AGROCONSCIENTE - Marketing é criar, administrar e liderar mercados.
Publicado em 17/06/2026
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"Marketing não é ciência nem arte, é atender sonhos", Dr. Marcos Cobra.
Na entrada da Disneylândia, em Orlando, está escrito: “Where the dreams come true”: onde os sonhos viram realidade. Ninguém pediu um parque, nem os cartoons Disney. Aliás, Walt Disney acreditava que seria o coelho Oswald o herói e jamais um rato como Mickey.
Quando Antônio Secundino de São José, em 1945, cria a Agroceres e lança a primeira semente híbrida de milho no país, ninguém pediu. Ninguém queria comprar. Foram 40 anos de muitas ações, investimentos na divulgação, na difusão, na assistência técnica e somente em torno de 1985, com ajuda do símbolo atleta do século Pelé mostrando agricultores campeões de produtividade e dizendo: “com a bola no pé sou Pelé, com Agroceres na plantação você é o campeão” que se consolidava um domínio e uma aceitação quase universal para as sementes hibridas versus as do “paiol”.
Esse mesmo exemplo assistimos com o Dr. Fernando Penteado Cardoso com a sua “com Manah adubando dá”, criando, administrando e liderando o mercado dos fertilizantes. Idem, idem na Jacto com Shunji Nishimura lançando a 1ª colheitadeira mecânica de café do mundo, e os exemplos se multiplicam tanto nas iniciativas com fins lucrativos quanto não lucrativos, onde o plantio direto surge dos chamados à época “alemães loucos”, o Frank, Bartz, seu Nono ali dos campos gerais paranaenses, início dos anos 70. Novamente se transformando numa grande realidade também mais de 30 anos após.
Os criativos humanos são os que veem antes. Ali no poder da imaginação concebem desejos, necessidades, soluções para angústias humanas, organizam instituições para atender esses sonhos como uma própria Embrapa concebida por Cirne Lima, ao lado de meia dúzia de visionários, implementada por Alysson Paolinelli com outros heróis na sua administração e liderança ao longo dos tempos.
Isso vale para tudo, ninguém pediu celulares, notebooks, livros, rádio, televisão, eletricidade, automóveis, satélites, e até malas com rodinha. Aliás, esse maravilhoso invento, colocar rodinhas em malas só ocorreu nos anos 70, nos Estados Unidos após milênios da criação da roda e também de séculos de malas. E o seu inventor também foi chamado de um bobalhão, pois ninguém iria comprar essas malas.
Dessa forma, falando da importância de marketing, se não administrarmos, liderarmos os mercados que criamos por iniciativa desses pioneiros e pioneiras visionários, podemos perder esse ativo, esse patrimônio, para novos concorrentes que visualizam a evolução daqueles produtos e serviços originários e dão saltos criando novos mercados em patamares mais avançados. Os exemplos estão repletos de marcas, e criativos que iniciaram segmentos industriais, comerciais e de serviços e foram substituídos por novos visionários que passaram a continuar a jornada de criar mercados onde novos sonhos substituem os antigos.
Acho que todos tivemos um dia uma polaroide, uma lista telefônica com as famosas Yellow Pages, onde nenhuma editora de listas ou dona das redes de telefonia criou as revoluções dos “googles”. E imaginem para onde iremos no agro com a evolução genética?
E o Brasil? Criamos um gigantesco mercado mundial agro tropical. Nós transformamos num dos maiores concorrentes do maior país do mundo do agribusiness os Estados Unidos. E agora? Como vamos ao futuro? Como poderemos administrar e liderar essa conquista para não a perder? Não será mais fazendo o que fizemos nos últimos 50 anos. Precisaremos dar saltos evolutivos e de agregação de valor, conquistando corações e mentes dos mercados. Nossa estrutura de logística, sistemas de insumos e tecnologias, agroindustrialização, presença de marcas nas gôndolas dos supermercados mundiais e conquista das mesas dos consumidores exige um espetacular “turn around”, capacitação e uma governança onde inteligência de marketing deixe de ser um enigma a ser decifrado, além da obrigatoriedade de uma coesão dos setores público com o privado, se transformando em planos competitivos e com metas de vendas e resultados que impactem o PIB do país.
Essa criatividade é abundante. Leandro Pinto cria a maior organização de ovos do Brasil, a Mantiqueira. Ricardo Pinto, em Paranapanema (SP), se transforma no maior produtor e vendedor de lichia do Brasil e cria snacks simplesmente maravilhosos. Alexandre Costa constrói a maior rede de franquia de chocolates do mundo. A JBS vira a maior empresa de proteína animal do planeta terra. Erasmo Batistella começa com um posto de gasolina no Rio Grande do Sul e faz a Be8, com biodiesel exportando para exigentes mercados europeus. ABCS com marketing operacional dobra o consumo per capita da carne suína no Brasil. Cooperativas nascidas com 50, 60, 70 membros se transformam em complexos sistemas de agribusiness com milhares de membros, com marcas próprias indo da genética ao consumidor final como podemos exemplificar no sistema Aurora.
Renovabio, flores, do A do abacate ao Z do zebu oportunidades extraordinárias. Café não é mais commodity, é um estado de espírito. Algodão é arte. Os exemplos são abundantes. Em cada cidade do Brasil encontramos um criativo, criando mercados, administrando e liderando. Mas agora não basta dependermos desses heróis como expressava Winston Churchill na 2ª guerra mundial: “nunca tantos deveram tanto a tão poucos”. Precisamos de muitos, de todos, de uma nação inteira criativa, criando mercados, administrando e liderando o mundo a partir do seu “tropical Belt”, o cinturão tropical global.
Não apenas para nós, brasileiros, mas para a dignidade de vida em todas as nações dessa mesma faixa planetária.
A Coca Cola é um dos exemplos mais espetaculares de criação de mercados, administração de demanda, liderança de tendências, conquista de corações e mentes e uma presença afetiva em qualquer ponto de venda, de consumo na beira de qualquer estrada do país e do mundo. No início era uma ideia considerada improvável, impossível, um remédio, um estimulante, um tônico para criar ânimo nas pessoas. Uma saia rodada gera a garrafa ícone, e hoje um consumo inigualável diário no mundo inteiro, onde também diversifica para chás, águas, sucos, etc, na equação “natural”.
Se a Coca Cola pode fazer isso com a sua Coke, podemos fazer algo brilhante e espetacular com esta Marca Brasil?
Marca que na pesquisa que realizamos este ano, em 27 países entrevistando mais de 470 mil pessoas, feita pela OnStrategy da Europa surgiu como uma percepção de natureza, povo afetivo, turismo e agronegócio. País lindo, único na sua beleza.
Podemos e precisamos urgentemente elevar as percepções do mundo inteiro para as realidades, virtudes e talentos brasileiros. Temos marketing, está nos faltando propaganda, vendas, o terceiro A da fórmula do Prof. Raimar Richers: ativação.
E como nos alimenta o maior educador de marketing do Brasil, o maior escritor, o Prof. Dr. Marcos Cobra: “marketing não é ciência nem arte, marketing é atender sonhos, desejos, necessidades humanas para todas as pessoas através de produtos, serviços, ideias que ninguém ainda havia imaginado e que tragam felicidade para seus consumidores”. CMO & CAO (Chief marketing officer and Chief agribusiness officer). We need you.
José Luiz Tejon para o Agroconsciente.