CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Rádio Eldorado/Estadão - Tarifa de 25% para quem negociar com Irã, ameaça Trump, puniria o Brasil também

Publicado em 14/01/2026

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Tarifa de 25% para quem negociar com Irã, ameaça Trump.

O Brasil tem uma exportação na casa de US$ 3 bilhões em vendas para o Irã, que hoje é o principal destino do milho brasileiro. Oriente Médio é um importantíssimo mercado para o Brasil e o Irã está na 5ª posição atrás dos Emirados Árabes Unidos, Egito,Turquia e Arábia Saudita. Milho e soja mais de 87% e fazemos importações não grandes do Irã, mas fundamentalmente de fertilizantes, lembrando a dependência quase que total ainda deste insumo de importações.

O Irã faz parte do mercado Halal, e nesse aspecto o Brasil é o maior fornecedor, o líder mundial como fornecedor da proteína Halal, para a Organização da Cooperação Islâmica, carne de frango, bovina, açúcar e grãos e tem se expandindo para outras áreas, cosméticos, finanças e tem atraído consumidores não muçulmanos por levar junto um conceito de saudabilidade.

Trump assinou também uma ordem para criar uma força tarefa nos Estados Unidos para atuar nas cadeias de suprimentos objetivando proteger o país de aspectos competitivos, significa colocar o departamento de justiça e o federal trade comission perseguindo e interferindo nos preços de alimentos, especialmente por empresas controladas com matrizes em outros países.

Parece que Trump está recriando o modelo CIP - Controle Interministerial de Preços, nos anos 80, no Brasil, onde todos preços eram tabelados e precisavam ser aprovados pelo governo, não adiantava nada, resultados pífios na época, com inflação que atingiam valores anuais superiores a 1000%.

Proteger os Estados Unidos de preços das cadeias de alimentos, outra novidade de Trump. E sobre o uso de alimentos como arma contra uma população, querer quebrar uma cadeia de fornecimento de alimentos para uma nação, um povo, independentemente de linhas políticas, de guerras, revoluções internas, ou quem quer que seja que esteja no comando de um país, não tem justificativa por razões humanitárias.

Então, nova ameaça de tarifaço para quem negociar com Irã, e essa “inovação” de novo ato regulatório anticompetitivo para preservar o custo de vida dos norte-americanos. Agora também no ambiente corporativo, das empresas privadas.

O CIP USA, Conselho Interministerial de Preços brasileiro anos 80, revival by Trump 2026.

José Luiz Tejon para Eldorado/Estadão.

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Marco deste ano marcou crescimento do antes das porteiras, o setor de insumos crescendo 39,6% segundo a FGV-Agro. É o aumento pelas compras de adubo. Também tivemos aumento significativo nos preços dos fertilizantes. As máquinas iniciaram recuperação das vendas, da mesma forma os bioinsumos.
Conversei com Acrimat - Associação dos Criadores do Mato Grosso, dr. Oswaldo Ribeiro, seu presidente que me disse ser previsível esses casos, pois em meio a milhões de animais, surgem pouquíssimos casos. São animais velhos, proteína que degenera no cérebro. São vacas que deitam no frigorífico antes do abate.
O que pode ser feito e será feito no agro, nos próximos 10 anos? Eu falava do “se”, uma conjunção subordinativa… “Se” fizéssemos o certo ao invés do errado, resolveríamos metade dos problemas do mundo, etc, mas além do “se”, o que pode e será feito?
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) assina com o Brasil acordo de US$ 1,2 bilhão para agropecuária sustentável. Se trata de um termo de cooperação com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e o Ministério de Economia.
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