CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

“Seguir protocolos e muita resiliência vamos superar gripe aviária”, Francisco Turra.

Publicado em 19/05/2025

Eu falo do Rio Grande do Sul. A situação está muito triste com a gripe aviária, com grandes impactos na economia e em um estado que tem sofrido quatro anos de dificuldades. E sobre gripe aviária eu preferi pedir ao ex-ministro da Agricultura, Francisco Turra, gaúcho também, foi presidente da Associação Brasileira da Proteína Animal (ABPA), hoje é presidente do conselho dessa entidade, e que tem uma experiência pessoal de enfrentamentos e dramas como esse.

O ex-ministro Francisco Turra me disse:

“Amigo Tejon, não é com satisfação que falo agora, mas respondo esse questionamento de como vamos enfrentar o advento da influenza aviária em granja comercial. Não poderia ter acontecido, aliás há 15 anos quando eu estava iniciando as atividades na ABPA esse era o grande fantasma. Já acontecia a influenza aviária em diferentes países, países ricos, países pobres, produtores e o Brasil preservado em uma luta intensa, com treinamentos, ensinamentos e métodos para efetivamente evitarmos a chegada da influenza aviária, mas tínhamos também no radar que um dia ela poderia acontecer. Então a nossa preparação toda foi de como conter, como erradicar, o que fazer. Seria essa efetivamente a influenza aviária no Brasil e chegou. Ela já estava ameaçando há três anos quando aves silvestres foram contaminadas, mas todas contidas principalmente pela prática que nós tínhamos de preservar a sanidade até o último capítulo. A influenza aviária ela é, efetivamente, um grande problema na avicultura no mundo. Para assinar as vacinas, mas impede que o país exporte, e é por isso que nós temos que lutar para erradicar, para extirpar, coisa também que não é uma tarefa fácil, porque onde ela acontece, depois de parecer erradicada, ela retoma os brotos. A nova influenza aviária causa esses transtornos também. Mas tenho a absoluta confiança de que vamos cumprir a nossa missão, exatamente com paciência, resiliência, e também muito profissionalismo. Nós temos de cumprir os protocolos da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nós temos também os nossos protocolos, os nossos acordos. Quando abrimos o mercado nós fazemos um acordo sanitário com o país, e exatamente esse acordo vai ser respeitado agora. Vamos ter um vazio sanitário, vamos ter dificuldades de isolar o Rio Grande do Sul que efetivamente é um estado atingido por tantas catástrofes. Veio ali a Newcastle, mas exemplos da Newcastle mostra como nós estamos organizados e preparados. Ela chegou no Rio Grande do Sul, causou impactos, problemas, dificuldades, perdas, mas conseguimos retomar com muita rapidez, cumprindo protocolos, fazendo bem, cumprindo todos os protocolos que estão também disponíveis em todas as orientações que fizemos para os nossos associados da ABPA. Nós vamos ter momentos difíceis, ruptura de alguns mercados mais exigentes, mas há um detalhe também interessante: o mundo está precisando de proteína animal e o mundo está acostumado com essa proteína saudável e que tinha até a chegada da influenza aqui o melhor conceito de sanidade e continua. E não é o problema pela razão que o próprio Japão, um dos países mais exigentes, quando aconteceu o Newcastle ele não aceitava a regionalização, que nós só preservássemos uma área como ausente das exportações. Ele queria o país, ele queria o estado, mas depois de uma exposição longa de como é as práticas que nós temos o Japão aceitou. É a maior prova de que podemos repetir agora. Rússia, por exemplo, há tempos está fora do radar, já nem se fala, mas é um país fácil de lidar e hoje ela não é a nossa compradora, mas poderá tornar-se. Mas China e alguns países como a União Europeia dificultam, mas é uma questão de tempo. Como eu falei o vazio sanitário, o período de resolvermos algumas questões mais importantes, isso o Brasil já está fazendo desde o primeiro segundo. O trabalho integrado, privados, Governo, Estado, União, eu posso dizer que é modelar no Brasil. E o serviço de inspeção é modelar, é muito bom no Brasil. Isso tudo conta a nosso favor. Eu tenho certeza que vamos sair dessa também. É difícil, é difícil, mas vamos sair e intactos. Muito obrigado”.

Teremos de seguir os protocolos, com muita resiliência e, pra variar, aperfeiçoamento de cada situação crítica vivida. Esperamos que possamos passar por esta com o ex-ministro Francisco Turra que aqui nos falou.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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