CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Agro do Brasil, hora de estratégia.

Publicado em 11/11/2024

Divulgação
"Estamos em um instante agressivo de polarizações mundiais".

“Nada na vida é para ser temido, apenas compreendido. Agora é a hora de compreender mais, para temer menos”, Marie Curie. Estamos em um instante agressivo de polarizações mundiais, opostos radicais vociferando uns contra os outros e, pronto, aí temos Trump, Putin, Xi, só para mencionarmos três macro líderes com gigantescos impactos globais, e todos eles com poderosas armas atômicas, o que nos fez trazer a cientista Marie Curie, física e química polonesa, naturalizada francesa que, em 1903, ganhou o Nobel da Física e, em 1911, o Nobel da Química. Ela foi a primeira mulher a se tornar professora na universidade de Paris, tudo isso pelos seus estudos e descoberta da radioatividade.

Muito bem-vindo ao agronegócio, vejo uma grande oportunidade brasileira nesse cenário “radioativo” o que me trouxe a mensagem da Marie Curie. Hora de compreender mais para temer menos.

Na história humana alimentos, energia, medicamentos, insumos vitais sempre foram utilizados tanto nas guerras quentes quantos nas frias. O presidente Jimmy Carter em 1980 decretou um embargo de grãos para a União Soviética, o que resultou num choque de transformação da Rússia para a busca de autossuficiência dos seus grãos.

E agora? O Brasil mantida uma inteligência comercial diplomática, e um alinhamento com os setores mundiais de capitalismo consciente tem a oportunidade de significar para o mundo a única região distante dos mega conflitos de interesses geopolíticos entre buscadores de supremacia e as contemporâneas “war 4 perceptions”, guerra mediática pelo domínio das percepções humanas.

O professor Charles Perrow, de Yale, menciona que o acaso está sempre presente e muda raciocínios das áreas exatas. Daniel Kahneman, Nobel de Economia em 2002, afirmou que economia é pura sorte e os fatores inimagináveis atuam mudando cenários a todo instante, e os três Nobel da Economia em 2024 (Daron Acemoglu, Simon Johnson e James A. Robinson) afirmam serem as instituições da sociedade civil organizada que de fato impulsionam a prosperidade das nações ao liderarem planejamentos estratégicos de estado ao lado de governos.

Então toda esta introdução para colocar aqui a minha interpretação e consequentemente opinião. Interpreto que o atual cenário acentuará ações protecionistas e guerras comerciais e tecnológicas entre as grandes nações, os grandes PIB’s. Entretanto isso levará a uma valorização dos ativos vitais e essenciais para a vida, como alimentos, energia e ainda a nova economia ambiental e da mudança climática.

O Brasil, maior exportador net de alimentos, é o único país do planeta que pode dobrar de tamanho sem tirar uma só árvore sequer, e significará a segurança alimentar, energética e ambiental nessa arena de gladiadores globais. Os preços das commodities crescerão. A preocupação com a segurança alimentar dos países importadores crescerá. O dólar se valorizará, e todo esse contexto, apesar de não estar naquilo que foi sonhado como o ideal humanista na terra, representa sim para o Brasil uma oportunidade.

O Prof. Dr. Ray Goldberg criador do conceito de agronegócio em Harvard, nos anos 50, me disse há 2 anos: “o sistema alimentar irá reunir o mundo, unir o mundo que está polarizado por políticos com seus interesses geoestratégicos”, mas fico com a entrevista que outro Nobel me deu, neste ano, Dr. Rattan Lal, Nobel da Paz. Ele falou: “o Brasil lidera hoje a produção de alimentos em solos fracos, no mundo tropical e nas condições ambientais. Se o Brasil liderar essa visão, o mundo o seguirá”.

Portanto, na minha interpretação e opinião, o atual instante do mundo nos permite pensar em “compreendê-lo mais para o temer menos”, e na aliança, coalisão do sistema das cadeias produtivas agrobrasileiras, integrando também todas as cooperativas, podemos realizar uma reunião da agropecuária com indústria, comércio, serviços e governo e, juntos, ao lado da diplomacia comercial poderemos sair com ótimas realidades e transformando esta potencial crise numa oportunidade.

Lógico que os preços também impactarão o mercado interno brasileiro, por isso o desenvolvimento da produção deve ser estimulada para ao mesmo tempo exportar mais e assegurar abastecimento interno no país, aí sim se não cuidarmos conscientemente deste instante ao invés de o usarmos a nosso favor, poderá ocorrer seu oposto.

Temos condições totais geoestratégicas e como sociedade de elevar o Brasil ao significado de paz, corroborando o que tanto o ministro Roberto Rodrigues, hoje embaixador do cooperativismo para a FAO repete.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

O relatório Kantar BrandZ apresentou o ranking das 50 marcas mais valiosas do Brasil. Não há na classificação uma reunião dessas marcas sob o ponto de vista do sistema agroempresarial que as vincula tanto com a originação dos campos, águas e mares, quanto com parte do seu destino incluindo significativas dependências de mercados e de consumo do complexo do antes, dentro e pós-porteira das fazendas, com ciência, comércio, indústria, serviços e a agropecuária.
Sobre as “trumpalhices” do atual governo dos Estados Unidos, a maior economia do planeta, conversamos com um brasileiro que teve uma experiência única numa ação contenciosa com os EUA na Organização Mundial do Comércio na questão do algodão, e saímos vitoriosos, é o Pedro de Camargo Neto que foi presidente da Sociedade Rural Brasileira, presidente da Fundepec,  agricultor, pecuarista, foi secretário de produção e comercialização do Ministério da Agricultura,  e o único brasileiro citado no livro americano “Food Citizenship”,  alimento e cidadania numa era de desconfianças.
Agronegócio é 1/3 do PIB diretamente, e outros tantos indiretamente, enquanto isso, o cenário das safras piora. Precisamos de um plano emergencial. Existe potencial instalado no país, só depende de lideranças com foco na administração e mitigação dos fatores incontroláveis.
Abordamos aqui no Agroconciente as manifestações dos dois presidentes dos principais eventos do agro deste início do ano. Ouvimos Dilvo Grolli presidente da Show Rural Coopavel e Nei Manica presidente da Cotrijal/Expodireto. Além do sucesso de negócios em ambas, batendo recorde de movimento de negócios e público, havia uma solicitação forte sobre a necessidade de complementação do crédito rural e a equalização dos juros. Uma constante em todas as lideranças é a expectativa da queda de juros. Nesta semana houve uma reunião do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, com o ministro da Fazenda Fernando Haddad.
© 2025 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite