CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - Produtor rural não faz “commodity”, faz saúde mundial

Publicado em 12/12/2025

Divulgação
Ana Doralina Menezes, presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável

O valor agregado na origem transformará a categoria de produtoras e produtores em definitivos agentes da saúde do planeta em todos os sentidos. E todos os produtos que chegarão aos consumidores finais serão avaliados e precificados não mais apenas pela transformação agroindustrial, distribuição, comércio, serviços, passarão a contar algo que ficava invisível, de onde veio, quem fez, como fez e com quais valores éticos e nutricionais já “embarcou”, diferenciais qualitativos saudáveis e sustentáveis desde sua originação nos campos, águas e mares.

 Uma “descommoditização” para justa precificação de valor na origem agregado. Produtoras e produtores rurais, novos agentes da saúde modernos, “agro originadores”. Só para relembrar a definição de commodity é: “mercadoria, produtos básicos não industrializados, matérias primas sem diferenciação de quem as produziu, ou da sua originação, e seus preços são determinados pela oferta e procura internacional”.

Conversei com Ana Doralina Menezes presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável e fiz a seguinte pergunta: quanto tempo levará para produtoras e produtores serem remunerados pelo valor agregado originado e não mais somente como uma commodity?

Ela respondeu: “Hoje em dia já existem projetos que buscam e que realizam remunerações diferenciadas valorizando informações de diferenciação de produto. Porém são pequenos dentro da escala enorme de produção do país, que hoje o que observamos é que esse movimento de ampliação é real, ou seja, o mercado, principalmente o consumidor lá na ponta pedindo mais informação e valorizando essa informação, trazendo um diferencial de valorização para os produtos que trazem as informações de produção. Então nesse sentido cada vez mais a cadeia vai ter de se organizar e, consequentemente, a remuneração diferenciada vai ganhar amplitude, sem a menor sombra de dúvida. Então o que prevemos é que em 10 anos, no máximo, ocorrerá uma grande transformação dentro da cadeia, essa descommoditização, essa é a palavra, tirando o produto do commodity, trazendo para ele a possibilidade de agregação de valor em um momento que conseguimos posicionar outros diferenciais”.

Sem dúvida, estamos nesse caminho de forma inexorável. Rumo ao valor que diferencia desde a origem a qualidade, o sabor e os valores sociais, ambientais. Governança chega no campo para valorizar a originação.

Produtoras e produtores com suas representações modernas iniciam diálogos e negociações objetivando uma justa remuneração diferenciada por produtos que são originados nos campos, águas e mares, que não podem mais serem tratados como simples commodities a preços frios das bolsas e dos mercados de transações.

Assim tem sido ao longo da história dos alimentos, agricultores produzem as matérias primas nos campos, elas são processadas e têm valor agregado na agroindustrialização, no comércio, nos serviços. Até pouco tempo atrás não importava de onde vinham os produtos agrícolas, quem os produzia, como eram plantados, criados, cuidados? Mas isso está mudando. De mini “terroir” o agro vai virar uma gigantesca soma de “terroir” regionais, locais e mundiais.

Com um agroconsciente, segmentos sociais, consumidores, ao lado da ciência e da educação, cooperativas, associações de produtoras e produtores passaram a dar importância e preferência a marcas de produtos nas gôndolas dos supermercados, nos restaurantes, fast food, nas marcas da moda, da beleza, do setor energético, enfim de tudo que tem sua originação  no início da cadeia produtiva do agribusiness, campos, águas e mares, dependendo de como são originados, ambientalmente tratados, enfim como ficou na expressão do Dr. Ray Goldberg, criador do próprio conceito de agronegócio nos anos 50, ele disse: “doravante sinônimo de alimento é saúde”.

Portanto, sem dúvida, criadores e agricultores irão defender e merecer valores diferenciados por suas produções que já impactam e têm na sua origem valor agregado. As práticas conservacionistas que protegem a saúde dos solos, das águas, da natureza. Os nutrientes incluídos num alimento desde o melhoramento genético da semente, passando pelos seus fertilizantes, pela gestão de precisão das máquinas. Os sistemas de plantio direto, agricultura de baixo carbono. Na pecuária os modelos de integração lavoura, pecuária, floresta, iniciativas várias como novilho precoce, modelos agroflorestais, enfim sistemas de originação sustentáveis e agora sendo exigidos com rastreabilidade total em todos os biomas brasileiros.

Isso é ótimo, mas tem custos: tecnologias, capacitações, aprimoramento, perfeição na origem que sempre sofre efeitos de fatores incontroláveis como clima, pragas, doenças, conflitos geopolíticos e ausência de planejamentos estratégicos profundos e sérios minimizando os riscos e incertezas que a atividade agropecuária apresenta de forma inegável.

Ana Doralina Menezes, membro de um diferenciado grupo de mentoria ao meu lado e presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, é uma das novas lideranças que cada vez mais irão interligar e conectar o valor agregado da originação com frigoríficos, laticínios, agroindústrias, supermercados e redes de comércio e serviços alimentícios, energéticos, fibras, e todas as demais bio-oportunidades saudáveis existentes e ainda a serem descobertas.

Ela retornava de um grande workshop com a Rede de supermercados Angeloni, no Sul, falando do campo ao prato para consumidores do varejo. Semana passada a ABCS Suínos também se reuniu com a rede do varejo para tratar da proteína suína.

Me parece que produtoras e produtores, os agro originadores, com supermercadistas os que falam todos os dias com 27 milhões de consumidores no Brasil tem muito em comum e juntos cada vez mais.

Agro originadores & agro vendedores! O novo agro está obrigatoriamente interconectado, e produtores merecem remuneração pela origem diferenciada. Saúde não é commodity. Produtoras e produtores fazem saúde mundial e já agregam valor na origem.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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