CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - Sem estratégia de comunicação agrobrasileiro fica vulnerável

Publicado em 10/04/2026

Divulgação
Estamos sob investigação dos Estados Unidos através do USTR, agência de representação comercial americana, com acusações de práticas comerciais consideradas prejudiciais aos EUA

Estamos sob investigação dos Estados Unidos através do USTR, agência de representação comercial americana, com acusações de práticas comerciais consideradas prejudiciais aos Estados Unidos.

Itens como o famoso “pix” estão na mira, incluindo comércio digital dentre outros, porém dois deles envolvem o agro brasileiro diretamente, o etanol, e o mais grave que pode ser usado para estragar a imagem da originação da agropecuária do país que envolve o “desmatamento ilegal”.

A investigação do governo Trump, se for utilizada de forma manipulada para questões da competitividade do agro brasileiro x o agro dos Estados Unidos, poderia passar uma percepção de que os produtos agro nacionais estejam sendo produzidos ao preço da devastação irresponsável das florestas, o que daria a entender que quando um país compra grãos, carne, frutas, algodão, biocombustíveis, celulose, café, seja o que for do Brasil, estaria acentuando o “desmatamento” e causando danos no planeta incluindo mudanças climáticas globais.

Sabemos que isso não ė verdade e que o agro brasileiro atende os mais exigentes padrões de todos os clientes internacionais, o que ė demonstrado hoje nos estudos apresentados com dados da Serasa Agro, ao lado de exportadores do Brasil em fóruns internacionais.

O crime ilegal porém existe e sendo hoje o Brasil o maior concorrente mundial dos Estados Unidos no agro, e vice versa, os Estados Unidos o maior concorrente do Brasil em diversas commodities, essa investigação sendo conduzida pelo USTR, num momento em que agricultores norte-americanos estão reclamando fortemente da gestão Trump em função dos custos para produzir, e também pela preferência que o maior cliente do mundo tem dado ao Brasil e não aos americanos, a China, acrescentando o acordo União Europeia e Mercosul, vejo uma grande possibilidade do tema “desmatamento” e da associação dessa palavra com a menção à Amazônia, um nome hoje de gigantesco impacto nas conversas ambientais e de segurança do planeta, que isso possa ser ardilosamente associado ao agro saudável tropical brasileiro.

A inexistência de um planejamento estratégico de comunicação brasileira com as nações do mundo, e não apenas nos níveis da diplomacia, ou das tradings, quer dizer indo além do universo business to business, comunicando para as sociedades, às populações consumidoras finais dos nossos alimentos, que geralmente são processados pelas indústrias com suas marcas locais, nos deixa vulneráveis a desinformações, má informações e mesmo fake news.

O agro brasileiro é hoje o maior do mundo em diversas categorias e temos nos Estados Unidos o nosso maior concorrente. Podemos ser atacados, sim, pois hoje no comando do nosso maior concorrente agro temos um legítimo “hard sell man”, um vendedor agressivo e que utiliza como ninguém todas as mídias na comunicação, ou melhor, na manipulação dos seus interesses.

Sem uma estratégia mundial com suporte de midias sérias, e de reputação ilibada, ficamos vulneráveis. O crime do desmatamento ilegal deve ser combatido com tolerância zero, mas a comunicação do agro legal brasileiro precisa ser feita urgentemente para todas as nações clientes do país.

Ao ilegal a lei. Ao legal comunicação urgente!

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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