CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - 1ª mulher presidente da usina de cana-de-açúcar mais antiga do mundo funcionando: Daniela Petribu!

Publicado em 11/10/2023

TCA
Daniela Petribu, presidente da Usina Petribu

Estou hoje aqui com um assunto muito espetacular e diferente. Estou com Daniela Petribu,  presidente da usina mais antiga em funcionamento no mundo, a Usina Petribu em Pernambuco, em Lagoa do Itaingá, a cerca de 60/70 quilômetros de Recife. E nesta usina, na oitava geração, comandada hoje por uma mulher, pela Daniela. Então primeira questão é: parece ser curioso, uma usina de cana-de-açúcar, Nordestão. Daniela, como é uma mulher no comando dessa usina que é a mais antiga do mundo em funcionamento? Qual as dificuldades que você tem de enfrentar e qual é o maior problema que você tem sente como mulher nessa função?

“O desafio é grande, mas não como mulher. Eu acho que o desafio é entender o setor. É um setor bastante delicado por muitos aspectos que a enfrentamos como questões legais, ambientais, de certificações. O nosso produto atende os mercados mais exigentes do mundo, parte da nossa produção vai para exportação, uma parte da produção vai para o varejo nas grandes cadeias de supermercados e uma parte da produção vai para as indústrias, onde nós fazemos produtos e somos a solução de açúcar para as indústrias que usam o nosso açúcar como matéria-prima na sua produção. Então nós temos uma demanda de açúcares especiais e aí nós qualificamos o nosso pessoal, investimos bastante em tecnologia, em processos, para que a gente possa fornecer sempre o melhor produto. E o desafio como mulher eu acho que é um presente que eu ganhei quando eu assumi há 22 anos a presidência da usina. Fiquei bastante assustada pelo tamanho do negócio. Eu era diretora de uma área. Na verdade, a minha carreira veio da área financeira e depois eu entrei na área administrativa. Fui assumindo as áreas de contabilidade, custos, depois Departamento Pessoal, jurídico, almoxarifado, TI e aí de repente caiu no meu colo o agrícola e o industrial e eu sou formada em Administração de Empresas. Então assustou um pouco, mas eu tive grandes professores e eu sempre tive humildade de ir para a área aprender. Então eu saía com o gerente agrícola e nós íamos no canavial e eu saía perguntando, por que esta cana tem a folha reta, essa cana tem a folha curva, porque essa é mais verde do que a outra, por que tem de colocar um determinado produto em um solo A e não em um solo B, então, assim, eu fui uma pessoa muito chata e fiz muitas perguntas, mas o meu tio me ensinou que eu tinha de fazer as perguntas certas. Então eu nunca tive dificuldade e nem vergonha de perguntar o que eu não o que eu não sabia. E com o tempo vamos aprendendo, tendo maturidade, pegando experiência. Na fábrica também eu sempre fui muito curiosa, quando a usina dava problema, quando quebrava uma peça, eu queria ir lá ver a peça. Eu não me contentava com o que me diziam, embora não sou engenheira, mas quando olhamos fica mais fácil identificar o problema. E aí o gestor me explicava e quando não me convencia, ligava para o consultor vir até a usina e eu dizia: me explica como se você estivesse ensinando a uma criança. Ele me ensinava e eu perguntava até eu entender”.

Daniela, a usina mais antiga do mundo, 1929, 8ª geração, e vocês têm hoje aqui um parque moderníssimo com meio ambiente, ESG, operação monitorada, tem cortador de cana na mão que está aqui há 42 anos trabalhando, vocês tem uma área e um ambiente humano, eu diria extraordinário, e que os amigos todos de São Paulo possam até vir a conhecer um dia. Qual é a maior dificuldade que existe hoje para a tua operação de cana daqui para a frente? Qual é o maior problema?

“É a mão de obra, porque o nosso maior ativo são as pessoas. E a gente tem dificuldade de recrutar mão de obra principalmente para corte de cana. Nós estamos em uma região que tem o relevo bastante acidentado, então a gente não consegue mecanizar, a nossa área mecanizada é 10% da área total. Então a gente ainda precisa de uma mão de obra extensiva. Nós temos cerca de 4 mil pessoas no campo”.

Muito bom. Daniela Petribu, presidente das Usinas Petribu, a usina mais antiga em funcionamento no planeta Terra, moderna, aqui em Pernambuco. Uma mulher e a maior dificuldade: mão de obra. Eu acho que nós estamos precisando de um plano muito forte de formação de mão de obra e educação em todos os níveis.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Temos forte dependência do trigo importado no Brasil. Somos o 2º maior importador do mundo. Uma cultura de inverno que ficou acomodada nas importações. Um déficit de 4 milhões de toneladas de trigo anuais, onde o preço do pãozinho de março até aqui subiu de 12% a 20% dependendo da padaria. A farinha de trigo subiu em média nos últimos 30 dias entre 20% e 23%.
Conversei com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, durante a reunião Cosag-Fiesp e perguntei a ele sobre o suporte ao cooperativismo e ele respondeu: “Estamos em um momento muito especial. Temos de lembrar que no Brasil hoje nós temos mais de 20 milhões de pessoas associadas ao cooperativismo.
O Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e o Chinese People’s Association with Foreign Countries, da China, estão organizando uma reunião, a meu ver extraordinária, em paralelo à comitiva presidencial para o mundo chinês. E para falar sobre produtos amigos da natureza estará, pelo Brasil, a Dra. Fabiana Villa Alves, especialista da Embrapa em sustentabilidade e baixo carbono.
Estou em um trabalho extraordinário de transformação do agro brasileiro a partir da robótica, da Inteligência Artificial (IA), do mundo digital e como isso vai transformar toda a gestão. E para falar sobre essa transformação conversei com o Emerson Crepaldi, CEO da Solfintec América Latina, e que já tem hoje, aqui no Brasil, mais de 12 milhões de hectares trabalhados sobre essa visão de moderna gestão onde a IA já está.
© 2025 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite