CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - Efeito “boomerang” coloca agricultura dos Estados Unidos contra Trump

Publicado em 06/04/2026

Divulgação
Os EUA, na administração Trump, coloca o mundo sob tensão e ataques que voltam como boomerang para seu próprio país.

Os Estados Unidos, na administração Trump, coloca o mundo sob tensão e ataques que voltam como “boomerang“ para o seu próprio país. Os fertilizantes, que significam a base de todo custo das lavouras chegando às gôndolas dos supermercados, explodiram de preços no mundo inteiro e lógico nos Estados Unidos também, apesar de terem muito menor dependência externa comparada ao Brasil. A safra americana tem início agora, e a Associação Nacional dos Produtores de Trigo – NAWG se manifestou para Washington com a seguinte nota: “a carga financeira atual ė insuportável aos produtores rurais”.

Nos Estados Unidos há uma tarifa de proteção à indústria doméstica de fertilizantes colocada em 2021 pelo governo Biden taxando concorrentes de Marrocos e Rússia com tarifas de até 47,06%. Com a guerra Estados Unidos, Israel, Irã, o estreito de Ormuz significa 1/4 do petróleo mundial e volumes consideráveis de fertilizantes, o enxofre que resultam no DAP fosfatados e no MAP monofosfatados de amônio, por exemplo, triplicou de preço.

Se os agricultores americanos não aguentam a situação dá para imaginar o Brasil cuja dependência de fertilizantes está na casa de 85%. Os americanos estão na boca do plantio agora. Aqui ainda temos uns dois meses.

O efeito boomerang, hoje um brinquedo no passado usado para caça na cultura da Austrália, quando arremessado retorna para quem o arremessou. Desta forma a estratégia Trump de confronto no mundo parece se revestir cada vez mais de um efeito boomerang, prejudica o mundo todo mas também retorna para seu próprio país.

A segurança alimentar do planeta está sob risco. Agricultura depende de logística, de transporte da movimentação das máquinas agrícolas, e isso exige petróleo, diesel. Agricultura mundial depende de fertilizantes para correção de solos e assegurar produtividade com o uso das modernas sementes que já são desenhadas geneticamente para aproveitamento máximo da nutrição dos solos.

Desta forma, ou esta guerra termina em dois meses ou esta guerra terminará com Trump, não só como um clamor mundial, mas principalmente com as pressões internas econômicas, inflacionárias e agora de um público que nas eleições foi totalmente eleitor de Donald Trump.

E aqui no Brasil, que possamos aproveitar em alta velocidade esse momento do mundo para ativar com prioridade o plano de biocombustíveis nacionais, o Plano Nacional de Fertilizantes e, sem dúvida , dar ouvidos a doutora pesquisadora Mariângela Hungria, Nobel Agrícola 2025, que afirma podermos diminuir consideravelmente o uso de f ertilizantes importados com a sua tecnologia de fixação de nutrientes nos solos a partir de microorganismos, “podemos substituir até 40% dos fertilizantes por bioinsumos, com o uso de microorganismos benéficos, além de evitar milhões de toneladas de gases efeito estufa”.

Na crise, tire o S e crie. Bioinsumos. Enquanto isso o presidente Trump desse jeito vai ganhar o troféu boomerang, tudo o que faz para fora retorna para dentro. Quem sabe se fizer o bem, receberá o bem também. E aqui no Brasil, hora e vez de motores a etanol. Biodiesel e biometano nas máquinas, caminhões e na mobilidade da infraestrutura nacional.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

 

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