e com perspectiva de crescimento atingindo R$ 1 trilhão e reunindo 30 milhões de cidadãos até 2027.
No debate dos presidenciáveis muito se falou da fome, do desemprego e do crescimento do país, e ninguém explicou o papel do agronegócio nisso, nem o mencionou num projeto de governo.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite