CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - Hora de colocar o país em primeiro lugar

Publicado em 01/12/2025

Divulgação
O Brasil, sozinho, compra 23% de todo o fertilizante.

O jornalista Lourival Sant’Anna no Estadão deste domingo (30/11 - A19) escreve um artigo excelente: “Hora de pensar no interesse nacional”, e no seu texto destaca aspectos vitais para a segurança do agronegócio brasileiro.

Temos hoje no mundo duas grandes potências em confronto que não existia antes sob o ponto de vista de poderio e potencial econômico, os Estados Unidos, maior PIB do planeta, e China o segundo maior PIB do planeta mais de 3 vezes o terceiro colocado. Sim, a União Soviética significava um poderio militar, mas muito distante de uma competição na dimensão econômica da China hoje. E como já salientamos aqui no Agroconsciente, o crescimento brasileiro se transformando numa potência alimentar e tendo na China seu principal cliente não permite mais aos Estados Unidos utilizarem fontes alimentícias como arma para deixar Xí Jinping de joelhos.

No seu artigo Lourival Sant’Anna lembra a dependência brasileira da importação dos fertilizantes, a casa de 90% sendo que Rússia representa 25% do que importamos. O Brasil sozinho compra 23% de todo fertilizante importado no planeta. Hoje os custos da agricultura brasileira sofrem impactos do aumento dos preços dos fertilizantes e insumos, o que nos obriga a prestar atenção nos aspectos estruturais do antes das porteiras, toda indústria de tecnologia, mecanização, insumos, genética, e flagrantemente nos fertilizantes como foco prioritário para a segurança nacional do agronegócio.

Trump elevou de 25% para 50% a tarifa sobre a Índia por estar importando petróleo da Rússia. Trump quer e precisa como ninguém vender soja para a China ao custo de se não fizer isso será chamado de traidor por seus eleitores rurais. Portanto, temos gigantescos riscos mundiais e precisamos urgentemente diminuir nossa exposição aos riscos no complexo agronegócio, incluindo logística e agroindustrialização. As importações de nitrogênio e fósforo, os macros dos fertilizantes teem sido substituídos da Rússia por outros fornecedores.

Porém, o grande foco para colocar o país em primeiro lugar está numa liderança de planejamento e concentração de todas as atenções no “Plano Nacional de Fertilizantes, que tem por meta reduzir nossa dependência externa para cerca de 45% a 50%.

Adicionalmente termos também aberturas para investimentos em plantas industriais de biofertilizantes como registro aqui dois exemplos importantes do Campo Forte do Grupo JBS, da Cooperativa Primato no Oeste do Paraná com MWM Tupy, além de intenso suporte a pesquisas como da Embrapa, Dra. Mariângela Hungria, Nobel da Agricultura 2025 com sua pesquisa sobre fixação de nitrogênio no solo que impacta positivamente na fertilização de solos e plantas e na mitigação de custos.

A pesquisa, a criatividade e, principalmente, o foco que não seja desviado para conflitos polarizados, mesquinhos, (como Lourival Sant’Anna escreveu) egocêntricos, que costumam estar muito além de ideologias, ficam mesmo na casa das “egonomias”.

Se não colocarmos o Brasil em primeiro lugar ficaremos todos brasileiros na zona do rebaixamento, segunda divisão. E agronegocio é assunto sério demais para não obter total liderança estratégica.

Neste 1º de dezembro teremos o encerramento do ano de trabalho do Cosag – Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp, com Murillo de Aragão, advogado, mestre em ciências políticas e doutor em sociologia com o tema “Panorama da cena política brasileira atual”.

E também o tema “Irrigação no Brasil” com Lineu Neiva Rodrigues, pesquisador da Embrapa Cerrados, mestre e doutor em engenharia agrícola. Roberto Rodrigues, conselheiro do Cosag fará as considerações finais, e que este Fórum Cosag Fiesp esteja sempre a serviço de colocar o país em primeiro lugar. Obrigado Jacyr Costa filho presidente Cosag pela sua eficaz coordenação.

José Luiz Tejon para Eldorado/Estadão.

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