CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

AGROCONSCIENTE - Mecanização com biocombustível brasileiro o agro não pode esperar mais

Publicado em 10/07/2026

Divulgação
Temos no Brasil uma experiência extraordinária e bem sucedida do etanol

Participando do 41º Simpósio da Agroindústria da Cana de Açúcar de Alagoas, com FMC, após uma extraordinária programação da STAB, no maior evento do setor sucroenergético do Norte Nordeste, uma grande pergunta me veio à cabeça: por que a mecanização da agropecuária brasileira não usou até hoje motores movidos com os biocombustíveis do Brasil, seja o etanol, o biodiesel o próprio biometano? Uma daquelas perguntas tão óbvias que nos traz a necessidade de ouvir mais as crianças, pois delas somos sempre surpreendidos com perguntas simples e que paramos para pensar.

Temos no Brasil uma experiência extraordinária e bem sucedida do etanol, surgida nos desafios da primeira crise do petróleo anos 70 com o Proálcool. Temos agora também a opção do biodiesel, e com biogás gerarmos biometano. O que nos falta? Por incrível que pareça nos faltam tratores, colheitadeiras, implementos autopropelidos com motores para os nossos biocombustíveis.

Fui pesquisar e vi que iniciativas como essas começam a ocorrer, por exemplo, pela fabricante de motores e geradores a MWM, empresa hoje nacional do grupo Tupy. Desenvolveu um motor para etanol que pode ser colocado em tratores zero ou adaptados nos usados.

Qual a gigantesca importância da urgência de um planejamento para que todo agro brasileiro utilize biocombustível brasileiro? Além de um extraordinário impulsionamento de investimentos, empregos e renda dentro do país e com grandes oportunidades de exportação, iríamos dar segurança aos planos de transformação de áreas degradadas em agriculturas modernas e regenerativas com um mercado para a cana de açúcar, o milho, a soja, madeiras, gigantesco com sua utilização em toda mobilidade da agro mecanização do país.

Mas além disso, hoje algo ainda invisível mas que será fator crítico de sucesso em pouquíssimos anos daqui pra frente: “sustentabilidade de alimentos, fibras, energia não será medido somente pelos aspectos dos tratos culturais, mas por modelos que não utilizem mais a energia fóssil para a sua produção dentro das porteiras das fazendas”.

Portanto, será impossível dizer que nosso agro tende ao carbono zero, se usamos energia fóssil no movimento dos tratores, pulverizadores, plantadeiras, etc, mas vem aí novo agravante, e na logística do antes e do pós-porteira das fazendas? Somos hoje totalmente dependentes das energias fósseis, na chegada dos insumos, fertilizantes, como também nas saídas dos grãos, da cana, do café, algodão, frutas, hortaliças, carnes, tudo.

Não dá para esperar mais. Assim como num país de carros flex não ultrapassarmos 30% de participação no uso do biocombustível comparado com a gasolina é esquisito.Temos uma grande oportunidade, que a tornemos realidade.

Parabenizo ainda a criação de um início de rede de postos “só etanol”, da usina Caeté lá de Alagoas. Gostei, me deixou esperançoso, um dia veremos a mobilidade brasileira todinha movida com biocombustíveis do Brasil. Eles são nossos.

José Luiz Tejon para o Agroconsciente.

 

 

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