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José Luiz Tejon

Eldorado/Estadão - Sociedade civil unida jamais será vencida: “IOF não”, diz Tirso Meirelles.

Publicado em 30/05/2025

Divulgação
Tirso Meirellles, presidente da FAESP

Todas as entidades empresariais da sociedade civil estão unidas contra o imposto sobre operações financeiras. No agronegócio significa custo ao longo de toda cadeia produtiva, inclusive para investimentos na sustentabilidade. Temos ainda um juro alto para a atividade agrícola, que atua sempre sob risco de fatores incontroláveis como clima, políticas tarifárias internacionais, câmbio, preços das commodities, doenças, pragas, etc. A agricultura se serve de programas financeiros como o do próprio BNDES oferecendo empréstimos em dólar, ou seja, no antes, dentro e pós-porteira das fazendas o agro não suporta adicionar IOF. E vai aumentar os preços dos alimentos.

Sobre isso, em uma reunião com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), Tirso Meirelles, pedi a opinião dele e ele me disse:

“Sem dúvida alguma, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo e toda a cadeia produtiva do agronegócio, para que nós não tenhamos problemas no aumento do custo de produção, nós somos contra qualquer tipo de aumento de imposto. Hoje praticamente o brasileiro paga 5 meses de seu trabalho para pagar impostos, e mesmo assim ele não tem o retorno de saúde, na educação, na segurança, então é muito delicado isso. E agora o Governo quer usar o IOF, inclusive, o Governo fez uma campanha grande para que o BNDES emprestasse recursos em dólar para o setor produtivo e aquele que pegar dinheiro do incentivo do Governo não vai ter de pagar IOF. Toda a cadeia produtiva pagando IOF tanto para recepcionar o recurso no Brasil quanto também retornar os investimentos que a multinacional faz no Brasil vai ter um custo adicional de IOF. O IOF é para regulamentar, para ajustar as políticas macroeconômicas e não é arrecadatório e o Governo quer utilizar essa tática como arrecadatório para diminuir o seu déficit público, para diminuir todo o problema do arcabouço fiscal e dos procedimentos que temos com a política monetária. Então o Governo precisa fazer uma diminuição dos gastos dele, diminuir ministérios, diminuir pessoas que são contratadas compulsoriamente e que não precisam fazer nenhum tipo de exame para entrar no processo eletivo. Então, na realidade, o Governo precisa diminuir suas despesas, ter responsabilidade nesse processo, em vez de aumentar a carga tributária brasileira. Então a FAESP, como a CNA, a CNC, a CNI, todos somos contra, como também a Frente Parlamentar do Empreendedorismo, a Frente Parlamentar da Agricultura para que não pague esse custo a população novamente e o processo de emprego e renda. Essa é a grande dificuldade do Governo que sabe gastar, mas não sabe administrar o processo que é tão fundamental para fazer os investimentos e o desenvolvimento sustentável do país.”

Portanto, desta vez a sociedade civil unida jamais será vencida. Seria bom vermos esta união também para a criação de programas como um planejamento estratégico do agro brasileiro com metas de impacto no PIB brasileiro.

Pois se o PIB não crescer a níveis muito maiores do que os atuais, não haverá IOF’s para pagar a conta das despesas crescentes maiores do que as receitas.

Ou o país e o PIB crescem ou ninguém vai dar conta de pagar a conta.

José Luiz Tejon para a Eldorado/Estadão.

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