CABEÇA
DE LÍDER

José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Agrocidadania, um exemplo brasileiro para o mundo: “projeto faça um bem incrível”.

Publicado em 24/07/2023

Divulgação
Simone Silotti, fundadora do projeto Faça um bem incrível

Conversei com Simone Silotti, fundadora de uma iniciativa que tem recebido visitas internacionais, e apoio de instituições como da própria Fundação Banco do Brasil, transformando o desperdício agrícola, da hortifruticultura, em doações de alimentos para comunidades carentes.

O desperdício em função de períodos do ano, exigências de apresentações das hortaliças pelos supermercados, cada vez mais rigorosos com embalagens, forma e estética das frutas, verduras e legumes, épocas de inverno onde o consumo diminui, as perdas, o desperdício pode chegar até 50% do potencial da produção.

Simone Silotti, produtora rural em Mogi das Cruzes, teve a ideia, ainda no início da pandemia, de reunir produtores rurais numa cooperativa a CAQ, Cooperativa Agrícola de Quatinga e região, comandado por 5 mulheres, e criou o projeto Faça  um bem incrível.

A ideia consiste em adquirir a produção que produtores não conseguiram comercializar. Remunerá-los com preços justos. Também foi criada uma logística interessante fazendo com que esses alimentos saudáveis cheguem até as famílias vulneráveis.

E isso tudo traz um grande benefício para o desenvolvimento sustentável ESG dos produtores rurais, atendendo programas sociais e, com isso, assegura renda justa para quem produz, orienta o desperdício para quem não tem renda para se alimentar e, de verdade, só faz bem para todos.

O criador do conceito de agribusiness no mundo, Prof. Ray Goldberg, com mais de 90 anos hoje na Universidade de Harvard nos Estados Unidos, afirma: “estamos numa era onde o valor da cidadania deve prevalecer, ele diz food citizenship em inglês”. E aqui no cinturão da hortifruticultura da grande São Paulo, na zona rural de Quatinga, Mogi das Cruzes, teve início e irá se expandir cada vez mais esse conceito que abraça o agronegócio e vai além dele incorporando objetivos do desenvolvimento sustentável da ONU. Temos um exemplo vivo e real de agrocidadania no Brasil, sendo reconhecido, premiado e até já por uma comissão da China visitado. Negócio & Filantropia cria agrocidadania.

“Faça um bem incrível é um projeto com uma forte pegada ESG que, com o mesmo recurso, atua no combate ao desperdício de hortaliças aqui no campo. E eu estou falando de Mogi das Cruzes, apoiando pequenos produtores e cooperativas da agricultura familiar e da outra ponta contribuindo para o combate da insegurança alimentar e nutricional das famílias aqui da região metropolitana de São Paulo. E de que forma fazemos isso? Os pequenos produtores informam ao Faça um bem incrível sobre a produção que por algum motivo não estão conseguindo escoar e nessa semana, por exemplo, com a frente fria o consumo de hortaliças caiu significativamente, então sobra muita mercadoria no campo, e aí a Faça um bem incrível, por meio da captação de recursos, junto à pessoas físicas e empresas solidárias, remunera esse produtor a um preço justo, organiza uma logística eficiente e leva esses alimentos para famílias vulneráveis aqui da região metropolitana de São Paulo. É absurdo o desperdício de hortaliças que acontece no campo. Em um período como esse chega a 50%. Nós já resgatamos e doamos mais de 380 toneladas de frutas, verduras e legumes, para mais de 17 municípios da região metropolitana de São Paulo, beneficiando mais de 300 mil famílias. É muito, é muito, mas é muito pouco perto do que nós podemos fazer juntos”, disse Simone Silotti.

Para você saber mais e apoiar essa nobre iniciativa de um agroconsciente e da agrocidadania é possível fazer uma doação, por pix, no número (11) 91212-5534 ou por vaquinha virtual no site: www.facaumbemincrivel.com .

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

Também pode interessar

Ao encerrar os trâmites no Senado neste final de ano, o setor agropecuário não aderiu ao projeto, sob uma correta alegação da “inexistência de métricas científicas confiáveis para mensurar essas emissões”. Mas pergunto, o agronegócio estará fora desse mercado de carbono? Mesmo? Claro que não.
Hoje estou em um tema muito importante, eu considero até um marco histórico, para o agroconsciente brasileiro porque participo no oeste do Paraná, da Cooperativa Primato, em Toledo, ao lado da indústria Tupy no movimento que cria uma bioplanta que vai transformar dejetos de suínos de praticamente quase 11 mil famílias agrícolas em bioeletricidade, biometano, biofertilizantes. E esse movimento é que se inicia mas que vai tomar conta do país.
Falo diretamente do Global Agribusiness Fórum Festival, que é um evento gigantesco que acontece no Allianz Park, em São Paulo, e o tema que está incomodando as lideranças do agro é a postergação da informação sobre o Plano Safra que deveria acontecer no dia 27 e ficou para o próximo dia 3 de julho.
Dentro das estratégias do candidato Lula, o elo com o centro político é a estratégia, repetindo o êxito do primeiro governo Lula com um ministério muito equilibrado. Geraldo Alckmin (ainda sem partido), um político conciliador, transmitiria ao setor ruralista uma mensagem de confiança na continuidade do agronegócio, cujo sucesso já vem de vários anos anteriores, tendo na tecnologia, empreendedorismo dos produtores, suas cooperativas e mercados internacionais os principais fatores que nos colocaram na 4ª posição global agrícola.
© 2026 José Luiz Tejon Megido. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por RMSite