CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - Ministro André de Paula avalia a pesca e perspectivas para o Mapa 2026

Publicado em 24/04/2026

Divulgação
Tejon ao lado do novo ministro da Agricultura, André de Paula.

Estou em Brasília, com o ministro André de Paula. O ministro veio do setor da pesca e assume o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Fiz a primeira pergunta ao ministro: a pesca, como está essa área no Brasil e ele me respondeu:

“Em primeiro lugar estar na pesca por 3 anos e 3 meses foi uma grande experiência e vai ser muito valiosa aqui também no Ministério da Agricultura. A pesca já esteve, inclusive, aqui, mas o presidente Lula sempre entendeu que a pesca e a aquicultura no Brasil têm um potencial de ordem tal que justificaria a criação de um ministério que trabalha com as diversas áreas de atividade. Eu saio de lá muito feliz com o trabalho que nós pudemos realizar. Nós tínhamos objetivos e muitos deles foram alcançados, outros estão próximos, até a passagem aqui pelo Mapa eu tenho a impressão que vai me ajudar a realizar um sonho, sobretudo da pesca industrial que é voltar a oferecer o nosso pescado para o mercado europeu. Nós deixamos de oferecer em 2014, é um mercado além de grande, rigoroso, portanto fornecer os pescados para a Europa significa a possibilidade de fornecer para qualquer mercado internacional. Nós tínhamos lá como grande desafio reestruturar o setor, com a recriação de um ministério, montagem de políticas públicas que pudessem resgatar compromissos que foram assumidos pelo presidente Lula com o setor e a minha avaliação é de que nós conseguimos avançar muito. A pesca vive um momento importante, tem ocupado um espaço cada vez maior portanto no que diz respeito a aquicultura, quanto no que diz respeito à pesca, mas a minha avaliação é que essa foi uma experiência muito importante para chegar até o Mapa. Na realidade com o agro a minha primeira experiência se deu logo no início da minha vida pública quando eu me elegi pela primeira vez como deputado federal e fui convidado então governador de Pernambuco para ser, como eu fui por quatro anos, secretário estadual da produção rural e reforma agrária que era o equivalente ao que hoje é a Secretaria de Agricultura. Então essas experiências, sem dúvida, vão me ajudar no desafio enorme que a gente tem por aqui.”

Sem dúvida alguma, perguntei então ao ministro sobre a proteína do pescado, que tem uma tendência extraordinária de consumo. E quando se fala de agronegócio, águas, mares, todos fazem parte do sistema e, as vezes, esquecemos disso, e temos até as algas marinhas que também são extraordinárias. Daqui pra frente, no Mapa, quais serão os principais objetivos e ações até o final do ano. E o ministro me disse:

“Primeira percepção de que nós vamos passar aqui um tempo curto. Na realidade nós não estamos iniciando um trabalho, nós estamos dando sequência a um trabalho que vem sendo realizado desde o início do governo, portanto há 3 anos e 3 meses e que até a pouco tempo foi liderado com muito sucesso pelo ex-ministro Carlos Fávaro. O que nós estamos fazendo é dar sequência. Agora eu tenho a compreensão de que esse é um grande desafio, o momento é particularmente desafiador. Uma série de circunstâncias contribuem para que esse desafio seja ainda maior e essas circunstâncias nem sempre se cincunscrevem as questões que dizem respeito ao agro no Brasil. Nós estamos com dificuldades que são geradas por essa guerra que se refletem nos fertilizantes, no óleo diesel, isso tudo tem implicações que são desafiadoras e nesse momento o conjunto de incertezas que são adicionadas aquilo que já faz parte até da atividade. Então eu diria que apoiar o produtor rural que hoje tem de forma reconhecida dificuldades no que diz respeito a crédito, a inadimplência, seguir com políticas públicas importantes como promover um esforço do governo para que a gente possa apresentar um Plano de Safra robusto, mas que ao mesmo tempo tenha a preocupação com a questão das taxas de juros porque não adianta só disponibilizar recursos significativos se você não viabilizar o acesso a esses recursos. Então eu diria que nesses primeiros dias aqui a gente vai começando a ter uma maior aproximação com essa realidade lá na ponta. Mas, repito, o que me deixa muito entusiasmado é que eu já encontrei aqui uma equipe muito eficiente, que toca programas com muito sucesso, que estabelece uma interface com o setor importante, eu estou me valendo disso, para vamos dizer assim encurtar caminhos, gerar pontes que permitam a gente buscar a parceria que é sempre muito importante. Eu acredito muito nisso, que o sucesso é necessariamente algo que a gente precisa conjugar de forma coletiva, então unir o governo, os três níveis de governo, unir a iniciativa privada, o produtor lá na ponta, a academia, os pesquisadores que estão lá na Embrapa, enfim, em todo o setor para que a gente possa avançar com sucesso.”

Ministro André de Paula eu lhe desejo boa sorte! O Brasil é um espetáculo no agro e aqui nesse fechamento de ciclo, como o senhor coloca, que consiga fazer um coroamento do que é mais importante para o Brasil nesse momento realmente complicado. Sucesso.

“Muito obrigado. Eu tenho ouvido aqui, recorrentemente, na medida em que eu vou recebendo e conversando com os setores, sempre ao lado desse boa sorte que você me deseja, “ministro, a sua boa sorte será a nossa boa sorte”. Então apostando nisso, eu aceito com muito carinho esses votos tão generosos que você me faz”!

Bom trabalho e obrigado ministro!

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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